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Estresse e depressão durante a gravidez aumentam chance de transtornos alimentares da criança, afirma pesquisador

Depressão na Gravidez

Por Vinicius Volpi

Além da busca pelo corpo perfeito, estudo apresentado no Congresso do Cérebro, Comportamento e Emoções 2014 revela que fatores genéticos e ambientais podem levar ao aparecimento de bulimia e anorexia nervosa

 

Barriga negativa, ‘thigh gap’ (espaco entre as coxas) e outros padrões de beleza dos dias hoje são muitas vezes vistos como os maiores culpados pela propagação de distúrbios alimentares. No entanto, segundo o pesquisador Howard Steiger, da Universidade McGill (Montreal, Canadá), existem outros fatores determinantes para o aparecimento de quadros de bulimia e anorexia nervosa. O professor esteve no Congresso Cérebro 2014, que acontece entre os dias 7 e 9 de abril em Montreal, Canadá, e mostrou evidências de que agentes biológicos, psicológicos e ambientais são tão determinantes quanto os sociais para desencadear o problema.

 

Howard Steiger fala da importância da epigenética para analisar todos os fatores que levam pacientes a desenvolverem distúrbios alimentares. “Hoje em dia está cada vez mais comum culpar a epigenética quando não se tem uma resposta clara para alguma condição”, brinca o pesquisador, “no entanto, nesse caso, foi possível avaliar que mães que passaram por momentos de estresse excessivo ou depressão durante a gravidez tiveram filhos mais propensos à obesidade e transtornos alimentares em geral”, afirma.

 

Alem do período gestacional, situações de estresse e principalmente dietas restritivas mudam as atividades cerebrais e podem levar ao desenvolvimento desses transtornos. “Quem não faz dieta, não terá transtornos alimentares”, destaca Steiger. Já pacientes que não foram expostos aos fatores também podem desenvolver transtornos alimentares caso fiquem constantemente em dietas restritivas. A psiquiatra Melanie Pereira afirma que o tratamento mais comum para esses tipos de patologia é a terapia cognitiva comportamental. “A compulsão alimentar é como uma adicção, no entanto, diferente da dependência de drogas, não podemos falar em abstinência, daí a complexidade em tratar pacientes”, explica.

Entenda a epigenética

 

Para explicar do que se trata a epigenética, o pesquisador exemplifica com um experimento feito com ratos. Crias que foram deixadas com as mães e tiveram atenção e carinho se tornaram animais mais calmos na fase adulta, o que não aconteceu com aqueles que foram tirados de perto da mãe ainda filhotes. Foi possível perceber uma mudança química no DNA, chamada de metilação, e que é herdada sem mudar a sequência original do código genético.

 

Enquanto os estudos genéticos revelam o mapa de genes, a epigenética evidencia a forma como esses genes se apresentam nos hábito das pessoas. Os estudos mostram que esses hábitos causam efeitos que são transmitidos por gerações.

 

Sobre o Congresso

Realizado entre 7 e 9 de abril, em Montreal, no Canadá, o 10º Congresso Internacional do Cérebro, Comportamento e Emoções reúne cerca de 2 mil profissionais de saúde, de vários países, para compartilhar experiências, conhecer realidades diferentes e interagir com as principais referências em neurologia e psiquiatria da atualidade.  Durante os três dias de discussão, os congressistas apresentam o que a ciência oferece de mais atual e promissor para áreas como Alzheimer, depressão, envelhecimento cerebral saudável, fatores de risco para o desenvolvimento de doenças relacionadas à saúde mental, o impacto do trauma na infância, além de outros assuntos relevantes para a qualidade de vida da população.

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