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Ansiedade e depressão: quais são as diferenças?

ansiedade e depressão

Gabriela Mateos para Agência São Joaquim Online

Ansiedade e depressão costumam ter seus sintomas confundidos. Mas, apesar de serem dois distúrbios emocionais aparentemente parecidos, são bem diferentes um do outro. Hoje, vamos mostrar aqui algumas dessas diferenças. Afinal, é fundamental conhecê-las antes de tirar conclusões precipitadas e iniciar um tratamento – que pode não ser o mais indicado para o seu caso.

Quando é ansiedade?

Já falamos por aqui que experimentar sentimentos de ansiedade é algo perfeitamente normal em vários momentos da vida, por exemplo, às vésperas de falar para um grande público, ou quando estamos esperando um resultado de uma prova importante, e por aí vai. O problema acontece quando essa sensação de nervosismo passa a ser cada vez mais constante, tomando grandes proporções e passando, assim, a controlar nossa vida. Outros sintomas como medo, ataques de pânico em situações que outras pessoas encaram normalmente e o sentimento de ameaça constante também são muito típicos do distúrbio de ansiedade.

De acordo com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, uma pessoa com um transtorno de ansiedade sofre com “o medo em si”. Por uma razão que é pouco conhecida, o mecanismo de luta ou fuga do cérebro é ativado, mesmo quando não existe nenhuma ameaça real. Ser ansioso é sentir como se você estivesse sendo perseguido por um tigre imaginário constantemente. E essa sensação de estar em perigo nunca vai embora.

Outros sinais de que essa emoção está excedendo os limites considerados “normais” aparecem, e deixam o diagnóstico ainda mais claro, quando a pessoa perde a capacidade de comandar suas próprias atitudes, perdendo a vontade de trabalhar, manter relacionamentos ou até mesmo de sair de casa. O que também pode acontecer com uma pessoa considerada depressiva.

Então, quando é depressão?

Digamos que, nesse caso, apesar do destino ser o mesmo, o caminho percorrido até ele pode ser um pouco diferente. As mudanças de humor fazem parte dos sintomas de ambas as condições, com a diferença de que, em uma pessoa depressiva, elas vêm acompanhadas de emoções como tristeza, falta de esperança em relação a tudo e a todos, desespero constante e raiva. Tudo isso vai consumindo o emocional do doente, fazendo com que seus níveis de energia fiquem muito baixos. E o resultado é um quadro muito semelhante ao da ansiedade exagerada: falta de vontade fazer tarefas diárias e perda total do interesse em tudo o que antes sentia prazer em fazer.

É possível ter ansiedade e depressão ao mesmo tempo?

Sim. Aliás, isso é muito comum. Embora ninguém saiba exatamente o porquê, um grande número de pessoas que sofrem de depressão também sofrem de distúrbio de ansiedade. Inclusive, um estudo revelou que 85% das pessoas com depressão também podem ser diagnosticadas com transtorno de ansiedade em algum grau.

Segundo Charles Goodstein, professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade de Nova York (EUA), “muitas vezes descobrimos que as pessoas têm mais do que uma condição – depressão e distúrbio de ansiedade”. E ele completa dizendo que, na verdade, “é muito difícil encontrar pacientes que estejam com depressão, que também não tenham ansiedade. E é igualmente difícil encontrar pessoas com ansiedade que não tenham depressão em algum grau”.

O que devo fazer?

Ser ansioso e deprimido ao mesmo tempo é um tremendo desafio. Os médicos têm observado que quando a ansiedade ocorre em conjunto com a depressão, os sintomas de ambos os distúrbios ficam mais graves do que quando acontecem de forma independente. Além disso, os sintomas da depressão levam mais tempo para serem curados, tornando a doença crônica mais e mais resistente ao tratamento.

Também é importante ressaltar um dado assustador a respeito desse quadro: quando a depressão e a ansiedade agem em conjunto, a taxa de suicídio fica muito mais elevada do que quando a depressão age sozinha. Um estudo revelou que 92% dos pacientes deprimidos que tentam o suicídio também são atormentados pela ansiedade severa. Ou seja: assim como álcool e analgésicos, depressão e ansiedade podem ser uma combinação mortal.

Devido à dificuldade em diagnosticar esses transtornos, é importante conversar com seu médico franca e abertamente sobre o que você está sentindo. O professor Goodstein acrescenta que também é crucial que o doutor tenha tempo para fazer perguntas suficientes que o façam realmente entender qual é a sua situação. “Muitas pessoas vão a um médico clínico geral primeiro. Eles podem sentir que a pessoa está deprimida e achar que ela precisa de um antidepressivo. Mas se esse médico estiver muito ocupado, não pode fazer tal avaliação”.

Nessas circunstâncias, um antidepressivo é o medicamento que costuma ser prescrito – ainda que possa ou não ser a escolha certa. Por isso, se você suspeita que pode ter alguma dessas doenças, ou as duas em conjunto, procure um médico de confiança e aceite a ajuda especializada que só ele poderá oferecer a você. Pode parecer um sonho impossível, mas com esforço, dedicação e vontade, o mundo vai voltar a ser um lugar colorido para você. [psychcentralwebmd]

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