Variedades

Apenas tirar o açúcar da dieta não resolve o problema do diabetes

DIabetes-e-alimentos-açucar

Daniela Resende para Agência São Joaquim Online

Apesar da alta incidência do diabetes, essa é ainda uma das dúvidas sobre a doença. Confira os mitos e verdades sobre o assunto

São cerca de 382 milhões de pessoas com diabetes no mundo, 11 milhões delas no Brasil. Apesar da alta incidência da doença, estima-se que 40% a 50% dos pacientes não sabem que são portadores da doença, havendo ainda muitas dúvidas sobre como se manifesta, como é tratada e quais as formas de prevenção. Por isso preparamos um guia com os principais mitos e verdades sobre o diabetes, visto que a informação é o primeiro passo para controlar a doença e viver melhor.

O diabetes pode se manifestar logo na infância ou ser adquirido ao longo da vida. VERDADE

O diabetes se manifesta quando o corpo não é capaz de produzir quantidade suficiente do hormônio insulina, que age promovendo a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia, ou quando o corpo não consegue utilizar a insulina que produz de forma adequada. Quando a glicose não é utilizada pelo organismo, sua concentração no sangue aumenta, levando a hiperglicemia e, consequentemente, o diabetes. Existem dois tipos de diabetes: o diabetes tipo 1, que se manifesta ainda na infância e é resultado de um processo autoimune no qual o organismo perde a capacidade de produzir insulina. Por esse motivo, pacientes com diabetes tipo 1 são dependentes de insulina. No caso do diabetes tipo 2, os hábitos de vida são determinantes para o desenvolvimento da doença. A alimentação inadequada – rica em gorduras saturadas e excesso de carboidratos e açúcar -, a obesidade e o sedentarismo podem contribuir para dificultar a ação da insulina no organismo (há um aumento da resistência à insulina) ou para que o fígado produza quantidades excessivas de glicose resultando no aumento de glicose no sangue. O diabetes tipo 2 é mais comumente diagnosticado após os 30 anos de idade, mas a ocorrência em crianças e adolescentes vem aumentado ultimamente.

Obesos são mais propensos a desenvolver diabetes. VERDADE

Pessoas com excesso de peso têm risco três vezes superior ao das pessoas com peso normal de desenvolver diabetes. O aumento do tecido gorduroso, principalmente no abdômen, dificulta a ação da insulina e, por isso, o organismo passa a produzir mais insulina. Com o passar do tempo o pâncreas entra em falência e perde a capacidade de produzir insulina e, consequentemente, ocorre o aumento dos níveis de glicose no sangue, isto é, o indivíduo torna-se diabético. Assim, mesmo quem não é obeso, mas possui gordura abdominal em excesso – acima de 102 cm de circunferência, para homens, e 88 cm, para mulheres – tem maior risco de desenvolver a doença.

O paciente com diabetes sempre apresenta sintomas logo no início da doença. MITO

O diabetes é uma doença silenciosa na fase inicial e seus portadores podem ficar anos sem saber que têm a doença, principalmente os que têm o diabetes tipo 2. No entanto, com o passar do tempo surgem alguns sintomas que podem ajudar a identificar a doença, como sede em excesso; vontade frequente de urinar principalmente à noite; perda de peso, mesmo comendo mais do que o habitual; fome exagerada; visão embaçada; infecções repetidas na pele ou nas mucosas; machucados que demoram a cicatrizar; cansaço inexplicável, e dores nas pernas. Ao menor indício desses sintomas, é importante visitar o médico, que poderá identificar a doença de forma correta.

O diagnóstico do diabetes pode ser feito através de exame de sangue. VERDADE

O diagnóstico de diabetes pode ser feito quando a taxa de glicose no sangue em jejum for igual ou superior a 126 mg/dl (miligramas por decilitros). Se o índice estiver entre 100 mg/dl e 125 mg/dl, há a presença de pré-diabetes. Mas é importante lembrar que apenas um médico pode apontar tal diagnóstico com precisão e que somente a realização de um único exame pode não ser conclusivo. Como é fundamental descobrir o diabetes o quanto antes e muitos sintomas demoram para ser percebidos, pessoas com as seguintes características devem fazer os exames preventivamente: ter mais de 45 anos de idade; estar acima do peso; ter tido diabetes gestacional ou ter dado à luz um bebê com mais de 4 kg; ter antecedentes familiares de diabetes, estar com altos níveis de colesterol e triglicérides, assim como apresentar hipertensão arterial (pressão alta). As gestantes também devem fazer os testes para verificar a presença de diabetes gestacional, em especial entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez.

O diabetes pode causar complicações sérias para o paciente. VERDADE

Sem tratamento adequado, o diabetes pode afetar vários órgãos, ocasionando uma série de complicações à longo prazo. A glicemia mal controlada favorece a deposição de gordura na parede das artérias, causando aterosclerose (formação de placas nos vasos sanguíneos), que dificulta o fluxo sanguíneo e pode levar ao infarto do miocárdio, ao acidente vascular cerebral (AVC), ou a obstrução de artérias dos membros inferiores. Além disso, o controle inadequado dos níveis glicêmicos a longo prazo provoca alterações microvasculares (nos vasos de pequeno calibre ou capilares) causando alterações nos rins, nos olhos (retinopatia) e também nos nervos periféricos. O diabetes tipo 2, o mais comum e que afeta cerca de 95% dos pacientes com a doença, é a principal causa de insuficiência renal crônica, cegueira em adultos e amputação de membros, além de aumentar em 2 a 4 vezes o risco de morte cardiovascular e AVC (acidente vascular cerebral).

Apenas tirar o açúcar da dieta resolve o problema do diabetes. MITO

Aproximadamente dois terços dos pacientes com diabetes não conseguem controlar a glicemia adequadamente. Além do controle da dieta e de praticar exercícios físicos com regularidade, é imprescindível a adesão correta ao tratamento. O uso de insulina depende do tipo de diabetes e do estágio de evolução da doença. Os pacientes com diabetes tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina desde o início da doença, já que o pâncreas perde a capacidade de produzir o hormônio. Muitos casos de diabetes tipo 2, no entanto, podem ser controlados apenas com dieta e medicamentos de uso oral, pois o pâncreas ainda é capaz de produzir insulina, embora o hormônio não seja utilizado adequadamente pelo organismo devido ao aumento da resistência insulínica. É importante que as pessoas com diabetes e suas famílias saibam como manter um estilo de vida saudável e estejam cientes que existem tratamentos inovadores que são eficazes e têm bom perfil de tolerabilidade para o controle da doença.

Alimentação balanceada e a prática regular de exercícios físicos são fundamentais para o controle do diabetes. VERDADE

Modificar o estilo de vida, incorporando hábitos saudáveis à rotina, é essencial para o controle do diabetes. Essa mudança inclui uma alimentação balanceada, rica em vegetais, alimentos integrais ricos em fibras, carnes magras, leite ou queijos com baixo teor de gorduras e pouco sal, além da prática de exercício físico diário, controle da pressão arterial e do colesterol, e o abandono do fumo e do álcool em excesso.

Produtos diet e light podem ser consumidos à vontade por diabéticos. MITO

Ao contrário do que se imagina, nem todos os alimentos diet são totalmente isentos de açúcar. Os produtos dietéticos são aqueles destituídos de um dos nutrientes básicos (carboidrato, gordura ou proteína) e destinados aos indivíduos que necessitam de dietas específicas. Assim, muitos produtos dietéticos podem não conter glicose, mas têm em sua composição amido (que pode ser convertido em glicose), frutose, além de gordura e sódio. Já os light são aqueles que apresentam uma redução de no mínimo 25% de um determinado nutriente – açúcar, gordura total ou saturada, sódio ou valor energético – que o produto convencional da mesma marca. Pacientes com diabetes devem verificar a composição dos alimentos nos rótulos e consumir com moderação alimentos light e diet.

O controle do nível de glicose no sangue só pode ser feito pelo médico. MITO

O paciente pode e deve verificar os níveis de glicemia em casa, diariamente. Para isso, ele precisa ter a orientação do médico para aprender quais são os sinais que indicam que o nível de glicose no sangue está acima ou abaixo do normal, lembrando que a preocupação não deve ser só com os níveis elevados, mas também com a queda brusca de glicose no sangue, isto é a hipoglicemia. Esse controle diário deve ser sempre acompanhado de exames laboratoriais periódicos. Entre os mais frequentes, estão a dosagem da glicemia de jejum e da hemoglobina glicada. As complicações crônicas causadas pelo diabetes podem ser também detectadas por meio de exames, tais como exames oftalmológicos anuais, para pesquisar a retinopatia diabética, principal causa da cegueira relacionada ao diabetes, e exames de sangue e urina para detectar as alterações dos rins. Para todos os pacientes com diabetes é importante ainda uma avaliação anual do risco de doenças cardiovascula res.

 A hipoglicemia (diminuição do nível de glicose no sangue) é um problema que os diabéticos podem enfrentar. VERDADE

A hipoglicemia pode ser um problema grave para os pacientes que estão em tratamento do diabetes. O problema ocorre quando o nível de glicose no sangue fica muito abaixo das necessidades do organismo, geralmente inferior a 60 mg/dl. Normalmente, a hipoglicemia é ocasionada pela omissão ou atraso de refeições, por exercícios físicos excessivos ou por doses elevadas de insulina e/ou alguns medicamentos para diabetes. Os principais sintomas da doença são visão turva ou dupla, confusão mental, cefaleia, sonolência, fraqueza, tontura, desmaio, batimento cardíaco acelerado e transpiração. Caso o paciente apresente algum destes sintomas, é importante relatar ao médico. O grande desafio para os médicos é fazer com que o tratamento para o diabetes controle a glicemia sem causar hipoglicemia. A boa notícia é que hoje já existem medicamentos eficazes, os chamados inibidores de DPP-4, que agem de forma glicose-dependente atuando apenas quando a glicemia est á aumentada, reduzindo o risco dos episódios de hipoglicemia e proporcionando, assim, mais qualidade de vida para o paciente.

 Se os níveis de açúcar do sangue baixarem com o tratamento, o paciente pode parar de tomar o remédio para diabetes. MITO

O diabetes é uma doença crônica que requer um tratamento contínuo e de longo prazo. A adesão à terapia é extremamente importante para o controle adequado do diabetes, visto que a manutenção do nível ideal da glicemia é fundamental para que o paciente viva melhor, sem complicações. Infelizmente, aproximadamente dois terços das pessoas com diagnóstico de diabetes não conseguem manter o controle glicêmico adequado, seja porque sentem medo da hipoglicemia, seja porque não associam o tratamento às mudanças no estilo de vida, essenciais para o controle da doença. Por esse motivo, é importante que o paciente faça exames e visite seu médico periodicamente.

Related Articles

1 thought on “Apenas tirar o açúcar da dieta não resolve o problema do diabetes”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close