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A melhor maneira de sobreviver a uma queda de elevador

elevador

Jéssica Maes para Agência São Joaquim Online

Quem nunca entrou em um elevador e não imaginou no que fazer se ele despencasse poço abaixo? O que você faria se ele começasse a cair em queda livre em direção ao chão? Apesar de ser bem improvável, essa situação não acontece só em filmes ou novelas.

Estatisticamente, elevadores são muito seguros, desde que os seus recursos de segurança funcionem corretamente e os passageiros permaneçam totalmente dentro deles. A maioria das lesões e óbitos relacionados aos elevadores acontece a trabalhadores de construção ou manutenção, seguidos por pessoas que caem no fosso ou são esmagadas pela porta do elevador ou entre os andares.

Elevadores modernos incorporam recursos de segurança para ajudar a evitar quedas fatais. Nos elevadores de tração, que se movem para cima e para baixo usando cabos de aço, roldanas e contrapesos, há um regulador que detecta a velocidade. Se o carro vai para baixo muito rapidamente, ele aciona os freios sobre os trilhos de viagem do elevador. Elevadores de tração também possuem chaves ao longo de seus poços, que detectam os carros que passam e iniciam a freagem e as paradas nos pontos apropriados da viagem, seja durante uma parada normal ou porque o carro está se movendo muito rápido. Além disso tudo, cada um dos quatro a oito cabos em um elevador de tração é forte o suficiente para manter o carro sozinho.

Já os elevadores hidráulicos, que são erguidos e abaixados através de pistões semelhantes a aqueles que mecânicos usam para levantar automóveis, geralmente não possuem os recursos de segurança de elevadores de tração (a menos que os construtores instalem freios especiais de segurança pós-venda). Embora eles não sejam suscetíveis a falhas, se o fizerem, eles são mais propensos a gerar uma catástrofe do que os elevadores de tração. No lado positivo, é impraticável construir um elevador hidráulico em prédios maiores do que seis andares, assim você só vai cair de uma altura entre 20 e 30 metros, a uma velocidade de 70 a 90 km/h. Quase nada…

O que fazer?

Então, você está em um elevador em queda. A vida te deu limões imaginários, e você tem segundos para fazer uma limonada ou se tornar uma limonada. O que fazer?

A sugestão mais popular que é ouvida por aí é que a melhor atitude é saltar para cima uma fração de segundo antes da batida, para reduzir a sua velocidade de impacto. Supondo que você mantenha a presença de espírito e tenha reações do nível de um atleta olímpico, a maior redução de velocidade que você conseguiria seria de no máximo 5 km/h. É mais provável que você bata a cabeça no teto do elevador e aterrisse mal, aumentando ainda mais seus ferimentos.

Outra sugestão diz que você deve ficar com os joelhos dobrados para absorver o impacto, como um paraquedista. Teoricamente, as pernas se flexionariam quando você e o elevador tocassem o solo, espalhando a desaceleração pelo seu corpo ao longo de um período mais longo (força de impacto é proporcional à velocidade e massa, e inversamente proporcional ao tempo e distância de paragem; mais longo o tempo gasto na parada, menor a força). A eficácia desta abordagem em altas velocidades, no entanto, ainda não está clara, e as pesquisas mostram que você provavelmente submeteria seus joelhos e pernas a um risco maior de lesão em baixas velocidades. Essa abordagem também mantém seu corpo em paralelo às linhas de força, o que aumenta a chance de quebra dos ossos.

O consenso diz que a sua melhor aposta é permanecer deitado de costas no chão e cobrir o rosto e a cabeça para se proteger dos detritos. Bater no piso térreo nesta posição espalha a força do impacto em todo o seu corpo; também orienta sua coluna e ossos longos perpendicularmente à direção da batida, o que irá melhor protegê-los de danos causados pelo esmagamento. Seus ossos mais finos, como as costelas, ainda podem se quebrar como galhos de árvore, mas são eles ou a sua coluna.

Infelizmente, essa estratégia não é perfeita. Na verdade, deitando no chão do elevador, você ainda terá que lidar com diversos problemas. Com seu corpo posicionado no chão, seus tecidos moles, incluindo o cérebro e os outros órgãos, absorvem todo o impacto. Considerando que mesmo batidas a baixa velocidade podem causar graves danos nessas partes do corpo, é fácil imaginar as consequências de uma parada brusca a mais de 80 km/h.

Não bastasse isso, há sempre a possibilidade de que, não importa o quão bem você amorteça o impacto, outras coisas atrapalhem a sua vida. Por exemplo, o carro do elevador pode ser destruído com o impacto, transformando o chão em uma área um tanto perigosa.

Betty Lou Oliver, que detém o Recorde Mundial do Guinness como a sobrevivente da mais longa queda em um elevador, escapou depois de cair 75 andares (mais de 300 metros) em um elevador do Empire State Building, em Nova York, em 1945. Se estivesse deitada no chão, ela provavelmente teria morrido. No caso de Betty, um cabo do elevador que estava desligado e enrolado no fundo do poço suavizou sua queda.

Alguns poços de elevadores possuem amortecedores almofadados projetados para suavizar o pouso de um elevador que passa do térreo, mas eles não são projetados para amenizar quedas livres.

Além destes detalhes, deitar em um elevador que está caindo não é tarefa fácil. Quando e se isso acontecer, o corpo se encontra em queda livre em relação ao carro; em outras palavras, você se sente leve e não experimenta nenhuma força puxando-o para o chão. Para deitar-se de forma plana, você teria que encontrar alguma maneira de puxar-se para baixo e, em seguida, manter-se lá.

Mesmo tendo todos esses fatores em conta, se você conseguir ficar deitado de costas, esta ainda é provavelmente a sua melhor aposta para sobreviver.

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