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Por que o aquecimento global está tirando uma folga

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Natasha Romanzoti para Agência São Joaquim Online

O aquecimento global aparentemente está fazendo uma pausa: enquanto as temperaturas globais aumentaram drasticamente no final da década de 1990, a temperatura média global aumentou apenas ligeiramente desde 1998, mesmo que modelos climáticos científicos tenham previsto aquecimento considerável devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Essa aparente contradição levou céticos a questionarem a mudança climática em si – ou, pelo menos, o potencial dos danos causados por gases de efeito estufa, bem como a validade dos modelos climáticos.

Mas esse não é o caso. Agora, um novo estudo explica o que acarretou esse “hiato do aquecimento” e revela que ele pode em grande parte ser explicado com base em conhecimentos científicos atuais.

O estudo

Reto Knutti, professor de física do clima do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), tem sistematicamente analisado todas as hipóteses atuais em um estudo publicado na última edição da revista Nature Geoscience, e chegou a dois fatores importantes igualmente responsáveis por esse hiato.

Um deles é os fenômenos climáticos El Niño e La Niña, no Oceano Pacífico. “1998 foi um ano de forte El Niño, e é por isso que [a temperatura] esteve tão quente naquele ano”, diz Knutti. Em contraste, o contrafenômeno La Niña tem deixado as temperaturas mais frias nos últimos anos do que de outro modo teriam sido.

Apesar dos modelos climáticos geralmente levarem essas flutuações em conta, é impossível prever o ano em que esses fenômenos vão surgir.

A segunda razão importante para o hiato do aquecimento global é que a irradiação solar foi mais fraca do que o previsto nos últimos anos. Isso porque as flutuações identificadas na intensidade da radiação solar são incomuns no momento: enquanto os chamados ciclos de manchas solares duraram 11 anos cada no passado, por razões desconhecidas, o último período de fraca radiação solar durou 13 anos.

Além disso, várias erupções vulcânicas, como do Eyjafjallajökull na Islândia em 2010, aumentaram a concentração de partículas em suspensão (aerossóis) na atmosfera, o que enfraqueceu ainda mais a radiação solar que chega à superfície da Terra.

Knutti e seus colegas contabilizaram a influência real do El Niño e da La Niña e aplicaram retroativamente os valores reais medidos para a atividade solar e concentração de aerossóis na atmosfera da Terra, e o modelo corrigido desta forma correspondeu muito melhor aos dados de temperatura medidos.

O pesquisador ainda afirma que a interpretação dos dados oficiais medidos também deve ser criticamente examinada. De acordo com Knutti, os dados medidos provavelmente são muito baixos, uma vez que a temperatura média global só é estimada utilizando valores obtidos de estações meteorológicas em terra, e essas estações não existem em todos os lugares do planeta.

A partir de dados de satélite, por exemplo, os cientistas sabem que a região do Ártico em particular tornou-se mais quente ao longo dos últimos anos, mas como não há estações meteorológicas nesta área, a temperatura média calculada é muito baixa.

No ano passado, pesquisadores britânicos e canadenses propuseram uma curva de temperatura alternativa com valores mais elevados, na qual eles incorporaram temperaturas estimadas a partir de dados de satélite de regiões sem estações meteorológicas.

Conclusão

Se os dados do modelo climático forem corrigidos para baixo, como sugerem os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Zurique, e os dados da medição real forem corrigidos para cima, como sugerem os pesquisadores britânicos e canadenses, então o modelo e as observações reais são muito semelhantes.

Apesar do hiato de aquecimento, Knutti está convencido de que não há razão para duvidar da atividade dos gases de efeito estufa ou dos modelos climáticos. “Flutuações climáticas de curto prazo podem ser facilmente explicadas. Elas não alteram o fato de que o clima se tornará consideravelmente mais quente a longo prazo, como resultado das emissões de gases de efeito estufa”, conclui.

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