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Cérebro infantil é um insaciável devorador de glicose

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Jéssica Maes para Agência São Joaquim Online

O cérebro de uma criança de cinco anos de idade é um monstro de energia. Segundo um novo estudo conduzido por antropólogos da Universidade Northwestern, nos EUA, ele usa o dobro de glicose (a energia que alimenta o cérebro) do que o de um adulto maduro.

O estudo ajuda a resolver o antigo mistério de por que as crianças humanas crescem tão lentamente em comparação com nossos parentes animais mais próximos. A energia canalizada para o cérebro domina o metabolismo do corpo humano no início da vida e é a provável razão pela qual os seres humanos crescem em um ritmo mais parecido com o de um réptil do que o de um mamífero durante a infância.

“Nossas descobertas sugerem que nossos corpos não podem crescer mais rápido durante os anos da infância porque uma enorme quantidade de recursos é necessária para alimentar o cérebro infantil em desenvolvimento”, explica Christopher Kuzawa, autor do estudo e professor de antropologia da Northwestern. “Como seres humanos, temos muito a aprender, e a aprendizagem requer um cérebro complexo e faminto por energia”.

O estudo é o primeiro a reunir tomografia e ressonância magnética do cérebro – que mostram medida de glicose e o volume do cérebro, respectivamente – para mostrar que a idade em que o órgão consome mais recursos também é a idade em que o crescimento do corpo é mais lento. Aos 4 anos de idade, quando este dreno da glicose no cérebro está no seu auge e o crescimento do corpo diminui ao mínimo, o cérebro queima os recursos a uma taxa equivalente a 66% do que todo o corpo utiliza em repouso.

Os resultados apoiam a hipótese recorrente na antropologia que as crianças crescem tão lentamente, e são dependentes dos adultos por tanto tempo, porque o corpo humano precisa desviar uma enorme fração de seus recursos para o cérebro durante a infância, deixando pouco a ser dedicado ao crescimento do corpo. A descoberta também ajuda a explicar algumas observações comuns que muitos pais fazem.

“Depois de uma certa idade, torna-se difícil dizer a idade de uma criança pelo seu tamanho”, diz Kuzawa. “Em vez disso você tem que ouvir a sua voz e ver o seu comportamento. Nosso estudo sugere que isto não é um acidente. O crescimento quase para nas idades em que o desenvolvimento do cérebro está acontecendo em um ritmo relâmpago, porque o cérebro está minando os recursos disponíveis”, esclarece.

Anteriormente acreditava-se que a carga de recursos do cérebro em relação ao corpo era maior no nascimento, quando o tamanho do cérebro em relação ao corpo é maior. Os pesquisadores descobriram que, na verdade, o cérebro atinge o máximo de sua utilização de glicose com 5 anos de idade. Aos 4, o cérebro consome glicose a uma taxa comparável a mais de 40% do total das despesas de energia do corpo.

“O pico de gastos de energia do cérebro em meados da infância tem a ver com o fato de que as sinapses, conexões no cérebro, estão no auge nessa idade, quando aprendemos muitas das coisas que precisamos saber”, afirma Kuzawa.

“No seu auge na infância, o cérebro queima cerca de dois terços das calorias que todo o corpo utiliza em repouso, muito mais do que outras espécies de primatas”, compara William Leonard, coautor do estudo. “Para compensar essas demandas de energia pesadas ??de nossos grandes cérebros, as crianças crescem mais lentamente e são menos ativas fisicamente durante esta faixa etária. Nossos resultados sugerem fortemente que os seres humanos evoluíram para crescer lentamente durante este tempo, a fim de liberar o combustível para a nosso ocupado cérebro infantil”.

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