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“Dieta ocidental” pode reduzir o desempenho cerebral de seus filhos

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Jéssica Maes para Agência São Joaquim Online

A maior ingestão de uma dieta ocidental por jovens de 14 anos está associada com um desempenho cognitivo baixo aos 17 anos.

Os pesquisadores descobriram que os adolescentes com um consumo elevado de comida do tipo fast food, carne vermelha e processada, refrigerantes e frituras tiveram um desempenho mais baixo em tarefas cognitivas, particularmente aquelas que envolveram tempo de reação, função psicomotora, atenção visual, aprendizado e memória.

Salgadinhos são um problema em especial: seu alto consumo foi significativamente associado com tempos de reação mais longos em tarefas de detecção.

Em contraste com os seus pares, os participantes do estudo com uma alta ingestão de frutas e vegetais tiveram melhor desempenho cognitivo, de acordo com Anett Nyaradi, a cientista que liderou a pesquisa. Segundo ela, isso pode ser devido ao aumento do conteúdo de micronutrientes, que inclui o ácido fólico dos vegetais verdes, que pesquisas anteriores ligaram ao desenvolvimento cognitivo aprimorado.

Liderado pela Universidade da Austrália Ocidental e pelo Instituto Telethon, o estudo envolveu 602 pessoas. Os participantes preencheram um questionário de frequência alimentar aos 14 anos e foram submetidos a uma bateria de tarefas cognitivas três anos depois.

A Dra. Nyaradi diz que vários fatores podem estar em jogo neste declínio das habilidades cognitivas relacionado à dieta, incluindo o nível de ácidos graxos ômega-6 em alimentos fritos e carne vermelha. As vias metabólicas funcionam melhor com uma relação equilibrada de ácidos ômega-3 e ômega-6, mas a dieta ocidental pode mudar isto a uma proporção de 1:20 ou 1:25.

A alta ingestão de carboidratos simples e gorduras saturadas está associada com alterações no funcionamento do hipocampo, uma estrutura cerebral com envolvimento central na aprendizagem e memória que aumenta o seu volume durante a adolescência.

“A adolescência representa um período crítico para o desenvolvimento cerebral. É possível que a má alimentação seja um fator de risco significativo durante este período. Nossos resultados suportam esta proposição”, explica Nyaradi.

A novidade nesse novo estudo é a análise da dieta como um todo, ao contrário de estudos anteriores, que tendiam a se concentrar em nutrientes individuais. Segundo os autores, esta abordagem holística permite maiores oportunidades para intervenções de saúde pública. “Estes resultados têm implicações importantes para as políticas de saúde futuras e programas de promoção da saúde”, sugere a pesquisadora.

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