Cultura

Livro com narrativas sobre o rádio na serra está em fase final

Josiane Ribeiro da Silva com o Toninho Goulart

A obra abordará ainda a linguagem dos avisos radiofônicos e algumas das principais reportagens na região nos últimos anos.

Os professores de Rádio Escolar da rede municipal de ensino, Josiane Ribeiro da Silva e Toninho Goulart estão na fase final do livro “A Linguagem do Aviso na Simplicidade da Informação – Breves Narrativas do Rádio na Serra Catarinense”.Trata-se de um resgate sobre a comunicação de um veículo tão tradicional e importante no dia-a-dia das pessoas. O projeto surgiu após uma aula de língua portuguesa, na Uniplac, quando foram abordados alguns termos sobre o regionalismo na região serrana.

“Sabemos que é um desafio, uma tarefa que exige muito trabalho”, disse Toninho acrescentando que a ideia não é de traduzir conceitos e convicções teóricas, mas abordar o papel desenvolvido pelo rádio na região serrana e como esse meio de comunicação pode colaborar para preencher alguns vazios sociais existentes ainda por aqui.

Para compor o material e conteúdo do livro, os autores estão percorrendo vários municípios, buscando informações e entrevistas com moradores de várias localidades. A experiência na área de rádio facilita, em tese, o desenvolvimento do livro. No caso de Toninho Goulart, a vivência por aproximadamente 27 anos na área, faz com que, ao entrevistar um morador, alguns modelos de avisos sejam elaborados na hora, deixando o interlocutor à vontade para fazer uma tradução livre de termos próprios desse tipo de comunicação. O resultado é impressionante, segundo Josiane. “Esperar na porteira; no local de costume; levar duas encomendas; seguir no ônibus do primeiro horário,são locuções exclusivas dos avisos”, acrescenta a autora.

Sobre as narrativas na região, eles estão fazendo uma peregrinação nas emissoras locais e regionais. O objetivo é entrevistar locutores, ex-locutores e pessoas que tem ou tiveram vivência direta com o rádio. Assim, cada entrevistado conta uma passagem, um causo, uma história vivida na profissão de radialista. “Temos exemplos clássicos, como a troca de palavras que distorceram completamente uma informação”, diz Josiane, ao reportar aquela tradicional manchete que Manoel Correa, o Maneca, da Rádio Clube de Lages, leu no início dos anos de 1990: ‘Collor mata milhares de frangos no oeste do estado’, quando na verdade, a palavra era calor.

Toninho e Josiane convidaram para participar da obra, a professora de história Claudia Boaventura Machado como colaboradora e os professores José Luiz Arruda, no prefácio e Ivan Cláudio Siqueira que será o organizador e ainda, Ilsen Chaves na revisão de textos. Além desses profissionais, o professor-doutor Eduardo Meditsch, da UFSC se dispôs a fazer a apresentação e orelhas do livro. O projeto tem apoio total apoio do coordenador do curso de jornalismo da Uniplac, Luiz Augusto Del Moura.

Para completar, os autores contam com textos de Duanne Oliveira e Robson Bastos de São Paulo, e outros abnegados jornalistas da área. Todo o trabalho de pré-produção está gravado e no caso de locutores, o objetivo é criar, futuramente um banco de vozes, para que estudantes de jornalismo possam saber como era o estilo radiofônico utilizado na região. O livro será ilustrado com fotos da época de cada narrativa.

Em alguns capítulos, Toninho e Josiane entram na história, já que ele fez parte do círculo, e ela, há dois anos, vem estudando e observando o trabalho de rádio na serra catarinense. A principal dificuldade deles é a inexistência de um banco de dados ou memória do rádio, com raríssimas exceções. “Temos consciência de que alguns colegas ficarão fora desta etapa, por vários motivos: uns foram embora, outros faleceram, outros sem o menor contato sequer, mas o esforço é válido”, concluíram.

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