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Infertilidade: médica esclarece mitos e verdades

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Pedro Carnachioni para Agência São Joaquim Online

Problema é cada vez mais presente na vida de casais brasileiros e envolve, entre outros fatores, hábitos, idade e planejamento familiar tardio

Planejar filhos está cada vez mais secundário para os casais modernos. Homens e mulheres adiam a maternidade por conta do emprego, por não ter um relacionamento estável e, até mesmo, pela busca do corpo perfeito. Em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7 em 2014, segundo dados do IBGE. Os índices confirmam que, além do adiamento da decisão, a taxa de fecundidade também caiu em nosso país.

Do outro lado dessa tendência está o relógio biológico, que, infelizmente, não acompanha as mudanças comportamentais e pode ser implacável. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. Por isso, a reprodução assistida é uma realidade presente, e o tema da infertilidade, apesar de bastante abordado, ainda gera muitas dúvidas na população.

A médica Karla Zacharias, especialista em reprodução assistida da Huntington Medicina Reprodutiva, explica que há ainda muitos pensamentos equivocados em relação ao assunto. “As pessoas têm ideias erradas sobre a infertilidade. Elas se surpreendem ao saber que o comportamento e a alimentação, por exemplo, podem ser fatores determinantes, enquanto medicamentos regulares e fatores psicológicos, geralmente apontados como vilões, podem não ter nenhuma relação direta com o problema”.

A especialista responde às dúvidas mais comuns e explica os mitos e verdades.

Fumar afeta a fertilidade?

VERDADE: “Afeta. Nos homens, atinge diretamente a produção dos espermatozóides e, nas mulheres, afeta a qualidade dos óvulos. Pesquisas clínicas comprovam que não só fumar, mas consumir bebidas alcoólicas em excesso, antidepressivos, anabolizantes e outras drogas pode cooperar para a infertilidade. Como incentivo a parar de fumar vale ressaltar que a produção dos espermatozoides pode se normalizar após três meses sem cigarros”.

A alimentação tem alguma relação com manter-se fértil?

VERDADE: “Tem relação. Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, pode ajudar o casal. Consumir ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução. Em contrapartida, homens que consomem grande quantidade de carne, de alimentos gordurosos e de leite apresentam menor fertilidade, por causa do alto nível de hormônios destes produtos”.

A mulher costuma ser a responsável pela infertilidade do casal?

MITO – “Não. Esse é um dos erros mais comuns. A infertilidade não escolhe sexo e atinge o casal em proporção quase igual. Em 40%, a causa é feminina, mesmo índice da causa masculina. Entre 30% a 40% dos casos de infertilidade são devido ao homem e à mulher, simultaneamente. O preconceito é realmente um problema. Geralmente o homem só procura um especialista depois da parceira, enquanto ele pode ter sido a causa durante todo o tempo”.

Por outro lado, a idade da mulher tem relação direta com a infertilidade?

VERDADE – “Correto. A mulher começa a perder fertilidade desde seu nascimento. Os melhores óvulos são os primeiros a serem perdidos e, aos 25 anos, mais de 70% deles já foram descartados pelo corpo. Aos 35 anos, a situação fica mais crítica e estima-se uma reserva de apenas 10%. Nesta idade, existe uma queda na qualidade do óvulo, que chega a ser incapacitante a partir dos 40 anos e impeditiva ao redor dos 45 anos”.

Ainda falando sobre a saúde da mulher, o uso prolongado de pílula anticoncepcional reduz as chances de engravidar?

MITO: “Não há relação e é outro equívoco bastante comum. A pílula tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Depois de suspender o seu uso por três ou quatro meses, a maioria das mulheres retoma sua capacidade normal de fertilidade. O que pode acontecer é esse tempo de recuperação ser um pouco mais longo, mas sem efeito negativo em longo prazo”.

O peso é considerado um agravante para a fertilidade?

VERDADE: “Sim e não só para as mulheres. Elas estão sujeitas a mais disfunções hormonais e ovulatórias quando estão acima do peso. Podem até engravidar, mas a obesidade é prejudicial à gravidez. Nos homens, altera o metabolismo e pode afetar os espermatozoides”.

O estresse do dia a dia pode contribuir para a infertilidade?

MITO “Outro erro bastante comum. O que pode ocorrer é que a sobrecarga emocional afete o ciclo ovulatório, embora existam mulheres que enfrentam o estresse e continuam ovulando normalmente. No caso dos homens, o estresse pode provocar falta de libido e disfunção erétil”.

Para quem pretende retardar a gravidez e teme a infertilidade, congelar óvulos é uma boa alternativa?

VERDADE: “Sem dúvidas. Há um alto índice de resultados positivos apresentados por tratamentos que usam óvulos congelados. A taxa de sucesso é de cerca de 30%. Vale destacar que o congelamento é muito indicado para casos de doenças que impeçam a paciente de engravidar imediatamente e para quem pretende ter filhos em idade bem avançada. O sêmen congelado também pode permanecer neste estado por anos e ser uma solução”.

Sobre o Grupo Huntington

Criada em 1995, a Huntington Medicina Reprodutiva é um dos maiores grupos do Brasil, com três unidades instaladas em São Paulo e uma nova unidade em Campinas. Sob a direção de Paulo Serafini e Eduardo Motta, renomados especialistas na área, o grupo é referência nacional e internacional em tratamentos para fertilidade. A Huntington possui corpo médico e técnico-científico altamente capacitado, que se destaca na prática clínica, cirúrgica e tecnológica. Os principais tratamentos utilizados atualmente são: Inseminação Artificial, Fertilização in Vitro, além de técnicas de reversão de vasectomiae de laqueadura, entre outras. Visite www.huntington.com.br

 

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