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A História da Igreja Matriz de São Joaquim


Igrejinha-SJ-2

Capelinha de madeira, escravos angolanos, colonizadores, políticos e os cerca de 150 anos de história da construção e demolição das igrejas de São Joaquim ainda revelam fatos esquecidos. Fé, descrença, trabalho braçal, intrigas e tempo, muito tempo para ver tudo pronto.

A história começou onde está hoje o Centro de Informações Turísticas de São Joaquim, era o local onde foi erguida a primeira capela da cidade, ao seu lado, um cemitério. Na capelinha não havia imagens, somente algumas pinturas e cabiam poucos católicos no interior que a frequentavam aos domingos. Foi construída pelos primeiros habitantes da localidade e os moradores das fazendas próximas que vinham a cavalo ou a pé.

Anos depois, ao lado esquerdo dela, em 1873, uma outra obra foi iniciada por Manoel Joaquim Pinto, e próximo dali a casa de escravos, bem ao centro da hoje praça Cesário Amarante. A igreja custou um conto e quinhentos mil réis e o valor foi dividido entre os fazendeiros da região.

Difícil acreditar nos dias de hoje, o que era normal para a época, mas enquanto o Padre João Pedro Lucrécio construía a pequena igreja com os escravos de Manoel Joaquim Pinto, do outro lado da praça, chefiados por Pae João – escravo e mestre de obra vindo da Angola e comprado pelo nosso fundador, construíam a própria casa onde seriam mantidos reféns. Essas casas eram feitas de estuque – estruturas de madeira e cobertas de macega.

Joaquim da Silva Mattos, que planejou as principais ruas da cidade, construiu depois por iniciativa também Joaquim Pinto, uma terceira capela,chamada igrejinha – e deixou o espaço bem em frente a praça onde hoje é a praça João Ribeiro para a construção da quarta.

Aí, em 1918, a nova igreja se erguia, a planta foi feita em Florianópolis em 1917 (livro tombo nº1 página 24). Quem iniciou a construção foi o padre João Terneiro (João Casale). O apelido vem da campanha que o padre fez entre os fazendeiros da região para arrecadar fundos para a construção da pequena igreja.

Burle Marx, o famoso paisagista que projetou jardins em Brasília e no mundo também faz parte da história de São Joaquim. Na igreja velha havia algumas pinturas, talvez feitas pelo então pintor que havia passado por São Joaquim ainda muito jovem. No arquivo da igreja, existe um livro caixa da paróquia onde estão registrados pagamentos ao então pintor. * A informação coincide com dados do Wikipédia, Burle Marx freqüentou a Escola Nacional de Belas Artes no Rio entre 1930 e 34, depois que voltou da Europa, morou e viajou pelo Brasil. Tinha 20 e poucos anos.

Essa igreja foi demolida em 1954, quando estava pronta a atual igreja.

A IGREJA ATUAL

De 1921 até 1935 nada foi encontrado na gestão do padre Ernesto Schultz (1921-1935) para a construção de um nova igreja, então, o Padre João Baptista Viecelli arregaçou as mangas e no dia nove de janeiro de 1935 quando assumiu o cargo de vigário e começou a nova Igreja Matriz.

Um conselho foi formado, arrecadaram fundos, e, com uma planta assinada pelo arquiteto Luiz Muraro, que morava em Lages nos anos 1930, deu-se início a construção da atual.

A obra teve início, mas sem previsão para sua conclusão. Os idealizadores tinham um sonho, mas sequer sabiam se iria se realizar. Padre Viecelli sonhou, rezou e lutou por longos 27 anos para ver sua obra pronta. Mas em 1957 foi para Palhoça (SC), talvez por uma decisão da igreja, talvez por desgosto. Somente na gestão do Padre Blévio Oselame, que teria auxiliado no término da construção pelo padre redentorista e missionário José Valdemar, que veio para cá com esse objetivo do Bispo Diocesano de Lages Dom Daniel Hostim, o sonho terminou.

Principal cartão postal da cidade foi construído em ‘pedra ferro’, basalto. Foi erguida com doações, dinheiro de quermesses, festas religiosas. A construção das torres foi interrompida, seriam mais altas, e nunca ficaram como no projeto original.

A planta da atual Matriz teria sido feita pelo Padre Rau, um Padre alemão que havia recentemente chegado ao Brasil. Padre João teria mostrado um em um livro italiano a igreja que desejava construir, única do gênero no Brasil. Baseado nesta planta o Padre Rau executou a planta solicitada pelo Padre Viecelli. Rau, por ser estrangeiro sem documentação regularizada, não podia assinar a planta, o que foi feito pelo arquiteto Luiz Muraro.

 continuação….

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5 thoughts on “A História da Igreja Matriz de São Joaquim”

  1. Boa Noite!

    Novamente, volto a escrever em nome da minha família (RAU) que meu Avô (Ludwig Rau – Arquiteto alemão e meu Pai (Wolfgang Rau -Projetista Sem Limite) concluíram a Igreja da Cidade de São Joaquim/SC.

    Não foram Padres.

    Especialistas nos Estilos Neo-clássico e Art D´eco.

    As obras destes estão espalhadas por toda Santa Catarina (mais de 37 igrejas, templos, mesquitas….), Colégios (desde o Colégio Catarinense na sua monumental reforma até o Instituto Estadual de Educação), residências, prédios: inúmeros em Lages, Mercados, como o de Lages, Palácios, como o do Pró-cidadão em Fpolis, Teatros: Tamoio, Marajoara, Cine Mussi (recém re-inaugurado!), Cine Teatro São José,
    Monumentos: Tratado de Tordesilhas – Laguna…. Garibaldi….
    Brasões inúmeros (como o de Garopaba)
    Igrejas matrizes: como a de Garopaba, Palhoça, Campinas……

    o Acervo de ambos é infinito!

    Nosso Pai Wolfgang Ludwig Rau sempre se dedicou a revisar e retificar os fatos marcantes da história catarinense.
    Conhecido ainda como o maior pesquisador, escritor e historiador da nossa Heroína Anita Garibaldi (nascida na Laguna, casada no Vaticano com o Unificador da Itália: Garibaldi. Conforme Ata que se encontra na basílica de São Pedro.

    Aproveitamos a oportunidade para felicitar aos Jornalistas que mantém a História de SC viva.

    Estamos à disposição para contribuir com o acerto da História.

    Forte Abraço!

    Levy Rau e Família.

  2. Eu sempre desisto de ler os artigos do SJ online. Quem escreve precisa de uma aula de gramática+redação urgente. Sempre tem pontuação incorreta. Muita informação repetida. Cheio de frases sem coerência. Vocês que escrevem para o grande público tem o dever de escrever corretamente.

  3. Faltou relatar que este sino, o maior, era para ficar em Bom Jardim. Foi trocado por um prblema de logística na época. Mas isso é uma outra história…
    Cristiano -ex-seminarista da Paróquia de São Joaquim, diocese de Lages.

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