Política

Luiz Henrique não vota em nomes impostos pela presidência para compor mesa

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Artur Hugen para Agência São Joaquim Online

Em sessão marcada por discussões ásperas, o Plenário do Senado concluiu na noite desta quarta-feira (4) a composição da Mesa Diretora para os próximos dois anos. Os senadores elegeram uma chapa única, apresentada pela presidência da Casa, preenchendo nove dos dez cargos que ainda estavam pendentes de decisão. A única exceção foi o cargo de terceiro-suplente, a ser preenchido posteriormente.

A Mesa terá representação de 7 dos 15 partidos que compõem o Senado. No entanto, não contará com integrantes do PSDB, do PSB e do DEM — respectivamente, terceiro, quarto e quinto maiores partidos da Casa. As bancadas dessas legendas se retiraram da votação em protesto contra sua ausência da chapa. A lista foi aprovada por 46 votos a 2, com 1 abstenção.
A chapa eleita foi apresentada por líderes de 9 partidos e apoiada por representantes do PP, cuja liderança não ratificou os nomes. PSDB e PSB não estavam contemplados na chapa. Os partidos entendem que, pelo critério da proporcionalidade têm direito a vagas. A lista chegou a incluir uma representante do DEM, Maria do Carmo Alves (SE), para a terceira suplência, mas seu nome foi retirado pelo partido.
O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) foi um, de quase metade dos senadores, que deixaram o plenário para não votar na imposição. Antes de sair, o senador catarinense fez um apelo à Renan Calheiros.
– Quero fazer um apelo senhor presidente, dentro da minha característica de conciliador. Me preocupa se nós levarmos as últimas consequências esse processo deliberativo sem, esgotar as possibilidades de entendimento pra que esse princípio de proporcionalidade seja estabelecido. Então eu faço um apelo para que volte atrás, sob sua liderança, liderança estabelecida pó uma eleição inequívoca que eu reconheço. Não quero saber quem votou em quem, a eleição é página virada, o que eu quero é que nós tenhamos condições de superar os problemas graves que vive a nossa Nação, por isso temos que ter a convivência mais democrática possível entre os partidos nessa Casa – disse na sessão de ontem.
Luiz Henrique insistiu, que antes de submeter qualquer nome ao plenário, que Renan convocasse os líderes, para que se encontrasse uma fórmula que permitisse o atendimento as indicações dos líderes, que não se excluísse qualquer legenda e que se contemplasse a convivência democrática. Apelo em vão.

Inconformismo da oposição

Líderes das legendas não contempladas protestaram com veemência contra sua ausência na chapa escolhida. A maioria das críticas foi direcionada ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem senadores oposicionistas acusaram de não buscar consenso entre os líderes para a composição de uma chapa que respeitasse a proporcionalidade.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mais longe e acusou Renan de “romper relações” com os partidos excluídos como retaliação pelo apoio deles ao senador Luiz Henrique (PMDB-SC) na disputa pela Presidência da Casa, para a qual Renan foi reeleito no último domingo (1º).
— O que está aqui sendo construído é uma articulação, que certamente não ocorreria sem a concordância de Vossa Excelência [Renan], para excluir da Mesa os partidos que não sufragaram o seu nome — protestou Aécio.
O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que a Mesa substituída pela nova composição “está fomentando a discórdia e o desrespeito à hegemonia partidária”. O líder do PSB, João Capiberibe (AP), classificou a eleição como “uma grande farsa”.
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) disse acreditar que seu partido “está sendo punido por provocar o debate no Senado”, uma vez que a sigla foi a responsável por impulsionar a disputa pela Presidência ao lançar a candidatura do próprio Valadares.

Futuro incerto

Os partidos que ficaram de fora da composição da Mesa prometeram intensificar a postura oposicionista como forma de reação à eleição conturbada.
— Estejam preparados, porque vocês vão experimentar o que vocês nunca viram nesta Casa: uma oposição com conteúdo, com preparo e com capacidade de fazer o bom combate – garantiu Ronaldo Caiado (DEM-GO).
O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), prometeu embates duros em todos os temas que chegarem ao Senado e mobilização popular por parte da oposição.
— O presidente escolheu presidir o Senado para apenas 49 senadores que o elegeram. Uma manobra inaceitável. A oposição será sempre a voz de defesa do povo brasileiro que vive uma crise grave. Vamos para as ruas — prometeu.
João Capiberibe (PSB-AP) analisou que será necessário para seu partido rever a posição de independência — “equidistante da oposição e do governo” — que vinha adotando no Senado.
— Agora nós sabemos que esse gesto de nos excluir da Mesa é um gesto político. Vamos ter que pedir uma reunião com a Executiva do Partido para que possamos rediscutir essa decisão da independência aqui — avaliou.

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