Congresso do futuro: democracia não pode prescindir de recursos digitais

por Hueliton Lima 63 views0

O 1º Congresso do Futuro encerrou na tarde da última sexta-feira (9) com sucesso entre os participantes e  debates sobre a democracia representativa no mundo digital. Os palestrantes concordaram que o exercício da democracia hoje não pode abrir mão dos recursos digitais.

Professor de Teoria da Comunicação na Universidade Federal da Bahia, Wilson da Silva Gomes disse que o mundo hoje é de cidadãos “hiperconectados”, pois a internet migrou do computador para outros objetos, como celular e TV, criando a internet das coisas. Assim, é inevitável pensar em uma democracia intimamente ligada aos recursos tecnológicos.

– O uso de tecnologias digitais tem a função de formar governos e legislativos mais eficazes e eficientes – afirmou.

Na visão do professor, a entrega de serviços públicos digitais, a transparência por meio de prestação de contas nos sites oficiais, e os dados oficiais abertos já são exemplos da transformação da tecnologia nas instituições oficiais. Pelo lado do indivíduo, o professor registra como exemplos a capacidade de mais interação entre cidadãos e eleitos, as reivindicações de minorias, as denúncias de violação de direitos e a apresentação de demandas coletivas.

– Isso tudo é visto como uma onda de renovação do que sustenta as democracias liberais, melhorando os modelos de democracia – declarou o professor.

Para a professora Rousiley Maia, da Universidade Federal de Minas Gerais, o uso de recursos digitais pode garantir voz a grupos oprimidos. Ela apresentou um projeto, de sua autoria, que prevê a capacitação de 500 jovens que terão a responsabilidade de usar a tecnologia para apresentar às autoridades as demandas de suas comunidades.

e-Cidadania

Na visão do professor e pesquisador Sérgio Soares Braga, da Universidade Federal do Paraná, os parlamentos devem ser pontos de segurança contra qualquer ideia de imposição ou de limites às liberdades do cidadão. Daí a importância de iniciativas de participação popular, como o portal e-Cidadania, do Senado – portal em que é possível o cidadão opinar e até apresentar sugestões que podem virar projeto de lei.

– Essas iniciativas dinamizam os órgãos parlamentares e incentivam a participaram democrática do povo – declarou Braga.

O senador Wellington Fagundes (PR-MT), que presidiu a mesa de debates, agradeceu a participação dos palestrantes e registrou que o Senado tem trabalhado para democratizar a participação legislativa. Nesse sentido, disse o senador, o portal e-Cidadania tem-se mostrado “um importante instrumento” para viabilizar a participação popular.

Vídeo

O diretor de Recursos Digitais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Otávio Caixeta, apresentou um vídeo com uma mensagem do cientista Vinton Cerf. Inventor do protocolo IP, que estrutura a comunicação na rede mundial de computadores, Cerf é considerado um dos pais da internet. No vídeo, Cerf saudou os participantes do congresso e disse que uma das maiores invenções da história da humanidade é a linguagem. Ele destacou que atualmente há inúmeras formas de comunicação, mas alertou sobre a quantidade de informações inverídicas que circulam na rede.

Livro

O Congresso do Futuro começou na quinta-feira (8) e terminou nesta sexta (9). Representantes do meio acadêmico e do setor empresarial debateram, com senadores e participantes, temas como desenvolvimento sustentável, alimentação no futuro, educação e inovação e democracia representativa no mundo digital. No encerramento do evento, foram apresentadas experiências de sucesso envolvendo o uso de recursos digitais por representantes das empresas Embraer e Microsoft e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

O congresso é uma promoção da Comissão Senado do Futuro, que tem o senador Wellington Fagundes como presidente e o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) como vice. Durante o seminário, Cristovam lançou o livro Nos Olhos dos Meninos, a catástrofe de Tchernobyl – Imaginário e construção de uma tragédia. A obra é uma parceria do senador com os autores Alfredo Pena-Vega, Michel Grappe, e Elimar Pinheiro do Nascimento. (Artt Brand, com informações da Agência Senado)

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