Salto de São Joaquim – Vinho muda a realidade econômica da Cidade da Neve

por São Joaquim Online 0

Acari Amorin
Acari Amorin – Empreendedor do ramo do vinho em São Joaquim

A cidade de São Joaquim, na serra catarinense, já pode ser medida antes e depois do vinho de altitude. Em 2006, quando chegaram ao mercado as primeiras garrafas, o movimento econômico da cidade (tudo que era produzido aqui) era de R$ 170 milhões. Apenas dez anos depois, em 2016, esse valor ultrapassou R$ 608 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda e Federação Catarinense dos Municípios (Fecam).

“Isso é resultado de uma cadeia produtiva que começa com a produção de uvas e vinhos, mas que se fortalece mesmo com o turismo como um todo na cidade”, afirma Acari Amorim, pioneiro no plantio e ex-presidente da Vinho de Altitude Produtores Associados (nos últimos três anos) e líder das vinícolas na recém-criada Associação Comercial de São Joaquim. “O vinho potencializou o turismo como um todo na cidade, durante todo o ano, não mais apenas no inverno, com a chegada da neve”.

Os números levantados apontam uma realidade que ocorria em 2006 e pouca conhecida até hoje: São Joaquim há 10 anos perdia em movimento econômico para Otacílio Costa (R$ 270 milhões) e Correia Pinto (R$ 218 milhões). No final de 2016, São Joaquim aparece na frente desses dois municípios: Otacílio Costa alcançou R$ 549 milhões e Correia Pinto R$ 415 milhões, mesmo com o crescimento desses dois municípios.

 

CRESCIMENTO ALTO

Entre os 18 municípios da serra catarinense, São Joaquim agora só perde para Lages, que alcançou no final do ano passado um valor econômico de R$ 3,9 bilhões. Mais do que apenas o crescimento, São Joaquim  se destaca pelo  índice médio de 20% de incremento a cada um dos últimos três anos – R$ 408 milhões, R$ 511 milhões e R$ 608 milhões – percentual alto em um cenário de desaceleração da economia nacional.

Villagio Bassetti - São Joaquim (4)Segundo Acari, das 15 vinícolas instaladas em São Joaquim, cinco têm receptivo turístico, recebendo pessoas de diferentes partes do país, praticamente o ano todo. Cita ainda um estudo do Sebrae nacional que aponta que o vinho movimenta 45  negócios diferentes. “O vinho vem ativando o movimento de restaurantes, cafés, pousadas, hotéis e dos diferentes segmentos do comércio local”, diz. “Um bom exemplo disso é o Restaurante Pequeno Bosque, um dos melhores da cidade e de todo o Estado: em muitos dias, o valor da venda dos rótulos de altitude supera o valor das refeições servidas”. Outro exemplo é a Casa do Vinho, que até 2006 só vendia cerveja. Hoje 100% da receita da casa, comandada pelo “comendador Vilson”, figura emblemática da cidade, vêm dos vinhos da altitude catarinense.

Neste cenário, a Vindima de Altitude, festa criada em 2014, na primeira gestão de Amorim na presidência da Vinho de Altitude, para celebrar a colheita das uvas, é um catalisador do enoturismo. A cada ano cresce o número de visitantes que prestigia o circuito cultural gratuito e itinerante, sempre com grandes atrações – já houve apresentação do Balé Bolshoi do Brasil, de trio de tenores,grandes intérpretes da musica clássica e, neste ano, a abertura foi com a Camerata de Florianópolis. Nesta quarta edição, que acontece entre 3 e 26 de março, são esperadas cerca de 55 mil pessoas.

Além das uvas de altitude, outra produção agroindustrial forte em São Joaquim é a da maçã, que isoladamente tem o peso mais significativo no valor econômico da cidade, mas também se integra a cadeia do turismo: está na paisagem característica da cidade, na gastronomia (fruta, sucos, geléias e doces) e no comércio local.  Por isso, Acari defende uma festa anual da maçã, a exemplo da Vindima de Altitude. “São eventos para atrair turistas de todo o país para a cidade. Em março do ano passado, a rede hoteleira da Serra registrou a maior ocupação no período, por causa da Vindima”.

 

NOVOS PÓLOS

Amorim defende ainda uma maior agregação de valor especialmente para as uvas e para as maçãs da região e aposta num polo de produtos de beleza a partir do extrato dessas frutas. “A nossa maçã é a melhor do Brasil e certamente está entre as melhores do mundo. Nossos vinhos seguem por esse caminho. Então, temos que ligar a qualidade da maçã e dos vinhos com a cidade, criar novos produtos,  para fortalecer todo o turismo local”.  E considera da máxima importância a criação na cidade de um centro de tecnologia e inovação com foco na uva/vinho, maçã, mel, queijo, carne de frescal  e no turismo em geral. “Temos que erguer  um barracão “digital”. Com isso, a cidade teria uma estrutura para propiciar o surgimento de novas empresas, gerar novos empregos e assegurar um maior desenvolvimento econômico e social, de forma duradoura e sustentável”.

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