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Brasil e EUA discutem práticas sobre áreas protegidas do Parque Nacional de São Joaquim

Encontro que reuniu gestores e especialistas em Brasília tratou de temas como participação social, uso público, visitação e voluntariado.

Paisagens exuberantes, florestas densas e alguns dos animais mais impressionantes do mundo e um grande desafio em administrar vastas áreas protegidas. Apesar das grandes diferenças, Brasil e Estados Unidos possuem algumas similaridades e podem aprender um com o outro em diversas áreas.

Especialistas e gestores de áreas protegidas se reuniram em Brasília, nos dias 05 e 06 de dezembro, para debater os resultados e dividir experiências no III Encontro Anual do Programa Parceria para a Conservação da Biodiversidade na Amazônia. Durante os dois dias, foram abordados temas como manejo e prevenção do fogo; desafios de produção e comercialização nas reservas extrativistas, cadeia de valor dos produtos amazônicos (como pirarucu, castanha e madeira), planos de manejo, voluntariado, participação social no planejamento e gestão das unidades de conservação e uso público foram alguns dos assuntos abordados.

O ICMBio apresentou resultados da parceria com os americanos, como por exemplo, na elaboração de planos de manejo de unidades de conservação. O Parque Nacional de São Joaquim, o Parque Nacional do Iguaçu, Área de Proteção Ambiental de Cairuçu e a Reserva Extrativista Marinha de Soure foram alguns dos beneficiados. Junto com o Serviço Florestal americano, os brasileiros conseguiram adaptar métodos mais eficientes e rápidos na construção dos planos de manejo, permitindo que o processo não fosse interrompido. Foram oferecidos, ainda, treinamentos de facilitação com analistas do ICMBio.

Parque Nacional de São Joaquim – Foto Marcelo Sabiá

Já o Voluntariado é um assunto que vem ganhado cada vez mais destaque no ICMBio. Por meio da parceria, gestoras da Divisão de Gestão Participativa e Educação Ambiental (DGPEA), setor responsável pelo voluntariado, participaram de visita técnica ao Colorado e puderam observar de perto a aplicabilidade do voluntariado americano. “A gente viu que precisa de múltiplos arranjos como ocorre nos Estados Unidos: doações da sociedade civil e de entidades políticas, associações, ONGs, clubes, fundações específicas”, conta a chefe da DGPEA, Camilla Silva. Assim como no Brasil, as parcerias são essenciais para o prosseguimento do voluntariado nos Estados Unidos e as experiências podem auxiliar os brasileiros a identificar e aproveitar o potencial máximo que as parcerias trazem ao ICMBio.

O Programa é apoiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e possui o Serviço Florestal dos Estados Unidos como parceiro técnico juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ao Fundação Nacional do Índio (Funai), além de comunidades amazônicas e universidades americanas e brasileiras.

Intercâmbio ambiental

Outro resultado foi o fomento da participação brasileira em cursos, seminários, visitas técnicas e reuniões nos Estados Unidos. “A experiência me fez entender o nosso papel e a relevância do nosso trabalho em comparação a outros países, me fez perceber as semelhanças e diferenças nos desafios de conservação e manejo em áreas protegidas”, relata o analista do ICMBio, Luiz Felipe Morais. Assim como Morais, outros servidores da área ambiental do ICMBio e também do Governo Estadual do Amazonas trouxeram na mala experiências, impressões e ideias que podem dar certo no Brasil.

“O que mais me chamou a atenção foi a utilização das parcerias, algo que muitas vezes temos um pouco de receio em acionar no Amazonas, mas que podem ser bem úteis nas áreas protegidas. Aprendemos diversas formas de parcerias, como as pequenas concessões, que podem funcionar nas UCs sob nossa responsabilidade”, completa Carolina Yoshida, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amazonas, estado que possui 41 UCs. Ela participou de Seminário sobre Uso Público promovido pela Universidade do Colorado e que reuniu gestores de mais de 20 países.

“Estamos num processo contínuo de amadurecimento e essas reuniões nos ajudaram a compreender melhor como funciona uma organização com mais de um século de idade”, declarou o coordenador de Produção e Uso Sustentável, João da Mata. Ele participou de reuniões com o Serviço Florestal Americano e pôde conhecer um pouco mais da organização dos americanos.

O Brasil também fez suas contribuições com os americanos. Chris Church, do Serviço Florestal Americano, pontuou algumas considerações que experenciou enquanto esteve no Brasil e o que pode levar de lição para casa. “Os workshops possibilitaram a ampla participação da comunidade em todas as etapas do processo, o que é muito diferente do que ocorre nos Estados Unidos”, observou Church. “A utilização das equipes ampliadas também foi algo que nos chamou muita atenção, pois tanto Brasil quanto Estados Unidos têm o desafio de administrar grandes áreas protegidas dificultando a ampliação das iniciativas de planejamento, esta é uma abordagem que temos interesse em levar para os Estados Unidos”, finaliza Church.

Por Ramilla Rodrigues Comunicação ICMBio

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