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Quem foi o Monsenhor Blévio Oselame – O prezado sarcerdote dos católicos joaquinenses

Por Silvio Silveira Filho

Padre Blévio Oselame filho de José Oselame Thereza Crestani Oselame nasceu no dia 11 de fevereiro de 1926 no distrito de Cocai do Sul – Município de Urassanga – SC., de destacada família de 08 filhos.

Blévio frequentou o Grupo Escolar de Cocal e formou–se no complementar que na época equivalia o grau de Professor, mais tarde, em 1940 mudou-se com a família para a localidade de Consolação e depois para Rio Rufino – Urubici. Vocacionado para o sacerdócio, em 1941 ingressou no Seminário Diocesano de Caxias do Sul – RS. cursando o colegial e científico.

Em 1947, ingressou na faculdade de Filosofia e Teologia em São Leopoldo – Seminário Central doa Padres Jesuítas. Mais tarde, depois de podre bacharelou-se na Faculdade ljuí – RS., com cadeira registrada no MEC na Secretaria de Educação em Florianópolis, nas disciplinas de Filosofia, Sociologia, Historia Universal e literatura Portuguesa.

No dia 08 de Dezembro de 1954, foi ordenado sacerdote na Catedral de Lages por Dom Daniel Hostin, isso tudo antes de um ano antes de concluir o Curso de Teologia. Antes de ser nomeado pároco para São Joaquim, exerceu o ministério nas paróquias de Piratuba, Esteves Junior e Piritiba, no meio oeste catarinense.

Foi nomeado Pároco de São Joaquim no dia 1° de janeiro de 1957 onde passou a se dedicar a um trabalho de reunir a todos na Santa Fé de Jesus Cristo, sendo bem aceito pele comunidade Joaquinense e num convívio ao lado da comunidade atuou com iniciativas de incentivos ao crescimento religioso, educacional e econômico da Paróquia e Município.

Logo de início, padre Blévio teve participação de apoio na construção da Escola Técnica de Comércio, antigo Colégio Cenecista onde foi também professor voluntário ao lado das demais autoridades e professor que lecionava no município, basta dizer que lecionou também em varias escola do interior.

Como promotor religioso e administrador econômico da Paróquia, concluiu as obras da atual Igreja Matriz, pagando na época um alto valor, construiu a atual Casa Paroquial que na época (1° de janeiro de 1959) era tida como a construção mais moderna de São Joaquim, água encanada e sanitários em seu interior, foi apelidada de Palácio da Alvorada, por coincidir com a construção de Brasília.

Foi Inspetor Escolar por quatro anos, por nomeação do Sr. Govenador Celso Ramos, abrangendo a região de São Joaquim, Bom Jardim e Urupema, pois faziam parte de nosso município. Diante dessa nova realidade, Blévio percebeu a carência de maior espaço físico para escolas, tanto da cidade como no interior, daí veio à construção relâmpago do Colégio Paroquial “São José”, com capacidade para mais de 360 (trezentos e sessenta) alunos como Escola particular, onde também foi professor e que depois de todo construído abrigou mais de 1.200 estudantes estadualizados.

Também construiu a residência das Irmãs que eram diretoras e professoras do referido Colégio, abrigando as Irmãs Franciscanas vieram a São Joaquim a seu pedido. Pe. Blévio, foi um dos Sócios fundadores da Rádio Difusora São Joaquim Ltda. onde foi produtor e apresentador do programa “A Voz do Vigário” desde 1957, transmitia o programa por meio de Cornetas ou alto-falantes instalados na torre da Matriz, mesmo antes de a Rádio Difusora ser fundada, o que aconteceu somente em maio de 1963.

Em seguida construiu o edifício chamado Conjunto do Salão Paroquial “Frei Rogério”. Outra grande obra foi a construção da Casa de Formação, que servia para cunho religioso e Social, mas hoje abriga um Colégio Particular. Não citando todas suas realizações materiais e religiosas nas comunidades do interior do Município e Paróquia, que seria um vasto leque, com mais de 18 capelas e mais 04 capitéis, Santo Antão, Menina Custódia, São Cristovão e Nosso Senhor dos Passos ou Santa Cruz.

Poderia ser considerado um padre engenheiro que alias foi seu ponto forte, não falando em político por tradição familiar, sempre cogitado para cargos públicos, mas que nunca aceitou é claro. Todas as suas obras foram realizadas com recursos provenientes da amizade popular, com doações em festas nas Comunidades, sendo sempre líder em tudo. É cidadão Joaquinense desde 1963, quando era Prefeito o Sr. Ismael Nunes.

É sócio honorário de vários clubes de Serviço Joaquinense, sempre esteve lado a lado com todos os movimentos e eventos socioeconômicos, políticos, culturais, recreativos, desportivos, beneficentes e principalmente religiosos, razão primeira de estar entre eles a 62 anos, cujas placas de benemerência ou Méritos a ele Outorgados se perfilado não caberiam em uma só parede de seus aposentos, outros adornam a sacristia do Sacrário, na direita da nossa Matriz, mérito consagrado em pedra ferro, obra oferecida pela Colônia Japonesa na passagem de 30 anos em solo Joaquinense e 50 anos de sacerdócio de Blévio Oselame, a obra foi esculpida e colocada na Praça João Ribeiro ou Praça da Matriz. Blévio Oselame talvez tenha sido o primeiro Padre a permanecer em uma única paróquia por tanto tempo, foram 62 anos em São Joaquim – SC.

Ordenado Padre aos 28 anos em 1954, mesmo antes de concluir o curso de Teologia e somente depois veio para São Joaquim, onde almeja ser sepultado ao lado do mausoléu onde repousam os restos mortais do saudoso Amigo Monsenhor Otávio de Lorenzi e Padre João Batista Viecille na Capela Senhor dos Passos. Durante sua estada em São Joaquim, muitas vezes foi incompreendido, o sangue ítalo-brasileiro sempre aflorou em suas veias, em suas homilias, na pregação e nos ensinamentos da igreja, por muitas vezes austero ou para outros, até severo.

Visionário e com vocações impares sempre procurou fazer obras para a posteridade, conseguiu a simpatia popular e assim construía grandes obras materiais, mas para Monsenhor Blévio sua maior obra, foi conseguir reunir os fiéis ou arrebanhar os filhos de Deus pois logo na sua chegada, chegou a distribuir mais de 12 mil hóstias e em certos momentos de sua vida quando visitava as capelas do interior, ia até altas horas da madrugada confessando e orientando os fiéis.

Muitos fatos são relevantes e marcantes na trajetória da vida do Monsenhor Blévio, para uns, uma pessoas de um intelecto extraordinário, para outros um Padre que se exalta com facilidade, uns o entendem perfeitamente, outros não fizeram e não tiveram interesse algum em saber de sua vida e suas ações, pensam ter ele um turrão que falava apenas aquilo que lhe convinha e também ouvia apenas aquilo que queria, outros acham o oposto, certas inverdades permeiam em pequenos grupos de pessoas, mas ninguém é perfeito e disso todos sabemos, qualidades ele sempre as teve, assim como os defeitos que nós também temos.

Falar da vida de uma pessoa pública, não é algo fácil, seria fácil se apontássemos apenas os erros, erro estes que qualquer um está habituado a ver em qualquer pessoa independentemente se é religioso ou não, mas neste caso específico, muitos achavam muito mais fácil ignorá-lo que entendê-lo, é muito mais confortável ver e assimilar os erros dos outros que os da gente em si.

Algumas passagens do Monsenhor, somente estão sendo apresentadas a vocês por alguma razão e Monsenhor Blévio no auge dos seus 92 anos sempre foi de uma lucidez que espanta, nem os 64 anos no exercício do sacerdócio, deixou algo ou alguém sem resposta, diante de seus erros volta atrás e pede desculpas e ainda falavam que tinha ultrapassado os limites. Sempre foi um homem sábio, pois soube ser humilde e até submisso, por isso afirmamos que havia muito que se conhecer do Monsenhor…

Pois aqueles que o conheceram no âmago, sabiam que sua grandiosidade, não estava apenas na estatura, mas no intelecto e no coração, ele foi um ser humano que se preocupou com tudo o que fazia parte do cotidiano, dos fiéis e da família Joaquinense, singularizando, apenas para não falar de um ou outro, e certamente esquecer-se dos muitos que fizeram parte de seu rol de amigos que poderiam ser enumerados ou não. Quem vê cara não vê coração, um dito popular, no caso mais que perfeito para o Monsenhor, pois poucos sabem de suas noites insones, de suas preocupações, devaneios, momentos de orações e suas lágrimas, que por certo hoje inevitáveis.

Num gesto de carinho, respeito e amizade do Dr. Henrique Córdova com o amigo Blévio, pôs a prova o desafio de escreverem uma história do amigo Monsenhor, assim foi feito embora com poucos detalhes diante de tantos, mas foi assim que uma grande maioria pode saber mais sobre a vida do Homem popular, do Padre e do Monsenhor, portanto por certo, não poderão esquecer desta iniciativa memorável, pois sem ela por certo a vida do Monsenhor seria apenas alguns fatos isolados do cotidiano e lembrariam apenas de sua teimosia ou de algumas homilias.

Muitas homenagens já foram feitas em outras oportunidades, mas oportunidades sempre existem, homenagens sempre devem ser prestadas pelos Méritos que dia após dia vão se alicerçando na longa caminhada terrena. Monsenhor Blévio foi homenageados e muitos momentos justamente por distinguirmos entre as pessoas que fizeram parte da nossa história, porque não dizer, de pessoas como ele, que honraram a sociedade e souberam dirimir vários assuntos, não importando em qual esfera se encontrassem, por isso esta homenagens devem sempre ser prestadas, e hoje não seria diferente, seu corpo ganhou a terra que amou e sua alma tomara o rumo das estrelas e fara parte da luz, pois aqui indicou o caminho para muitos que viviam na escuridão, mostrou com maestria o porto seguro aos náufragos do desespero, enxugou lágrimas, e também as fez rolar, suas homilias eram fortes sim, e insistia com veemência desmedida aos que ele recorriam a seguirem por caminhos menos tortuosos.

Foi o Bom Pastor, arrebanhou como ninguém as ovelhas desgarradas do rebanho, foi o conselheiro, foi o pai de muitos, não por usar apalavra filho ao se referir a alguém que o encontrava, foi o mentor espiritual que sem dúvidas mais acolheu, mais entendeu, nos seus programas no Rádio repassava seus conhecimentos, era um intelectual e não se dava por satisfeito, sempre estava em busca de novos conhecimentos e assim foram seus dias…

Assim foi o Homem, ítalo-brasileiro, uma figura com inúmeros atributos, com sua maneira cativa e peculiar de ser, um Padre de qualidades e defeitos, um senhor apaixonado pela política e visionário, um sonhador com realizações nunca vistas em alguma paróquia, uma figura marcante e profética, um senhor que no silencio das noites insones chorava suas mágoas pelos desafetos com Coronéis e companheiros de batina, um devoto de Maria que rezava por cada paroquiano que lhe solicitava inclusão nas orações, um coração nobre que ajudou as pessoas, sem divulgar o seu nome, sempre no anonimato, assim ele preferia, uma pessoa capaz de chorar e sentir a mesma dor…

Assim foi o homem, assim viveu até aqui seus 92 anos, dos quais, 64 anos arrebanhado as ovelhas perdidas, o Monsenhor pastor… O Silencio de Nini Rosso, foi uma marca registrada, pois é o prefixo da Vóz do Vigário, há 61 anos, e quando certamente o prefixo não for mais usado ou por força do destino, O Mons. Blévio não estiver mais fisicamente entre nós e o Hino da Voz do Vigário for ouvido, certamente muitos irão despercebidamente deixar rolar uma lágrima furtiva em seus rostos…

 

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One Comment

  1. São Joaquim e a serra catarinense perdem um ícone, uma referência, como foi o Padre Blévio.
    Um visionário, uma pessoa que muito trabalhou por nossa terra. Padre Blévio deixa uma saudade inimaginável a todos que o conheceram.
    Foi uma pessoa polêmica sim, mas seu coração tinha lugar até para os que o tinham como inimigo.
    Na sua concepção sempre estava certo, mas qdo percebia seu erro, humildemente pedia desculpas.
    Que Deus o guarde ao seu lado, que Nossa Senhora o cubra com seu manto sagrado, pois na sua carreira sacerdotal sempre recorreu a Ela.
    Descanse em Paz meu AMIGO.

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