Consumo de Maçã

O mercado mundial de maçã está bem organizado e com tendências já definidas donde os governos regionais se acomodam para transitar nesses caminhos assegurando um futuro tranqüilo e oneroso a exceção é Brasil e Argentina que não conseguem enxergar esses horizontes. Com respeito ao país vezinho sofre as conseqüências de longos anos de governos incompetentes que transformaram uma fruticultura exemplar numa atividade falida e sem futuro. Brasil cursa em trajetos da ingenuidade guiado por um mercado tecnológico e químico dominante, conseguindo construir grandes “elefantes brancos tecnológicos”, se convertendo em grande consumista de defensivos agravado por absurdas cargas tributaria que fazem um cenário produtivo de altos custos. As conseqüências estão à vista se comparamos nossa conjuntura com a realidade mundial.

A maçã é a segunda fruta mais consumida no mundo; só atrás da banana e nos produtos agrários esta 20° – Cana de açúcar, arroz, milho e trigo ocupam os primeiros lugares -. Se bem o consumo desta fruta em Europa está caindo em torno de 2% cada ano não é preocupante porque é um só numero estatístico já que as empresas produtoras estão investindo pesado nos países da Europa oriental aproveitando saborosos subsídios.

Os dados de consumo de maçã se dividem em dois grandes grupos; os países produtores que tem uma média de 10 quilos/per capita anual e países não produtores. No ultimo grupo cabe destacar que os países da África Ocidental que só no ano 2013 seu consumo aumentou 175% (fonte da CAFI-argentina) comparando com a África norte e oriental em 80%.  Poderia deduzisse que a procura mundial desta fruta aumenta mais que a produção. Brasil tem um consumo de 6,5 quilos per capita/ano, mais se desconsideramos o que é direcionado diretamente a indústria, vemos que o brasileiro não consume mais de 4,5 quilo. Pouco visto, principalmente, desde o ponto de vista alimentar. Portanto não devemos fechar os olhos a tamanha potencial que tem nossa fruticultura.

Cultura da Maçã – Castelo de Naipes

Mais que cultura diria que é uma arte cujo o produtor coloca toda sua experiência, sabedoria e amor pela mesma e que acompanhado pela técnica, se tem o mesmo entusiasmo, criam uma energia positiva que alcança a níveis altos de rica satisfação.
Sempre caminhando pelo amor ao próprio e respeitando a mãe natureza, esses indivíduos que geram o sustento do povo, se convertem em seres invejáveis e imprescindíveis dentro de uma comunidade.
Eles, os produtores, são a raiz de qualquer cadeia alimentar pero mais precisamente o produtor de maçã que mediante sua destreza supera qualquer desafio de mecanização, automação ou qualquer iniciativa oportunista que possa aparecer.
Podem criar maquinas e produtos químicos que nada pode supera-lo. Pode substitui-lo, como estamos vendo nestas épocas mais às vezes pagando um preço muito caro que é a baixa produtividade e qualidade da nossa maçã.
Só o produtor pode atingir altos níveis de satisfação (castelo de naipes). Mais quanto mais imponente seja sua construção mais frágil fica. Qualquer pode derruba-lo. Fácil de derrubar.
Como a maioria dos artistas, o produtor de maçã merece reconhecimento social e governamental

História da Cydia (carpocapsa pomonella)

 

Era época dos anos 70 em Valle de Rio Negro e Neuquén quando se estudou o ciclo biológico desta praga e mediante o uso de armadilhas de feromônio se podia monitorar períodos de eclosão de ovos e desenvolvimento das larvas desta espécie. Em poucos anos se conseguiu diminuir de oito ou dez para apenas duas pulverizações e paralelamente se controlava também a grafolita, bicho de cesto e outros lepidópteros. Parecia um sucesso total da pesquisa até que apareceu aquele produto magico de baixo custo e com um bom suporte comercial (propaganda). Houve na época uns agrônomos que alertou que dito produto (piretroide) eliminava também aos inimigos naturais da espécie mais como eles não tinham o amparo de multinacionais ficaram como meros charlatães, ou inúteis teóricos ou vulgarmente chamados de “ratos de laboratórios”. Hoje é impossível reverter o caos gerado desde aqueles tempos. As pragas estão incontroláveis fazendo da fruticultura uma atividade pouco rentável.

Esta novela pode nos levar a reflexão e comparar o que temos hoje em nossas mãos.

 

Hoje temos produtos para forçar a brotação, para alongar a fruta, para segurar na planta, para amadurecer antecipadamente, para retardar a colheita, etc etc; depois vemos que nossos pomares tem queda de produção, que seu comportamento em frio é deficiente, que cada ano fica mais sensível á distúrbios fisiológicos e a doenças fitopatológicas. O primeiro que nos dizem que o clima está mudando e as plantas não se adaptam. ABSURDO!!! E assim os custos aumentando, a produção em decadência e o trabalhador rural cada vez mais pobre. A produção orgânica sem apoio técnico e sem pesquisa. Os ambientalistas continuam falando ao vento. A resposta a tudo isto está nas plantas que nos sentenciam mostrando a nossa incompetência e nossa ignorância.

Continuamos preocupados pela produção de maçã da China

Esse país asiático, que tira o sono de muitos empresários da fruta, colheram, nesta safra, um total de 43,5 milhões de toneladas com 70% da variedade Fuji. Calcula-se um 2% a mais da campanha anterior. O que mais preocupa é sua gestão em aumentar a exportação desta fruta. Calculam que atingiram uma exportação de 1,5 milhões de toneladas abastecendo aos países asiáticos e Rússia; este último era o principal cliente dos exportadores argentinos e perderam pelo preço e qualidade. Eles esperam um aumento de 750.000 toneladas por ano.

No Brasil, estamos construindo castelos nas nuvens; festejando uma quebra da produção nacional para atingir preços absurdos e deixando em consequência um país desabastecido. Não pensamos que o governo  na possibilidade de colocar algum produto na China para melhorar a balança comercial poda abrir uma janela para a entrada desta fruta; poderia acabar com toda essa felicidade e transforma-a em um caos para os produtores que seria os primeiros em sofrer as consequências.

 

Dados da fonte de fresh-market.pl/freshpraza.es

Consumir maçã no pomar

Comer maçã no momento da colheita pode ser um habito para alguns, atrativo para outros, até românticos para forasteiros, mas temos que ter conhecimentos de alguns conceitos.

Em muitos países está proibida a comercialização da fruta sem ser beneficiada. Não é simplesmente uma medida de controle fiscal ou estadístico, existe, atrás disso tudo, uma preocupação médica.

Para esclarecer: no processo de maturação da fruta se pode traduzir em que o amido (longas correntes de carboidratos) se vai contando e convertendo em polissacarídeos complexos; simplesmente o amido se transforma em açúcares. Ao falar de açúcares, estamos sendo muito genéricos porque existem muitos componentes que se enquadram dentro deste titulo. Estão os açúcares benéficos (sacarose, frutose, etc.) e outros que compõem o grupo dos adstringentes. Sem entrar em detalhes químicos, sabe-se que, se a maçã passa pela frigorificação, aumenta a porcentagem de açúcares benéficos e em contrapartida diminui os adstringentes.

Resumindo, ao comer uma maçã diretamente da planta não é recomendável porque podemos estar consumindo um produto com alta adstringência e gerar alguns problemas clínicos. Também temos que acrescentar que juntamente com a produção de açúcares benéficos se está produzindo componentes com pectinas, muito importante para nosso organismo e são elas que fazem que a maçã seja a fruta mais saudável comparado com outras frutas.

A maçã faz muito bem a nossa saúde, mas que não consumamos  ela diretamente da planta.

Pomar de alta produtividade é sinônimo de pomar familiar tecnicamente organizado

Diferente de outras culturas, a fruticultura é uma atividade praticamente artesanal que espelha a dedicação do produtor com essa atividade. Toda infra-instrutura mecânica ou química só complementa o cotidiano do trabalhador. Pode ter o melhor trator, pulverizadora ou colheitadeira que pouco irá contribuir se não contar com uma mão de obra capacitada e dedicada, como também a orientação de técnicos especializados na produção. Se tomarmos como parâmetro pomares com produção acima de 50 toneladas/hectare, encontraremos dentro desse grupo a chamada “agricultura familiar” cujo protagonistas tem uma preocupação e conhecimento suficiente para fazer produzir.

Geralmente respeita a natureza da planta e recebe como recompensa uma satisfatória produção. Parece simples; é só fazer todas as atividades certas e no momento certo. Em contrapartida, temos o exemplo de grandes empreendimentos no qual o trabalhador é um mero empregado contratado, muitas vezes, temporariamente; onde o uso de hormônios e/ou produtos químicos tentam suprir essa deficiência e em consequência não conseguem atingir a qualidade e produtividade de uma empresa familiar. Não existe mão de obra especializada que atenda todo o setor nem, também, existe a intenção de forma-la lamentavelmente; principalmente pelo baixo salário que se paga. Esse pessoal experimento se desloca à atividades nas cidades onde consegue melhor oportunidade de sobrevivência.

Este texto é em homenagem á atividade familiar rural que por sempre vai ser o sustento do setor frutícola

O que é o Fracking?

O Fracking é uma forma de extrair gás das rochas que se encontram no subsolo. Uma alternativa mais em conta de encontrar substitutos do derivado do petróleo.

Agora, o que tem isso a ver com a maçã?

Produtores argentinos, mais precisamente do Valle de Rio Negro, estão locando seus pomares para a extração deste gás e está resolvendo economicamente a crise que estão passando. Há produtores que se dedicam à este tipo de consorciamento de atividade, entretanto, há outros que diretamente arrancam o pomar para facilitar a extração.

 

Para atingir essas rochas, é preciso atravessar o lençol freático. Tema polêmico cujo ambientalistas publicam suas preocupações referentes as possíveis contaminação das águas. Nada provado até agora e de possibilidade duvidosa. Então, como mostra a fotografia tirada do site de Agrovalle, os chilenos aproveitam para fazer deste fato um marketing para prevalecer sua fruta no mercado brasileiro sobre a fruta argentina. Talvez uma estratégia covarde que extrapola os parâmetros de competência leal que seria as qualidades e preços da fruta.

Preços altos na maçã – Prós e Contras

No exercício do ano 2016 tivemos surpreendentes altas nos preços de venda do nosso produto – a maçã – Talvez gerada pela quebra de produção da mesma como também de outras frutas que competem na escolha do consumidor. Fato tal que provoca grandes expectativas provocando a nossos empresários a entrar em um caminho de aventuras econômicas por ter um futuro incerto. Não existe um modelo econômico que possa nos guiar na comercialização do ano 2017 e muito menos para os anos seguintes.

Esta conjuntura criou diferentes situações imediatas.

Os prós do altos preços:

– Possibilita as empresas frutícolas em atualizar sua estrutura, tanto do packing-house como do armazenamento.

– Depois de estar em épocas de crise financeira dá um fôlego para aqueles que têm compromissos de peso.

– Facilitou muito as vendas donde a demanda não tinha opções de escolha e os pedidos fluíram facilmente.

Os contras e preocupantes:

– Desse ganho adicional inesperado pouco sobrou para o produtor.

– Não melhorou o poder aquisitivo do trabalhador do setor. Inclusive aumentou o desemprego. Justificada pela quebra de fruta pero também pela preocupação de algumas empresas em terminar cedo aproveitando os preços.

– Analisando o potencial da demanda do consumo interno não se está plantando. Inexplicavelmente a área plantada está diminuindo e a renovação é muito pobre.

– A maçã é a principal fruta na dieta humana e nesta situação está tirando da mesa do povo que mais precisa.

– Analisando o ponto anterior o governo pode se obrigar a abrir fronteiras e facilitar a entrada de maçã importada que dependendo da procedência pode criar sérios inconvenientes no futuro. Lembro que no ano 2001, quando a ABPM fazia movimentos políticos para colocar controle nas fronteiras, paralelamente o pessoal do IBRAF (Instituto Brasileiro de Frutas) dava palestras em Rio Negro (argentina) incentivando aos produtores argentinos a abastecer o mercado brasileiro porque estava carente dessa fruta na cesta familiar.

– O consumidor desqualifica a fruta nacional já que tem como opção a fruta importada de boa aparência comparada com a nossa cat 1, cat 2 e cat 3.

Estando num país que tem uma política econômica incerta, onde não tem como prever o futuro imediato, a fruticultura chega a ser uma “inquietante aventura”

Exportações de maçã têm um futuro negro

Semanas atrás, a revista Fresh Plaza publicou conceitos do senhor Florent Geerdens referente a exportações de maçã. Ele é um importante executivo belga da empresa Rene Nicolai (viverista e produtora de maçãs e pêra) que em sua exposição na Interpoma (Itália) manifestava sua preocupação sob o futuro da fruticultura global, cujo executivos e políticos da EU-27 estavam aproveitando os subsídios econômicos dos países do leste europeu para plantar macieiras e pereiras nessas regiões, principalmente na Romênia, Ucrânia e Rússia. Já se tem plantado mais de 1.000 hectares de variedade melhoradas e preferidas pelo mercado atual.
Desta maneira, limitaria as exportações dentro da Europa, e após quatro anos agonizaria mais ainda a crise dos fruticultores do velho continente. Reclamou dizendo “eles não estão pensando o que estão fazendo”. Consequentemente em um futuro próximo, os europeus procurarão mais em vender para o Brasil que comprar maçãs. Também sabemos que os países da antiga União Soviética são grandes importadores de maçãs sul-americanas e ao pretender diminuir esse fluxo provocará muitos problemas em Brasil, Chile e Argentina.