Agricultura para poucos: golpistas de SC iludem produtores

A agricultura, responsável por cerca de 80% da economia de São Joaquim e região, já pode sofrer um golpe com um possível governo golpista de Temer (PMDB), com o apoio de deputados aqui bem votados.

No texto de Gilberto Bercovici, professor Titular de Direito Econômico e Economia Política da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo  se preocupa com a privatização da Embrapa. Ele descreve o fim da soberania nacional no setor, o inevitável monopólio das empresas multinacionais e de sua tecnologia e o esfacelamento de atividades econômicas e sociais, entre outros pontos (confira o texto, clique aqui).

É o início do fim de uma nova consciência da vida rural que crescia.

Volta todo o investimento em pesquisa para tecnologia no investimento no bolso de grandes latifundiários do norte e centro-oeste.

 

A partida do tropeiro

Gáucho rodEle faleceu com 134 anos, só deixou de andar a cavalo pouco antes de morrer. Foi Bento Soares da Motta. Se a atividade faz bem para o homem, ele foi a primeira prova.

Tenente de Milícias, Bento  era proprietário de extensas terras nos anos de 1730 na região de Lages, Serra Catarinense. Foi pioneiro na ocupação das terras por aqui, veio logo após a conclusão do Caminho dos Conventos.

Eles deixavam esposa e filhos e se aventuraram por tropeadas que duravam até um ano.  Na bagagem, além da tristeza e tensão da despedida, alguns pertences, chimarrão e laço.

Para as mulheres que ficavam, restava a apreensão e paciência. Muitos riscos, em Lages, por exemplo, as mulheres na pequena póvoa de então, eram seguidamente atacadas por índios quando lavavam roupas no rio, hoje, o ‘tanque’, local construído na época estratégicamente para separar parte da mata fechada. A ‘invasão’, claro, era dos brancos em terras indígenas, mas o conflito perdurou por 150 anos ali.

Os tropeiros vinham desde os campos uruguaios e seguiam até Sorocaba (SP). Na Serra Catarinense, a póvoa das ‘Lagens’, virou pouso de tropeiros. Ali muitos invernavam e até ficavam o ano, os cavalos descansavam tempos para se recuperar da extensa e sofrida viagem.

Gáucho rodolfo rSe tivesse chuva, dormiam ao relento. Os animais eram aliviados das cargas, tiravam as bruacas, cangalhas e mantimentos. Na janta, charque assado no espeto com farinha de mandioca, feijão com torresmo ou toucinho seguido do café tropeiro.

Quem vinha de tropeadas mais curtas, trazia os mantimentos preparados antes da partida em casa pelas esposas ou filhas. Raramente encontravam galpões para se abrigarem do tempo severo, as ‘camas’ eram caronas estendidas no chão e o pelego.

Em casa, ficava para a esposa todas as lidas campeiras. Buscar alimentos, agricultura de subsistência, o abate de animais e muita reza.

Para viagem de comércio de sal e gado ou mulas, as famílias preparavam uma carga com os seguintes ítens:

2 latas de banha de porco; 3 cargueiros de açucar grosso; 3 cargueiros de farinha de mandioca; dois sacos de arroz; duas arrobas de café em grão; dois borrachões de mel (borrachão e aquele imenso chifre de gado franqueiro fechado na extremidade com uma rodela de madeira de ipê ou angico); 2 borrachões de melado; 15 a 20 cargueiros de sal; 2 sacos de polvilho e 2 sacos de farinha de biju.

gáucho aasAs vezes os mantimentos acabavam em meio a tropeada. Por vezes o desespero batia, longos campos despovoados e sem alimento. Os raros povoados ou casas que encontravam sempre havia moradores que doavam mantimentos e forneciam pouso para a tropa.

Mas nem todos: certa vez, conta Tio Vida, 87 anos, que, com mais dois outros tropeiros, estavam famintos e sem nada para se alimentar. Avistaram uma fazenda que na sua frente havia centenas de peças de carne penduradas em um varal para secar com sal – era o charque. Pediram um pedaço ao proprietário, que, se recusou dar ou vender. Quando saíam, um deles puxou a rédea, voltou, e, de cima do cavalo tirou a faca da bainha e cortou uma peça da carne sob os olhos do fazendeiro ganancioso. Clima tenso! Não sabiam se o homem estava armado. Saindo lentamente e todos sem palavras, puderam assar a carne longe dali e seguir viagem.

Foram praticamente 300 anos assim. Luta difícil pra quem vai e pra quem fica. Mas como seu Bento, que faleceu com 134 anos – muitos só desceram do lombo do cavalo pra morrer.

Fonte: Livros de Licurgo Costa e prosas familiares.

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Monta em Pêlo e a habilidade secular

gáucho jvhkdPara o os povos do sul, o cavalo é o “animal”, por excelência, usado quase que exclusivamente para montaria. Já o índio rio-grandense, vencido o temor que o animal desconhecido lhe causava, cavalgava altivamente pelas coxilhas, montando “em pêlo” ou, mais tarde, como mostram desenhos do pintor Debret, num tipo de sela primitivo: num “xergão” sobre o qual havia uma “carona”, presa por uma espécie de “cincha”, governando o cavalo por uma corda que lhe era amarrada no queixo.

Por volta de 1580, os cavalos abandonados na região do Prata em 1536 tinham se  multiplicado aos milhares. Por volta de 1600 não podem ser mais contados  em suas gigantescas manadas. Os Pampas do Rio Grande, Uruguai e Argentina estavam povoados de cavalos chimarrões (cimarrones/selvagens)  e o povo que vivia nessa região unida pela semelhança   ambiental se tornaria um povo cavaleiro.

Mas na origem da formação do gaúcho deve ser lembrado, os índios  pampeanos (nossos charruas e minuanos) que logo se adaptaram magnificamente ao cavalo (por volta de 1607). A miscigenação do europeu com o índio, fundindo a cultura ibérica com a americana.  A escolha do abandono da civilização pelos  mozos  perdidos (homens que optaram pela vida no  pampa sem fim) sendo o primeiro registro em 1617, já com chiripá, poncho e bota de garrão de potro (tendo esta indumentária uma evolução gradual e natural  até por volta de 1865 (com a substituição do chiripá pela  bombacha), tendo se estabilizado relativamente até agora.

Índios, mozos perdidos, vagabundos  do campo (1642), changadores (1700) e gaudérios são seus antecessores e de origem e comportamento bem semelhantes.

Um documento impressionante  é o  escrito pelo  belga  A . Baguet em 1845 em Viagem ao Rio Grande do Sul. Fala de crianças  com poucos anos cavalgando sem sela a toda  velocidade, na forma como montam colocando o  pé descalço  no joelho do cavalo.

Aqui na Serra Catarinense, por volta de 1730 passaram os primeiros cavaleiros castelhanos das missões jesuíticas, eles eram escalados a cada três anos para ‘bombear’, termo de época, ou ‘espiar’ se as terras continuavam sem ocupação ou havia alguma fundação portuguesa, o período foi já na formação do campo real de Viamão, que partia do Rio Grande até São Paulo pela região de Lages.

Passados quase 300 anos, o gosto pela montaria, mesmo ‘em pêlo’, continua a mesma com a habilidade e excelência.

Fontes: Licurgo Costa, Evaldo Braz e Pampalivre.

Caldo de soquete para espantar o frio de São Joaquim

Em janeiro, o caldo de soquete é preparado em uma comunidade no interior de São Joaquim, e na região mais fria, a localidade de Cruzeiro, distante 15 quilômetros do centro. Na última edição foi servido para mais de 2.000 pessoas em oito tachões de 120 litros de pirão, com legumes, caldo e soquetes de carne. Uma especiaria do CTG Chaleira Preta.

 

NGREDIENTES

  • 1/2 xícara de azeite
  • 1 kg de carne de vaca (ponta de peito ou fraldinha)
  • 3 cebolas grandes
  • 4 dentes de alho
  • 6 espigas de milho verde partidas ao meio
  • 3 batatas doces médias
  • 6 batatas
  • 1/2 kg de abóbora
  • 1/2 repolho pequeno
  • 3 tomates
  • 3 mandiocas
  • 3 cenouras médias com as cascas raspadas
  • Cheiro verde
  • sal e molho de pimenta a gosto
  • Farinha de mandioca
  • PREPARAÇÃO:

    ETAPA 1

    Tempere a carne de vaca com sal, alho, pimenta e reserve.

    ETAPA 2

    Coloque para cozinhar a carne em bastante água. Deixe água fervente sempre pronta para ir acrescentando, se precisar. Quando a carne estiver quase macia, acrescente as cebolas picadas e os tomates picados.

    ETAPA 3

    Junte os pedaços de mandioca, o milho verde, as cenouras, as batatas doce. Cozinhe mais um pouco uns 10 minutos e junte a batata. Junte a abóbora, as folhas de couve. Verifique o sal e pimenta. Com tudo bem cozido, vá tirando com cuidado com uma escumadeira para uma travessa, deixando separadas por legumes.

    ETAPA 4

    Pique as carnes e deixe separados como os legumes na travessa para facilitar na hora de servir. Engrosse o caldo com farinha de mandioca, faça um pirão. Adicione a farinha aos poucos para não encaroçar.

    ETAPA 5

    Sirva o pirão em travessa separada e acrescente por cima, o cheiro verde picado. Não esqueça de um bom molho de pimenta à parte. Sirva como acompanhamento arroz branco.

Congelou até o anemômetro

Até o anemômetro?  Mas que diacho é isso? Ninguém sabia mas tem um desses no Morro da igreja em Urubici. É um aparelho que mede ou registra a velocidade dos ventos e, às vezes, também a sua direção.

Segundo Coutinho, da Climaterra, o anemômetro “parou de reportar a direção do vento e a velocidade, em geral indica gelo”, escreveu ele.

Teve chuva congelante e possível neve nos topos das serras. A chuva congelante faz um ruído curioso, alguns o descrevem como algo semelhante ao som de quebrar uma forma de cubos de gelo, enquanto reveste a superfície com uma brilhante camada de gelo. São gotas congeladas.

A temperatura  chegou a 1,5°C a mínima, -0,7°C Morro da Igreja. Fonte Climaterra.

Neve, geada e frio recorde. Tudo junto em São Joaquim \o/

17509_4400256023617_1294371104_nA chance de neve ainda é remota, mas como se sabe, ela é uma visita que não costuma bater na porta antes de entrar. Pode aparecer nos pontos mais altos do topo da Serra Catarinense nesta quarta ou quinta. A previsão é da Climaterra.

Já o frio avisou que vem e está confirmado. Teremos violenta massa polar atuando com muito força em SC no decorrer da quarta e quinta e sexta, mínimas entre -3/5°C em boa parte do Estado e entre 7/11°C nas cidades mais quentes.

O joaquinense finalmente vai matar a saudade da geada – ela vai cobrir de branco a Serra Catarinense, o vento gelado vem na terça de noite e a mínima poderá ficar entre -6/-3°C.

Ainda segundo a Climaterra, o frio tem chance de quebrar recordes de mínima e máxima mais baixa em várias cidades de SC – poderá ser uma das mais fortes ondas de frio em abril em muitas décadas.

A minha entrevista com Salim Miguel. SC perde uma referência intelectual

Salim miguel“Nós é que morremos, nós. Os que morreram, nossos, não! Esses vivem na nossa lembrança, perenemente, perenemente”, escreveu ele.

Triste perder Salim Miguel, que, assim como Cruz e Souza, foi um dos maiores escritores de Santa catarina e do Brasil.

Lembro que o entrevistei para o jornal O Estado na Felipe Schimidt em Florianópolis, sentado em um café em 2002. Ele acabava de receber o prêmio de Intelectual do ano.

Na verdade o que era para ser uma entrevista foi mais um bate papo sobre jornalismo, uma aula. Tanto assunto que rendeu uma página inteira do dia seguinte.

Com o jornal publicado, me ligou no dia seguinte agradecendo. Lembro que disse. “Sabe que eu tenho tantos … anos de jornalismo, e nunca, ou raramente alguém me ligou para agradecer uma matéria que fiz, mesmo tecendo elogios para o entrevistado. Você que se formou agora, vá se acostumando, o pessoal só liga se for pra criticar”, contou rindo.

Pois não é que é assim mesmo!

Naquele ano, 2002 o escritor recebeu o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano. A obra que o levou a ganhar o prêmio foi “Eu e as Corruíras”, lançado em 2001 em comemoração aos 50 anos de carreira de Salim. O “Intelectual do Ano” é realizado todos os anos, desde 1962, pela União Brasileira de Escritores em parceria com o jornal Folha de São Paulo. Ele já recebeu diversos prêmios.

O livro Eu e as Corruíras, escrito na varanda de sua casa, mostra bem o que ele era: intelectual, mas um homem simples, com uma bondade enorme, que, como todo bom jornalista, mais gostava de perguntar do que responder”.

“Esses vivem na nossa lembrança, perenemente, perenemente”.

Salim Miguel, 1924 – 2016.