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Um bate papo especial com o Ator Roberto Birindelli falando sobre a carreira seus personagens e seus projetos

O ator uruguaio radicado no Brasil Roberto Birindelli , que atuava como o delegado Guido na novela Apocalipse, da Record que terminou na semana passada , atuando  em várias séries e filmes  está entre os queridinhos do mundo das séries e também dos cinemas. Recentemente  o artista esteve em cartaz no longa-metragemTeu mundo não cabe nos olhos.Este ano Na HBO tem o seriado “A vida secreta dos casais, de Bruna Lombardi. Na FOX tem o seriado um contra todos, de Breno Silveira e Tomas Stavros. No SPACE tem Dois Irmãos. Em julho começará  a filmar ÁGUAS SELVAGENS, coprodução Brasil Argentina. E este ano ainda vai estar em outra novela, começa a gravar em agosto, E também lançamento de filmes.Ao mesmo tempo, ele está envolvido em outros dois longas-metragens. Tudo isso enquanto ainda estava  no ar na novela Apocalipse , tira um tempinho para a entrevista .Relembre algumas atuações dele .

Entrevista com Roberto Birindelli 

Como você define sua personalidade:

Birindelli : Caramba, abre o vinho que temos horas pra tentar entender isso, rsrsrs. Em geral, foco muito no trabalho e , se não cuido, facilmente deixo minha vida pessoal em segundo plano. Melancólico e sempre com dúvidas a respeito de tudo. Acredito muito na capacidade de realização, o que deve esconder uma profunda falta de fé na vida, mas enfim, vamos tentando contornar isso.

O que você queria ser quando criança ? Como foi a sua escolha profissional?

 Birindelli :  De criança vivi o Apolo 11. Claro que quis ser astronauta. Mas também sempre me interessei pelo caminho da arte. Comecei tendo aulas de pintura e desenho aos 5 anos, no Ateneu de Montevidéu. Mudei com meus pais aos 15 anos pra Porto Alegre. Fiz faculdade de Arquitetura. Na faculdade tive um colega mímico, e comecei a trabalhar com ele. Me interessei também por dança moderna e contemporânea, e fazia aula direto. Escrevi livros de poesia marginal nos anos 80. Depois em rodas de poesia dramatizada. Daí pro teatro foi um pulo. Em porto Alegre surgiu o Cinema, e também curtas para passar na TV local. Em 2008 mudei pro Rio, porque surgiram convites de atuar em cinema e TV. Transito entre essas áreas, e aplico muito o aprendizado de umas nas outras.

No seu exercício profissional você tem necessidade de abrir mão de alguma coisa da sua vida pessoal ?

Birindelli : Nossa, tanta coisa! A agenda não é mais minha. Não consigo tirar férias programadas há muito tempo. E durante as gravações, nosso horizonte de tempo é o roteiro que a gente recebe com as diárias e horários, então nunca posso dizer se vou estar livre quarta que vem à noite, por exemplo.

Outra coisa curiosa. Em geral, atores temos sempre algum grau de vaidade, de cuidar da imagem. Só que a imagem não é nossa, é do filme, série ou novela. Eles que determinam se vamos estar de barba, ou cabelo comprido, ou mais magro ou gordo, etc.

No exercício profissional você corre riscos?

Birindelli : Bem, comparado a um bombeiro, soldado, soldador, claro que não. O desgaste é mais emocional e de isolamento.

Quais as dificuldades que encontrou no início da carreira?

Birindelli : Sou de 62, Montevidéu. Nos anos 70, a situação político-econômica no Uruguai se tornou insustentável. E, aos 15, mudei com minha família para o Brasil. Porto Alegre. Na faculdade de arquitetura tive contato com grupos de teatro e coletivos de cinema. Na minha turma vários colegas largaram a faculdade para se dedicarem a outras atividades. Por exemplo Pitz, Maltz e Humberto criaram “Os engenheiros do Hawaii”. Jaime Arturo Marin foi pra Alemanha e virou um grande mímico. Cheguei a ter aulas com ele. Depois lancei livro de poesia marginal, e junto com Mario Pirata e outros parceiros criamos um espetáculo poético teatral. Foi o gostinho do palco. Daí pro teatro foi um pulo. Me formei em Artes Cênicas e fui estudar na França, Dinamarca, Itália. Teatro físico, mímica, Commedia Dell’Arte, etc. Em Porto Alegre, em 1994 / 95, recebi os primeiros convites da casa de Cinema para curtas do Jorge Furtado, e depois os primeiros longas. Um ambiente maravilhoso de trabalho. Tomara que um dia possa voltar a trabalhar com eles. De lá pra cá já se vão uns 45 filmes… Ou seja, a gente rala muito. Não digo que não seja possível do nada ser convidado para um grande papel na TV, mas não foi meu caminho.

Quais as dificuldades encontradas atualmente?

Birindelli : A principal é o tempo. Como equilibrar trabalho, família, lazer e silêncio.

Gostaria de voltar ao teatro, mas tá duro de conciliar agendas.

O que pode contar sobre os seus personagens em ” O olho e faca” e em “Teu mundo não cabe nos olhos”

Birindelli : No longa O OLHO E A FACA, de Paulo Sacramento, faço o papel de um petroleiro, envolvido num acidente numa plataforma em alto mar. Essa dureza, instintiva, de ação, necessitava de outra pegada. Foi bárbaro trabalhar com a Fátima Toledo. E a oportunidade de vivenciar a realidade em loco foi brutal. O espaço foi fundamental pra determinar a atuação, a pegada da cena, e o desenrolar dos conflitos. Ficamos 12 dias embarcados, filmando e vivendo essa vida. Vendo os sonhos e pesadelos, medos e desejos dessas pessoas. Que experiência!! No longa Teu mundo não cabe nos meus olhos, a problemática de um cego com sua vida aparentemente equilibrada. Trabalhei os conflitos do cirurgião que devolve a visão a seu paciente, mas não é o mundo que ele imagina e entra em crise.

Como foi  a experiência  em Apocalipse em viver o personagem  o delegado Guido :

Birindelli :A união do grupo foi o ponto mais alto de Apocalipse. Mantemos contato mesmo depois do fim das gravações. Fiz amizades que vão ser pra sempre!!!

Guido é um policial de carreira, com sua honra e conduta. A delegacia começou com uma temática policial, realista. A busca de um serial killer, que havia matado Luis, o pai do Cesar. Se sente culpado por não ter evitado a morte de Luis, e prometeu à viúva que o cuidaria quase como um filho. Esta relação se mantem durante a trama.

A sequência mais marcante é quando Guido executa o serial killer preso. Ele sabe que um dia vai ser condenado por isso, mas devia esse gesto ao seu amigo Luis. Sempre fiz mais papeis de desajustados, outsiders e até marginais. Guido é correto. E isso não tem espaço nestes dias.

Qual foi teu projeto mais ousado digamos :

Birindelli : Constituir família, ter e criar um filho. Tentar ser coerente num mundo caótico. O resto mais ou menos a gente tira de letra.

Qual o ator a a atriz você considera os melhores de todos os tempos na TV Brasileira e tbm da atualidade geração nova

Birindelli : Hum, Fernanda sempre, é impressionante ver a Denise Stocklos também. Atores, Raul Cortez, Paulo José, uia, muitos!  Na nova geração: Jesuíta Barbosa, Julinho Andrade, o Zappa, Irhandir é um monstro também!!

Qual teu ponto de vista em relação a atual situação do Brasil :

Birindelli : Terra sem lei. Há 48mil políticos com foro privilegiado, portanto acima da lei. E passa por eles perto de 70% do PIB brasileiro.

Enquanto houver foro privilegiado não há justiça, nem lei, nem direitos iguais.

Melhor parceria na televisão?

Birindelli :Julinho Andrade e Breno Silveira. É muito bom estar nesse time (um contra todos, da FOX).

Qual talento gostaria de ter tido?

Birindelli :Cantar, ter um vozeirão.

Um vício?

Birindelli : BB Lanches, açaí e energéticos

Qual foi teu projeto mais ousado digamos :

Birindelli :Constituir família, ter e criar um filho. Tentar ser coerente num mundo caótico. O resto mais ou menos a gente tira de letra.

Como foi o desafio de viver Josué na novela “Império”,

Birindelli : Muito incrível a abrangência de um trabalho como este. O que não sabíamos no início da novela é a parceria que se formou com o Comendador, a partir de tantas histórias e andanças vivenciadas. Muitos homens vinham me parabenizar pela atuação e pela relação de amizade e fidelidade entre Josué e o Comendador. Homens que se sentem identificados com a trama, o que não é comum em folhetins. Quando Aguinaldo mandou mail perguntando se eu toparia fazer o Josué, quase nem acreditei. Já tinha trabalhado com Papinha (Rogério Gomes, diretor) em A Teia, com uma equipe maravilhosa que trabalha junto há muito tempo. O sistema de produção, a velocidade, o ritmo da cena e da câmera, o tempo cênico, tudo é diferente. O fato de ser uma obra aberta e não saber toda a curva do personagem antes de começar a gravar, tudo era surpreendente. Foi uma experiência incrível.

No cinema você atuou em muitos filmes nos fale um pouquinho sobre o personagem em “Dolores”

Birindelli : Em DOLORES, longa argentino de John Dickinson, fIz o papel de OCTAVIO BRANT, um fazendeiro filho de alemães nos anos 40, na pampa argentina. Vários desafios: o sotaque portenho, o peso e o tempo de um homem de campo nos anos 40. Um certo grau de refinamento, ao mesmo tempo convivendo com o dia a dia rude do campo. Se trata de um triângulo amoroso, tendo como pano de fundo a segunda guerra. A preparação para todas essas nuâncias foi com o Sergio Penna, que ajudou muito!

 Para você ser desafiado é :

Birindelli : uma delícia! A gente cresce na marra

  Qual foi o maior obstáculo que superou:

Birindelli : Ser sempre um outsider. Estrangeiro, chegando de mansinho em grupos já formados. A maior luta foi ter a sensação de pertencer.

Se pudesse começar de novo a carreira o que faria de diferente:

Birindelli : Teria errado mais, amado mais, me importado menos

Qual foi o trabalho mais chato e o trabalho mais emocionante que você já teve :

Birindelli : Sempre fui ligado a criação, mesmo na indústria, ou ligado a urbanismo, então os processos criativos nunca são chatos. Talvez na época em que produzia, dirigia e atuava na mesma peça. A gente tem que ouvir milhões de nãos pra cada sim. O mais emocionante foi também no teatro. Viajei e apresentei um solo de Dario Fo – IL PRIMO MIRÁCOLO durante 21 anos, em 9 países e mais de 180 cidades. Passei pelas experiências mais variadas, e conheci montes de lugares e povos diferentes.

Decepciono-me com facilidade:

Birindelli :  Pois é, fui reduzindo expectativas pra evitar isso. Mas assim a gente fica ranzinza, então tem que voltar a ter confiança. Vamo que vamo!

De que você tem medo ou cautela digamos :

Birindelli : De não dar conta da quantidade de compromissos que eu assumo

Cite algumas coisas que você gosta de fazer em seu momento de lazer :

Birindelli : Juntar os amigos, assar um churrasco ,cinema ,Sarau em casa ,Andar de bike .

Se você pudesse voltar no tempo e fazer as coisas de novo, o que você mudaria :

Birindelli : Teria namorado antes. Teria corrido o risco de dizer não muito mais vezes Aceitaria de bom grado que posso estar certo ou errado, e que isso não tem tanta importância.

Por quais aspectos de sua vida você se sente mais agradecido :

Birindelli :ensinamentos e a generosidade de meus pais e de meu filho

Qual é a maior conquista que conseguiu em sua vida :

Birindelli :Num processo terapêutico em grupo, após um jejum de 4 dias, e de passar a última noite em claro, ao amanhecer, me dei conta da minha força de vontade e da qualidade do ser suficiente, nem bom nem ruim. A medida do suficiente.

Qual é sua lembrança mais valiosa :

Birindelli : Quando os amigos me lembram de que vale a pena todo o esforço .

Qual é sua lembrança mais dolorosa :

Birindelli :   Tratei mal e provoquei dor em várias pessoas. Carrego isso comigo.

 Seu momento mais brilhante :

Birindelli :  Num determinado momento tomei uma decisão difícil. Meu filho me olhou e disse: – pai, tu é foda!

Um momento que definiu sua história :

Birindelli : Fiz zig, quando o esperado era fazer zag…

Foi quando defini que eu seria do contra

Sua maior qualidade:

Birindelli : Capacidade de trabalho

Quem te inspira :

Birindelli : Hum, tantos. Os que arriscaram, os poetas da vida. Os guerreiros do coração.

O trabalho mais memorável de sua vida :

Birindelli :  A série um contra todos, da FOX. PEPE é um presente de personagem!!

Melhor conselho que já deu :

Birindelli :  Arrisca

 Qual é o filme favorito que já atuou e porque?

Birindelli :   HUMANPERSONS, longa de Frank Spano, rodado em Panamá e Medellin. Um drama humano inserido no tráfico de órgãos. Deve estrear este ano.

Qual é a última música que ouviu que mais te marcou?

Birindelli : Geraldo Azevedo, Dia Branco. Fazia anos que não ouvia

Qual é a coisa mais preciosa que tem?

Birindelli : Meu filho Carlo.

Churrasco faz parte de seu cardápio :

Birindelli : Não abro mão! Pra mim representa juntar os amigos em volta do fogo. Lar.

Chimarrão ou tererê  viver sem eles :

Birindelli : meu dia começa com chimarrão, sempre, mesmo com 40 graus.

Que time você torce Roberto : 

Birindelli : Grêmio

Você estará em Irmãos Freitas, do canal Space. O que pode contar sobre esse projeto e sobre o seu personagem :

Birindelli :É muito legal, a história de Popó (Daniel Rocha), o boxeador, e seu irmão Cláudio (Rômulo Braga). Faço o olheiro argentino que descobre o Popó e o leva a lutar nos EUA. É um prazer trabalhar com os dois diretores, Sérgio Machado (Cidade baixa) e Aly Muritiba (Para minha amada morta), e ver a dedicação com que se jogaram sobre o projeto, que tem supervisão artística de Walter Salles.

Recentemente, você esteve em A vida secreta dos casaisUm contra todos e Conselho tutelar. Como tem sido para você a experiência em séries nacionais e em fazer tantos personagens tão diferentes :
Birindelli : Trabalhar em séries é relativamente novo para gente. E é muito diferente das novelas. O roteiro está pronto antes de começar a gravar, então podemos preparar com mais cuidado todo o arco do personagem, ensaiar mais, e desenvolver mais cada cena. Nesse sentido é mais parecido com o cinema. O mais surpreendente são as temporadas seguintes. Cada nova temporada, apesar de estarmos atuando sobre o mesmo personagem, é como uma estreia. E é uma maneira diferente de programar o trabalho do ano. Já sei que vou estar cinco meses do ano envolvido nesses trabalhos.

Você está em um momento em que está envolvido em vários projetos na televisão e no cinema. Como é conciliar tantos trabalhos :
Birindelli : Realmente é complicado. Tem pela frente dois longas, (que são) coproduções: Águas selvagens (Brasil e Argentina), que vai rodar em Buenos Aires e em Curitiba, e Two shots of tequila (Colômbia, USA e Brasil) que roda em Los Angeles. Tem três séries que vão rodar as temporadas seguintes, Um contra todos (FOX), A vida secreta dos casais (HBO), Irmãos Freitas (Canal SPACE), e um projeto de novela. Sempre tentamos equilibrar agendas. Já teve dia que gravei em Cuiabá de manhã (o longa LOOP, de Bruno Bini), voei para São Paulo gravar a série Irmãos Freitas, e no dia seguinte ia de  volta para o Rio de Janeiro para gravar Apocalipse, na Record. Afff (risos).

O  que te atrai na hora de escolher um personagem : 
Birindelli : Ah, desafio, a complexidade, uma curva dramática instigante. Olha por exemplo Pepe, o chefe do tráfico de Um contra todos, da FOX. Não é um presente pra qualquer ator? Ainda mais na mão do Breno Silveira!!!

  Como foi para você e sua família que  se mudaram para o Brasil por conta do regime militar no Uruguai. Como foi : 
Birindelli : Nada fácil mesmo, vida de imigrante é um eterno não-pertencer. Novas línguas, idiossincrasias, modos de vida, padrões, maneiras de ver o mundo, sofrer bullying, não conviver com os amigos de infância. Mas por outro lado, o que não te mata, te torna mais resistente. Vem uma sensação de calma, de que você pode se virar em qualquer situação.

Seu inicio de carreira como foi e o que, lá atrás, te atraiu nessa profissão?
Birindelli : O ator surgiu bem depois. Comecei tendo aulas de pintura e desenho aos 5 anos, no Ateneu de Montevidéu. Mudei com meus pais aos 15 anos para Porto Alegre. Fiz faculdade de arquitetura. Na faculdade tive um colega mímico, e comecei a trabalhar com ele. Me interessei também por dança moderna e contemporânea, e fazia aula direto. Escrevi livros de poesia marginal nos anos 1980. Depois em rodas de poesia dramatizada. Daí pro teatro foi um pulo. Em Porto Alegre surgiu o Cinema, e também curtas para passar na TV local. A mudança era projetada para SP, para trabalhar com teatro. E aos 45 do segundo tempo surgiram convites de atuar em cinema e TV no Rio, e cá estamos.

Que conselho você daria para um artista que deseja ser bem sucedido na arte : 

Birindelli :O que eu diria a um jovem ator é começar pelo teatro e nunca desistir!

Qual a pior situação como ator que você já enfrentou e como fez para resolvê-la?

Birindelli : Apresentando um monólogo numa comunidade bastante violenta em SP. Galera armada na plateia. Não paravam quietos (era hábito passar droga durante as apresentações). O administrador do teatro em pânico. Resolvi fazer um prólogo falando diretamente pras pessoas, que estavam bem próximas, e contando porque a sociedade também não nos quer, porque também somos perigosos para o estado. Fiz a peça inteira em completo silêncio, em comunhão, e muitos voltaram no dia seguinte pra assistir de novo. Riquezas são diferenças. Miséria é miséria em qualquer canto.

Quais são os atores e diretores de teatro que você admira?

Birindelli :Tive muita sorte de vir da tradição do teatro de grupo, e não de elenco. Então minhas referências são não apenas de ator e diretor, mas de sua relação. Posso citar o Galpão, de BH; O LUME, de Campinas; o Oi nois, de Porto Alegre, o Piolim, da Paraíba.

Como é a criação dos seus personagens, onde você busca a inspiração:

Birindelli :Eu acredito muito em impressão e expressão. Passo o dia interio, todos os dias alimentando minha impressão. É desse banco de dados, emoções, ideias, sensações que sai a matéria prima dos personagens.

Qual a diferença entre teatro e televisão para o ator ? Qual exige mais esforço para representar?

Birindelli :Cada meio com suas dificuldades e seus prazeres. Tenho recebido mais convites para atuar no cinema, então fui por aí. Ultimamente as séries tem ocupado mais espaço, e tô adorando!

Fala-se que teatro é a arte do ator, cinema a arte do diretor, e TV a arte do patrocinador, onde a audiência manda em tudo. São prazeres e desafios diferentes. Pessoalmente me sinto atraído por personagens instigantes, sejam na TV, cinema ou teatro.

Quando e como foi a sua estreia como ator? Qual foi a sensação de atuar pela primeira vez?

Birindelli : Pois é, começou cedo, e eu nem sabia. No final de uma sessão de trabalho, Eugênio Barba perguntava isso a cada ator: quando foi a picada do escorpião? Lembro em Montevidéu, eu tinha 5 ou 6 anos, minha mãe me trazia da escola. Na esquina de casa vi um senhor bem velho chorando e travei. Aquilo não podia ser. Soltei da mão de minha mãe, parei na frente do senhor, e decidi que só sairia daí quando ele estivesse rindo. Minha mãe me puxando, e eu fazendo coisas engraçadas. Só parei depois de um grande sorriso. Continuo fazendo exatamente isso…

Quando  estreou a primeira novela. Quais eram os seus sonhos naquela época : 

Birindelli :Fiz algumas participações antes, mas minha primeira novela foi Poder Paralelo – TV RECORD, 2009. Tinha 47 anos na época, e estava me mudando pro Rio de janeiro. Choque cultural, tudo novo. Apreensão se minha família se adaptaria a essa cidade tão diferente de porto Alegre.

Existe algum trabalho que ao assistir não gostou do resultado? Você é autocrítico : 

Birindelli :Não gostava de nenhum! Ficava sempre com vergonha quando assistia no cinema, e depois na TV. Aos poucos fui aceitando mais. E claro, tem uns que a gente acerta mais do que outros…

Na novela Duas Caras você foi Fotógrafo ,como foi atuar: Qual sua relação com a fotografia

Birindelli :Foi minha primeira participação em novelas. Que susto, tudo novo e uma pressão enorme. Mas foi bem legal, e uma turma super receptiva. Nos ´80 fiz muita foto de viagem. Não havia essa ânsia por registrar e compartilhar tudo que a gente faz. Hoje tenho milhares de fotos do Carlo e da Ju.

Se você pudesse viver em qualquer lugar do mundo, onde seria:

Birindelli :Hum, já pensei em Morar em Barcelona, na Escandinávia (se o clima permitisse), no Rio de Janeiro (se os desmandos do governo permitissem)…

Conte-me sobre um momento onde você teve que dizer o que pensava para que seus colegas soubessem o que estava sentindo ou pensando.”

Birindelli :Isso é um desafio pra mim. Acabo me afastando em vez de ficar firme e expor meu sentimento.

Todos temos pessoas que não odiamos, mas não gostamos. Por que você não gostou de algum colega anterior e como você lidou com ele/ela ”

Birindelli :Ixe, passei por uma saia justa quando dava aula na Universidade, no curso de Artes Cênicas. Tive um aluno que resistia muito, argumentava o tempo todo em aula, e provavelmente iria rodar. Ao mesmo tempo me convidaram para atuar numa peça, e esse aluno seria meu colega de cena. Agradeci o convite da peça, mas preferi não fazer esse trabalho.

“Houve alguma vez em que você teve que concordar com uma decisão contra sua vontade? Por que você concordou?”

Birindelli :Mil vezes! Vivo em grupo, trabalho em grupo. Sou casado. Temos que dialogar o tempo todo. A convivência contém essa flexibilidade.

Fale nos um pouquinho sobre o filme Policia Federal : 

Birindelli : Sobre “Polícia Federal – A Lei É Para Todos”, o convite veio do autor, Thomás Stavros e do diretor, Marcelo Antunes. Relutei um pouco em função de não sabemos o desfecho nem os princípios reais que norteiam todo esse movimento. Vide o tratamento diferenciado aos dados colhidos de diferentes partidos, entre outros fatos contraditórios. Topei até para tentar entender mais – já que acabei tendo acesso a mais dados de pesquisa, delações premiadas, etc. Acompanhei as gravações das delações premiadas, entrevistas e matérias sobre sua trajetória. Espero poder encontra-lo em breve, pouco antes do início das filmagens.

Nesse sentido, o doleiro Youssef é unanimidade: um contraventor desde onde você o observe, seja direita, esquerda, de qualquer tendência. Safo, bem articulado. Nas conversas com os delegados e nas visitas tivemos acesso ao raro senso de humor de Youssef. Em momentos, genuíno. Às vezes ganhando tempo para escolher a resposta que mais benefícios traria. Intuo que com ele podemos tangenciar algo cômico, como uma sátira que permeia a certeza de impunidade que envolve o foro privilegiado dos políticos. Esse é um tema que gostaria, sim, de discutir: a urgência pelo fim do foro privilegiado. Gosto de personagens controversos. Pensa como alguém vendia quentinhas, em algumas décadas foi responsável pela maior evasão de divisas da américa.

 

Alguns Personagens : 

Relembre Alguns Personagens  em sua carreira :

 

Tem preferência por representar algum tipo específico de personagem ? Consegue me descreve los 

Birindelli :  Ixe, fiz tanto personagem diferente. Escolho os personagens pela complexidade e desafio. Gosto quando são controversos, de difícil apreensão na primeira leitura.

1996                      Anahy de las Misiones, longa de Sergio Silva

                               fazia Giuseppe Garibaldi

1999                    Tolerância, longa de Carlos Gerbase,

Fazia umfotógrafo de uma revista

2002                   Concerto Campestre, longa de Henrique de Freitas Lima ,

                            Um violinista de uma orquestra no pampa.

2004                O Cerro do Jarau, longa de Beto Souza,

                  fazia um eremita que mantinha uma jovem namorada

                  Porto Alegre, meu canto no mundo, documentário de Cícero Aragon

                  Um biólogo Belgo-Francês

                  Sal de Prata, longa de Carlos Gerbase,

                  um empresário do mercado financeiro

2009                      A QUIEN LLAMARÍAS? Longa argentino de Martin Viaggio.

                               Um homem de meia idade resolvendo suas questões relacionais

2010                      COLEGAS, longa de Maurício Galvão,

                               Fazia um maitre argentino

                               HAMARTIA, longa de Rondon de Castro,

                               Fiz um capitão de resgate

2011                       SIMONE, longa de Juan Zapata,

                o papel de um homem delicado e ferido que se relaciona com uma mulher

                que transita entre o hetero e homo

               Brazil Red, longa canadense de Sylvan Archambault

                Fazia um bandeirante português, na luta contra franceses

                Triste fim de Arsênio Godard, longa de Adolfo Rosenthal,

                fazia o imediato num navio de guerra

2012        CRIME DA GÁVEA, longa de André Warwar e Marcílio Moraes,

                faço um professor de roteiro, envolvido em suspeitas de assassinato

2013        MUITOS HOMENS NUM SÓ, longa de Mini Kerti,

                Pai de família no século XIX que leva sua filha doente a se tratar no Rio.

JONAS E A BALEIA, longa de Lô Politi

Pai que tem sua filha sequestrada.

OS SENHORES DA GUERRA II, longa de Tabajara Ruas

Faço um matador de origem alemã, participa da luta no sul do país.

TRASH, longa de Stephen Daldry, faço o cabeleireiro da comunidade

2014        MARESIA, longa de Marcos Guttmann,

                 faço um pintor acadêmico italiano que vem ao Brasil

      BOI NEON, longa de Gabriel Mascaro, faço um fazendeiro rico do nordeste

2015                      EM NOME DA LEI, longa de Sérgio Resende.

                               Homem forte do tráfico e do exército paraguaio

2016                      DOLORES, longa de John Dickinson, Argentina.

                               Filho de alemães na pampa argentina, se envolve com fazendeira vizinha

                               TEU MUNDO NÃO CABE NOS MEUS OLHOS, longa de Paulo Nascimento,

                               Cirurgião especialista, ex namorado da mulher de seu paciente

 O OLHO E A FACA, longa de Paulo Sacramento,

                               Faço um petroleiro, chefe da segurança da plataforma

2017                      POLÍCIA FEDERAL – A LEI É PARA TODOS, longa de Marcelo Antunez,

                               Doleiro Youssef. Talvez o primeiro personagem atual vivo que faço.

2018                Apocalipse , novela

                        Delegado Guido

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