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As chamas de agosto – Por Henrique Córdova

Ainda hoje,

ferve e borbulha o sangue de outra era,
antecipando, sim, mais uma primavera,
com as cruéis e agônicas contorções de toda a terra, despida das cores, envilecida pela fumaça da guerra.

Corações crepitam perdidos em florestas desfeitas,
sem os ouvirem, a fauna em fuga e a flora fanada.
Gemem as araucárias, vítimas das ultimas colheitas,
que, de muitas outras, impossibilitará a queimada.

O verde, feito preto, enegrece as bocas do gado faminto,
para o qual se acendem as vorazes e irrefletidas chamas,
nas promessas breves de renascimento do pasto extinto.

Culpas insondáveis, acumuladas em séculos renitentes,
pela força das magnas ambições militantes e hipócritas,
à míngua de tetos aquecidos, fazem dos homens penitentes.

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