Greta Thunberg, a ativista adolescente que desafia os poderosos: Quero que vocês escutem os cientistas.

(Sarah Silbiger / Freelancer/Getty Images).

Compromisso com o planeta: Sua preocupação com o colapso climático tem chamado a atenção do mundo. Adolescente ativista ambiental suecaGreta Thunberg, em sua plena adolescência, decide protestar, cobrar medidas reais e urgentes para a sobrevivência da humanidade. Mandou uma mensagem curta e direta antes de uma audiência no Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira: “Não quero que vocês me escutem, quero que vocês escutem os cientistas.” Autista, vegana e ativista sueca de 16 anos que silenciou reunião da ONU é o rosto à frente de movimento estudantil global contra crise climática.

(Morris Mac Matzen/Reuters)

A ativista de 16 anos que criou as greves escolares semanais denominadas “sextas-feiras pelo futuro” para exigir ações governamentais sobre as mudanças climáticas que inspiraram um movimento global, apresentou um relatório de 2018 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas em vez de dar um depoimento. O relatório pede por mudanças rápidas e sem precedentes na maneira como as pessoas vivem, a fim de impedir que as temperaturas subam 1,5 graus Celsius até 2030.

“Eu quero que vocês se unam à ciência. E então eu quero que vocês tomem atitudes”, disse ela.

Thunberg é uma dos quatro estudantes convidados a participar de uma audiência conjunta do Subcomitê de Assuntos Externos da Câmara sobre Europa, Eurásia, Energia e Meio Ambiente e do Comitê sobre Crise Climática, para dar uma visão da próxima geração sobre as mudanças climáticas.

Ela está em Washington desde a semana passada para se juntar a ativistas norte-americanos e indígenas, que apoiam as greves globais sobre o clima nas sextas-feira e pressionam as autoridades a tomar medidas contra as mudanças climáticas.

Na manhã do dia 20 de agosto de 2018, a estudante Greta Thunberg, de 16 anos, faltou à escola e seguiu sozinha para a frente do prédio que abriga o parlamento da Suécia, carregando um cartaz em que se lia skolstrejk för klimatet! (greve escolar pelo clima, em sueco) e panfletos com dados científicos sobre o aquecimento do Planeta.

Ela estava decidida a chamar a atenção dos políticos do seu país para a gravidade da crise climática mundial e seus riscos para as gerações futuras.

Para a estudante e ativista, sobram palavras, mas faltam ações concretas por parte dos países para reduzir as emissões de gases efeito estufa associadas, principalmente, à queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.

“Não podemos resolver uma crise sem tratá-la como uma crise. Nós temos que manter os combustíveis fósseis embaixo da terra e precisamos focar em igualdade (…) Nós não viemos aqui para implorar para os líderes mundiais se importarem. Vocês nos ignoraram no passado, e vocês vão nos ignorar novamente. Estamos ficando sem desculpas e estamos ficando sem tempo. Nós viemos aqui para informá-los de que a mudança está chegando, quer vocês queiram ou não”, cravou.

Autismo e estilo de vida

Filha do ator sueco Svante Thunberg e da cantora de ópera Malena Ernman, a jovem é portadora da Síndrome de Asperge, considera por muitos um autismo leve, condição que ela faz questão de exibir na descrição de seu perfil no Twitter que soma mais de 300 mil seguidores, ao lado de “ativista do clima”.

Aos 11 anos, desenvolveu um quadro de depressão, parou de falar e até de comer. Em dois meses, perdeu dez quilos. Pouco tempo depois, a jovem foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo (DSM-IV), um transtorno psicológico caracterizado pela recusa em falar em determinadas situações, mas em que a pessoa consegue falar em outras.

“Basicamente, isso significa que só falo quando julgo necessário”, explicou a menina durante palestra do TEDx em Estocolmo no ano passado. E isso inclui seu alerta sobre a crise climática. “Para nós autistas, quase tudo é preto e branco. Normalmente não mentimos e não gostamos de participar de jogos sociais, que parecem tão atraente a maioria de vocês”, disse em tom de crítica. Ela se mostra indignada com o fato das pessoas considerarem a mudança climática uma ameaça existencial, mas seguirem suas vidas sem efetuar mudanças.

Acompanhada: Greta durante manifestação pelo clima em 15 de março. (Pontus Lundahl/TT News Agenc/Reuters);
“Eu não entendo isso. Se emissões precisam ser reduzidas, então precisamos detê-las.  Para mim, não há áreas cinzentas quando se fala em sobrevivência. Ou seguimos em frente como civilização, ou não. Precisamos mudar”, defendeu a jovem no TEDx, cujo vídeo pode ser visto no YouTube.Durante o Forum Econômico Mundial, realizado em janeiro em Davos, a estudante sueca reiterou a necessidade de ações urgentes em prol do clima. “Eu não quero que você seja esperançoso. Eu quero que você entre em pânico. Eu quero que você sinta o medo que sinto todos os dias. E então eu quero que você aja. Precisamos agir como se a nossa casa estivesse em chamas, pois ela está”, declarou a empresários e políticos presentes  no evento.

Riscos associados à mudança do clima e meio ambiente, aliás, lideram o ranking de preocupações para a economia global, segundo o Relatório sobre Riscos Globais produzido pelo Fórum.

Embora Thunberg acredite que, no combate às mudanças climáticas, a ação política supere em muito as mudanças individuais no estilo de vida, ela faz questão de dar o exemplo, tomando medidas significativas para reduzir sua própria pegada de carbono.

Na medida do possível, ela não voa mais, optando por viajar apenas de trem, também deixou de consumir carne e laticínios após saber como o consumo de produtos animais contribui para os danos ambientais e repensou hábitos gerais de compra, além de seguir a regra dos três “erres” – reduzir, reutilizar e reciclar – que podem fazer uma enorme diferença para o bolso e para o meio ambiente.

Nesta semana, Thunberg foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz por três deputados noruegueses, para quem “o gigantesco movimento que Greta pôs em ação é uma contribuição muito importante para a paz mundial”. Ela também foi considerada a mulher mais influente do ano na Suécia e um dos 25 jovens mais influentes de 2018. Por suas atitudes, a pequena se agigantou.

Fonte: Revista Exame

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