Condensação de pisos e paredes causa desconforto em períodos de frio e umidade; Veja como amenizar o problema

A umidade dos últimos dias fez as paredes da sua casa parecerem uma encosta da Serra? Diante disso, você correu para abrir todas as janelas a fim de fazer o ar entrar para secar tudo imediatamente? Então, você é um dos tantos seres humanos que cometem esse mesmo erro ao tentar se livrar dos incômodos da umidade dentro de casa. isso causa desconforto aos moradores. Essa condensação ocorre quando uma o ar quente e úmido na casa faz contato com uma parede ou piso mais frio, ou quando o ar frio de um ar-condicionado faz contato com uma parede mais quente. Em uma casa com paredes suando e o chão úmido, essa condensação é a causa mais provável de umidade, quando não há sinal de infiltrações ou vazamentos. Para remover essa umidade, há algumas soluções plausíveis e que irão, permanentemente, remover o excesso de umidade da sua residência.

— Esse é o principal erro de 90% das pessoas. Abrir as janelas para que o ar mais quente da rua entre só faz piorar o problema — garante a arquiteta Izabel Monatelli.

Segundo ela, pouco se tem a fazer em dias de umidade excessiva. Nem desumidificadores, nem horas passando paninho em paredes e espelhos adianta. Secar a parede com panos, inclusive, pode danificar a pintura dependendo do tipo da tinta utilizada. Se a ideia é refazer a pintura de algum cômodo, deixe o tempo melhorar, porque a tinta vai escorrer, e o gasto será maior.

— A umidade está no ar, o jeito é relaxar e esperar passar — diz.


Confira algumas dicas para amenizar a umidade em casa


Banheiro
É um dos mais afetados quando o assunto é a umidade. Geralmente, o teto fica escuro de mofo. Outro problema são os rejuntes dos azulejos, que podem acumular fungos. Ventilar o cômodo é fundamental. Depois de um banho quente, abra a janela do banheiro para sair o vapor, assim como a porta.

— Se o banheiro ficar fechado o tempo todo, não há como fugir do mofo — ressalta Izabel.

Quem não tem janela no banheiro deve contar com exaustores para tirar a umidade e, de preferência, manter a porta do banheiro aberta o maior tempo possível. Secar as paredes com toalhas ou papel não ajuda muito.

Caso o mofo apareça, deve-se limpá-lo, ou ele pode se espalhar nos rejuntes e no teto. Utilize uma esponja macia com água e sabão neutro. Nos rejuntes, a mesma fórmula funciona. Alvejante e cloro podem ser usados, mas se corre o risco de deixar a superfície amarelada.

Quando o mofo impregnar no material, será necessário tomar medidas mais drásticas, como descascar, lixar e passar produtos impermeabilizantes. Usar tinta antimofo também é uma boa opção.

Cozinha
Ao cozinhar, o vapor das panelas pode tomar conta do ambiente. O ideal é deixar as janelas da cozinha sempre abertas durante os processos de cozimento.

— Se tiver uma peça próxima com janela, é indicado abrir para criar uma corrente de ar — diz Izabel.

Quando o bolor aparecer nas paredes ou azulejos, siga os mesmos procedimentos usados no banheiro — de preferência, uma esponja com água e sabão neutro. Tinta antimofo pode ser usada na casa toda e é uma boa indicação.

Ventilação e iluminação
Abra as janelas da casa e deixe sol entrar e o ar circular pelas peças pelo menos duas vezes por semana. Assim, há menos chances da umidade se acumular e de aparecerem bolhas, mofos e manchas em sua casa. Não deixe tudo fechado por estar frio.

Para auxiliar no processo, a dica é usar um ventilador nas peças úmidas. Outra boa opção é ligar o ar-condicionado como desumidificador. Com relação às estufas, não é indicado utilizá-las no banheiro, pois a umidade pode levar a curtos-circuitos e gerar acidentes.


Roupas
Os guarda-roupas fechados em ambientes úmidos podem ocasionar mofo nas peças. Pelo menos duas vezes por semana, é indicado abrir todas as portas do armário por algumas horas para ventilar. Mexa nas roupas e mude os cabides de lugar para ajudar na circulação de ar. Cuidado para o sol não bater diretamente, pois pode desbotar as peças. Dentro do guarda-roupa, deixe um recipiente desumidificador de ambientes (disponível em supermercados).

Se o mofo aparecer, use um pano com vinagre ou álcool para retirar a mancha. Depois, lave normalmente.

A umidade é uma das maiores inimigas dos aparelhos eletrônicos, mas cuidados bem simples podem safar os equipamentos desse clima molhado. Engenheiro eletricista e coordenador do curso de Engenharia Eletrônica da Unisinos, Rodrigo Marques de Figueiredo explica que eletrodomésticos como liquidificador e batedeira, que têm circuitos mais antigos e usam tensões mais altas, aguentam a umidade sem maiores problemas. 

Seguindo na cozinha, ele chama a atenção para o micro-ondas e, neste caso, localização é tudo, independentemente de o dia ser daqueles de “paredes em bicas”. O aparelho não deve estar sobre o fogão, na mira dos vapores liberados no preparo dos alimentos, nem perto da área de serviço e da pia, locais com muita umidade. A dica de Figueiredo — que serve para outros equipamentos — é fixar nas entradas de ar desses objetos um daqueles saquinhos de sílica que costumam vir em sapatos e bolsas e geralmente são descartados. 

— Isso ajuda a absorver a umidade que chega pelo ar. Quando ela ficar pastosa no saquinho, é a hora de trocar — explica Figueiredo.

Para computadores, notebook, tablets e celulares, a dica é mantê-los nos locais mais secos da casa. Os mais modernos já vêm com uma selagem especial que barra grande parte da umidade, e muitos eletrônicos também ganham “um banho” de fungicida de fábrica, mas isso dura mais ou menos o tempo da garantia do produto. Então, melhor não deixá-los dando sopa por aí.

Os principais fabricantes de produtos eletrônicos também aconselham a limpar os equipamentos de tempos em tempos. Com cuidado, é possível abri-los e higienizá-los com um pano ou pincel macio. Não aconselha-se assoprar os equipamentos, já que nesse empurrãozinho de ar vão também partículas de saliva que umedecem os circuitos, podendo danificá-los.

O uso de secador para aplacar a umidade também é controverso. Muitos especialistas não recomendam exatamente pelo fato de que, com o jato de ar, podem ser deslocados para dentro dos aparelhos mais poeira e outras partículas prejudiciais aos componentes eletrônicos, sem contar que uma temperatura muito elevada e o posicionamento muito perto dos sistemas podem causar danos. Aliás, calor e umidade são uma combinação fatal para esses equipamentos.

— Calor e umidade geram fungos, e fungos adoram eletrônicos, eles “comem” os sistemas, e os aparelhos estragam mesmo — diz Figueiredo

Umidade em seus extremos não faz nada bem à saúde. Os principais incômodos envolvem o sistema respiratório. Médico pneumologista e presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul, Adalberto Rubin lembra que, em dias de umidade alta, os germes proliferam com mais facilidade, aumentando a concentração desses microrganismos no ar. Essa condição combinada com ambientes mais fechados é um prato cheio para o aumento de casos de rinite, sinusite e infecções respiratórias de toda ordem.

Crianças e idosos são os mais suscetíveis a problemas desse tipo, assim como aqueles que já sofrem de doenças respiratórias crônicas.

A dica do especialista é manter sempre aquecidos pés, mãos, cabeça e pescoço, além de manter os ambientes arejados ou, ao menos, abrir janelas de tempos em tempos para renovar o ar, mas sem criar canos de vento.

 — Com umidade nas paredes periféricas do corpo, as nossas defesas ficam mais vulneráveis — diz.

O médico também sugere que pessoas com problemas de saúde reforcem seus tratamentos preventivos nesta época do ano em que frio e umidade muitas vezes dão as caras juntos. Ele recomenda vacinar-se contra a gripe, e aqueles que têm indicação médica também podem procurar a vacina antipneumocócica. Ambas as imunizações estão disponíveis na rede pública. A da gripe, para grupos prioritários, até sexta-feira (15). Depois desse prazo, pode ser encontrada na rede privada. A  antipneumocócica é aplicada somente com receita médica.

O uso de desumidificadores pode ajudar no controle da umidade dos ambientes menores, mas não traz diretamente um benefício à saúde. No entanto, pelo fato de reduzir as chances de mofo, pode contribuir para amenizar os riscos causados por fungos. Rubin chama a atenção para outro ponto preocupante em relação ao bem-estar e à saúde das pessoas em dias de muita umidade: quedas. Pisos lisos nesses dias são armadilhas principalmente para idosos. Complicações por conta de tombos estão entre as principais causas de morte dessa população no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Com informações: GZH

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