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Clube do Livro: Entrevista com Márcia Silva, autora de “Interferência”

“A história nos mostra o quanto o entendimento linguístico é importante para o conhecimento cultural de um povo e para evitar equívocos de interpretação em relação ao modo de viver e pensar de uma população.”

Márcia Silva

Hoje vamos bater um papo com Márcia Silva, autora do livro “Interferência”, livro de estréia da autora e primeiro da Série Krios. Mas primeiro, vamos conhecer um pouquinho do livro:

O LIVRO

INTERFERENCIAEm um futuro distante, a Terra muda radicalmente após um longo período de guerras. A unificação proporciona o desenvolvimento de tecnologia suficiente para descobrir vida em outros planetas e viajar até eles, mas o convívio pacífico ente humanos e extraterrestres depende da Comunicação. Qualquer interferência é perigosa. Uma série de eventos pode ameaçar a paz. Sua manutenção agora depende de uma jovem terráquea que mora em um pequeno planeta. Ela será capaz de desvendar todas as pistas para solucionar os problemas? Poderá confiar em alguém para ajudá-la? Conseguirá aliados entre os terráqueos ou sua vida e seu futuro dependerão de um extraterrestre? Não há tempo para pensar nas respostas. É preciso correr atrás delas.

A Autora

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1- Qual a sua formação acadêmica?
Sou formada em Letras, Português-Literaturas, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). No meio do curso me apaixonei por Latim e decidi seguir carreira. Assim, me graduei também em Português-Latim, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi nessa Universidade que cursei uma Especialização em Latim e Mestrado e Doutorado em Letras Clássicas. Lecionei Língua Portuguesa para alunos do segundo segmento do Ensino Fundamental em escolas do Município do Rio de Janeiro por 9 anos logo depois que me formei na UERJ. Também fui professora de universidades particulares, antes e durante o mestrado. Depois que defendi minha dissertação fiz concurso para a UERJ e, desde 2002, integro o corpo docente do Departamento de Letras Clássicas e Orientais do Instituto de Letras, hoje como Professora Associada. Além de lecionar, faço pesquisa e extensão. Também atuo na parte administrativa. Já fui Vice-diretora e Coordenadora de Graduação do Instituto e Chefe do Departamento. Atualmente sou sub-chefe do Departamento LECO e leciono as disciplinas de Língua Latina, Cultura Clássica e Literatura Latina.

 

2- Quando criança qual era seu grande sonho?
Sinceramente, não sei dizer. Só sei que tinha certeza que não queria ser professora. Como a gente muda! Amo lecionar.

 

3- Como começou a sua paixão pelos livros?
Não me lembro muito bem. Mas me recordo de dois episódios da minha adolescência que mostra bem como gostava de livros. Em um deles, fui ao aniversário de uma tia e, umas três horas depois que chegamos, minha mãe foi brigar comigo, porque estava o tempo todo no quarto lendo um livro que havia levado. O outro foi, ou melhor, era na escola, pois acontecia todos os dias, durante todo meu ensino médio. Na hora do recreio, enquanto todos estavam no pátio, eu ficava na biblioteca ou no corredor lendo.
 

4- Mais alguém na sua família tem essa “louca paixão”?
Minha filha gosta muito de ler também. Hoje, na faculdade, não sobra tanto tempo, mas quando tinha uns 15 anos, ela lia compulsivamente e tirava dúvidas sobre o que estava lendo. Isso me fez começar a ler os livros juvenis e me inspirou a escrever para esse público.
 

5- Você já tinha pensado em escrever uma ficção?
Eu adorava escrever narrativas nas aulas de redação e escrevi alguma poesias na adolescência. Amava as aulas de Literatura e pensava em ser escritora, por isso fui fazer Letras, mas acabei me desencantando e tomando outro caminho. O curso não me incentivou a produção criativa e, ao ler os autores canônicas, me fez pensar que não era capaz de escrever como eles. Além disso, me encantei pela ideia de dar aulas de Latim. Isso tudo fez com que deixasse de lado o sonho de ser escritora, que ficou adormecido até 2014, quando comecei a compartilhar as leituras com minha filha. Enquanto lia, pensava que, para o público juvenil, eu era capaz de escrever. A ideia foi se fortalecendo aos poucos e também a história. Até que decidi sentar para escrever.

 

6- Qual a parte mais difícil no processo de escrever?
Para mim é, justamente, esperar que as ideias se organizem e amadureçam para finalmente se tornarem possíveis de serem escritas.

 

7- Quais autores você admira e, que de certa forma, influenciaram no seu trabalho?
São tantos. Amo autores clássicos, como os comediógrafos Aristófanes e Plauto e o poeta Ovídio, a quem dediquei minhas pesquisas de Mestrado e Doutorado. Adoro também os romances de Machado de Assis e José Saramago, além dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Manoel Bandeira. Aliás meus gostos literários foram herdados pela Dora e pela Helen em “Interferência”. Mas em relação à influencia na construção da minha escrita para o público jovem eu preciso citar Suzane Collins. Rick Riordan, Kiera Cass e, especialmente, J. K. Rowling.

 

8- Como foi o processo criativo para o seu livro “Interferência”?
A ideia foi vindo aos poucos. Primeiro vislumbrei a personagem Dora Dias, depois pensei em desenvolver a história em outro planeta, decidindo pela ficção científica, mas tudo ficou por um tempo no mundo das ideias. Em 2015, meu gatinho de 2 anos morreu de leucemia. Fiquei arrasada e acho que para me distrair consegui começar de fato a colocar a história no computador. A partir daí a narrativa foi fluindo muito rapidamente. Meu Sapeca, o gato a quem dediquei o livro, foi a inspiração para criar o kimi, animal fofíssimo do planeta Krios.

 

9- Como você se sentiu quando viu seu livro lindo e prontinho para lançamento?
Foi uma emoção muito grande, especialmente, por causa do momento da vida que eu vinha passando. Foi uma grande vitória.

 

10- Como tem sido sua relação com os críticos literários brasileiros? E quando falo em críticos, não me refiro somente aos que fazem por profissão, mas aos leitores também, que hoje em dia tornaram-se grandes influenciadores nessas questões através das redes sociais.
Estou muito feliz com o retorno extremamente positivo dos leitores até agora. Abriu para mim um universo desconhecido. Pessoas de todas as idades já elogiaram “Interferência”, desde, crianças de 10 anos até colegas de UERJ, acostumados com autores consagrados. As resenhas também estão sendo ótimas e os comentários críticos me ajudam a repensar a escrita e, certamente, influenciaram em alterações que fiz no segundo livro da série Krios, “Traição” e trouxe ideias para o último livro. 

 

11- Interferência foi seu primeiro livro, lançado em 2018. Agora temos a continuação dessa série “Traição” que será lançada na Bienal do Rio. Como está a expectativa? A ansiedade de lançar um livro em um evento tão importante na área da literatura é muito grande?
Sim. Estou bastante ansiosa. Não dá para saber se vai ter público ou não e como vai ser a recepção desse segundo romance. Eu sou como a Dora Dias, paciência não é uma das minhas virtudes. Espero que os leitores gostem de “Traição” como têm gostado de “Interferência”. Vamos ver.

 

12- Nos conte uma situação inusitada envolvendo livros… algo que aconteceu com você e que seja fora do comum:
Acho que situação propriamente inusitada foi a minha decisão de finalizar o livro “Interferência” e publicar. Comecei a escrever em 2015, mas deixei inacabado. No final de 2017, descobri um câncer de mama. Depois do susto e do surto inicial, decidi enfrentar com criatividade. Fiz cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Durante o tratamento, enquanto estava de licença médica, aproveitei para retomar o projeto, concluir o livro e buscar editora para a publicação. Fiz o lançamento em outubro de 2018, comemorando, ao mesmo tempo, meu aniversário, o término do tratamento com a remissão da doença e a finalização do livro.

 

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Realize seus sonhos.
Não deixe para depois.
A vida é muito curta para postergar o que te faz feliz.
Márcia Silva

O livro 2 da Série Krios “Traíção” foi lançado hoje, dia 8 de Setembro de 2019, na Bienal do Rio de Janeiro.

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Convite
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Sessão de Autógrafos na Bienal do Livro, Rio de Janeiro

 

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