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Precisamos falar sobre suicídio…

São inúmeros os motivos que levam ao suicídio. Os números são angustiantes. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, ou uma a cada 45 minutos, o que faz do país o oitavo com mais suicídios do planeta. Somente em 2018, São Joaquim teve 11 suicídios, tornando o município o lugar com o maior índice de suicídios do estado.

Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem, de fato, terminar com suas vidas. “Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda”, afirma Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS.

Entre os principais motivos, destacamos: solidão, depressão, luto ou perdas afetivas, dificuldades financeiras ou profissionais, problemas no casamento ou relacionamento e bullying.

No caso dos jovens brasileiros, a média de suicídio continua alta e entre os principais fatores estão: depressão, uso excessivo de álcool e drogas, violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying.

É necessário levar esse assunto a sério oferecendo ajuda e encaminhando a profissionais ou centros especializados.

Em breve, em São Joaquim, poderemos contar com o Centro de Valorização a Vida – CVV, o qual terá sede no Hospital de Caridade Coração de Jesus. Porém, a qualquer momento, é possível discar 188 de qualquer telefone e receber auxílio. A ligação é gratuita e suas informações serão mantidas em sigilo.

Pessoas que pensam em suicídio sempre comunicam sua intenção de alguma forma.

É sabido que as pessoas que atentam contra a própria vida, comumente buscam na verdade interromper uma condição de sofrimento e dor que seja demasiadamente insustentável. De modo ambivalente, não se deseja a morte, mas matar aquela parte dolorosamente insuportável de si.

É lenda a ideia de que falar sobre suicídio aumenta o risco para o mesmo, muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

Dessa forma, as estratégias de prevenção do suicídio vão além das ações dos profissionais de saúde e só ganham potência quando há um trabalho de sensibilização de toda a sociedade. Estas ações devem ser realizadas por meio de informações pertinentes que viabilizem a discussão e conseqüentemente a quebra de tabus, preconceitos e medos, focando numa rede vigilante e conectada que promova uma escuta ao outro que valide e acolha o sofrimento, dentre outras possibilidades de manejo mais assertivas.

O Blog do Dan Josua publicou, no dia 01 de fevereiro de 2018, importantes reflexões com o tema, “Como cuidar de alguém que está sofrendo com pensamentos suicidas” e gostaríamos de compartilha-las com nossos leitores do saojoaquimonline.

** Você encontra a matéria na íntegra clicando “aqui” (https://danjosua.blogosfera.uol.com.br/2018/02/01/como-cuidar-de-alguem-que-esta-sofrendo-com-pensamentos-suicidas/)

(…) Muitas vezes, evitamos até falar sobre o assunto, receando que, de alguma maneira, a conversa incentive alguém a se matar. A exposição na mídia até pode ter esse efeito em alguns casos, mas existem maneiras responsáveis de abordar o tema. No lugar de cenas fortes e teatro midiático, podemos oferecer esperança, um caminho para quem está sofrendo desse jeito, porque tratamentos efetivos existem.

Se você conhece alguém que está sofrendo com isso e gostaria de ajudar, mas não sabe muito bem como, talvez as informações que darei aqui sejam pistas.

Em primeiro lugar, certos mitos precisam ser quebrados. Frequentemente, ouvimos que “quem quer se matar não avisa antes”. Entretanto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos dois terços das pessoas que tentaram se suicidar ou que de fato se suicidaram haviam comunicado sua intenção para amigos ou familiares. Ouvir e levar a sério é fundamental.

Depois, é importante entender o que costuma acontecer dentro da cabeça de alguém que chegou ao ponto de pensar em retirar a própria vida. Vários estudos apontam que as pessoas com ideação suicida (ou seja, que pensam em se matar) costumam apresentar três sinais típicos.

  1. Elas se sentem fracassadas: “Eu lutei ao máximo e não foi o bastante”;
  2. Elas sentem desesperança em relação ao seu futuro: “As coisas não têm como melhorar”;
  3. Elas se sentem presas em suas vidas: “Não há saída para os meus problemas”.

Sentir tudo isso é extremamente angustiante. No entanto, as coisas não permanecem do mesmo jeito para sempre. O tempo muda tudo e é nosso maior aliado na luta pela vida. Essas certezas que invadem a cabeça de uma pessoa que pensa em se matar, como todas as certezas do mundo, são passageiras.

O que todos precisam é de apoio para passar pelas fases em que estão sofrendo. Isso é verdade para mim e é verdade para você. Isso é mais verdadeiro ainda para alguém que está pensando em suicídio.

Por isso, mais do que procurar soluções ou tentar refutar a visão da pessoa sobre si mesma –procurar convencê-la do quão legal ela é, por exemplo–, é fundamental oferecer um ombro e uma escuta. Mostrar que ela não está sozinha.

É importante enfatizar: escute de forma empática e não tente solucionar todos os problemas da pessoa por ela. Escutar de forma empática é ouvir a história de alguém, tentando vestir a sua pele e sentir como ele se sente.

É ainda fundamental evitar qualquer  julgamento. Mesmo os bem-intencionados. Frases de efeito como “pense positivo” ou “se você confiar em Deus e trazê-Lo para o seu coração…”, mesmo que ditas com a melhor das intenções, podem ter um efeito devastador em alguém sofrendo com ideações suicidas. 

Assim, no lugar de dar sugestões e tentar encontrar soluções genéricas pela pessoa, faça perguntas. Uma excelente maneira de começar uma conversa com alguém que está sofrendo de ideações suicidas é dizer coisas como: “Cara, como você está?”, ou “Ando sentindo você pra baixo nos últimos tempos e queria saber se quer conversar comigo sobre o que está acontecendo”. 

Falar essas poucas palavras pode parecer simples. Ouvir essas palavras, porém, pode ser profundamente transformador. Essas perguntas simples são a porta de entrada para uma conversa que deixa claro: “Eu me preocupo com você. Eu quero ouvir a sua história”. Ouvir qualquer forma de “Eu me importo com você” pode ser muito poderoso.

Lembre-se, também, de não forçar a barra: não fique insistindo se a pessoa não estiver a vontade de falar no momento. Mas deixe a porta aberta para outras (possíveis) conversas no futuro. Converse em um lugar tranquilo, onde vocês possam falar sem interrupções e sem medo de que alguém vá escutar.

Ao longo desse papo, use algumas estratégias para ser um bom ouvinte:

  • Demonstre que está atento. Por exemplo, concorde com a cabeça, deixe claro por meio do olhar que você está concentrado e que você se importa;
  • Faça perguntas abertas, por exemplo: “Como você se sentiu quando pensou nisso?”, ou “o que passou na sua cabeça naquele momento?”. Evite fazer indagações do tipo sim ou não: elas costumam travar a conversação. Também evite questionar por que a pessoa está pensando em se matar, pergunta muito difícil e, muitas vezes, aversiva para a pessoa com pensamentos suicidas;
  • Verifique se você está de fato entendendo o que a pessoa está dizendo. “Você quis dizer que está exausto?”.

Ao escutar e dar suporte, fique especialmente atento para frases que revelem a existência de um plano suicida imediato ou muito próximo:

“Eu não aguento mais, vou fazer isso hoje à noite” são sinais de alerta muito importantes.

Nesses casos, não deixe a pessoa sozinha –ela corre um risco de vida elevado. Busque por ajuda imediatamente, ligando para um médico ou para o Centro de Valorização da Vida. Garanta a segurança dessa pessoa, afastando-a de meios e objetos letais. E, claro, se possível, tente  levá-la imediatamente para um atendimento profissional. Procure um médico ou alguma unidade que atenda emergências desse tipo.

Mesmo que o plano não seja imediato, que a pessoa relate que apenas pensa no assunto ocasionalmente, incentive-a a procurar ajuda. Sugira um psiquiatra ou um psicólogo. Garanta que ela saiba como procurar auxílio – e, se ela não souber, ajude-a a procurar um profissional qualificado.

Por fim, lembre-se que dar suporte para tanto sofrimento também é uma carga pesada. Procure você também ajuda. Fale com o CVV. Vá atrás de terapia. Você também precisará de cuidados depois dessa experiência.

Juntos, podemos combater o sofrimento.

Se você está pensando em retirar a sua própria vida, saiba: existe esperança, mesmo que agora você não esteja conseguindo enxergar. Procure um psicólogo ou um psiquiatra. Ligue (ou entre no chat) do Centro de Valorização da Vida (telefone: 188; chat: https://www.cvv.org.br/chat/). Procure alguém para conversar. Você não precisa ficar sozinho nessa.

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