A razão é a voz do silêncio? – Por Henrique Córdova

É imprescindível um catecúmeno isolamento, para, com isenção ideológica, atenção e cuidado, analisar o momento vivido pelo Brasil e formular um juízo razoável sobre a sua atual realidade social, econômica e política. Primeiramente, é constatar que ainda sentimos, e vamos continuar sentindo por muito tempo, em forma de persistentes resistências e apegos, os efeitos das administrações públicas imediatamente anteriores e dos impactos que elas nos causaram, que não foram poucos e foram muito mais fortes do que estávamos habituados a sentir.

As instituições, todas, foram aparelhadas pelo PT e operadas de modo a atingir, sem exclusão de meios, objetivos delineados para manter o poder em suas promíscuas mãos, indefinidamente. Entre os mais deletérios meios, estava a apropriação privada do erário, em proporções alarmantes e jamais vistas no mundo ocidental, sob a justificativa de que era lícito ao povo, por essa via, expropriar os bens da espoliadora burguesia nacional.

No caso, o povo se confundia com seus “representantes” no poder A doutrinação socialista, prolongada, sub-reptícia e destorcida, em todos os níveis da administração pública, prorrogou-se para toda a sociedade.

Ao endeusamento dos trabalhadores, sem a observância das diferenças de qualificação entre eles, prometeu premiação à ineficiência e comprometeu a sustentação dos setores que ocupavam mão de obra desqualificada ou de inicial qualificação específica.

Consectariamente, demonizou-se o empresariado sério e produtivo. A disseminação e consolidação de privilégios, em todas as áreas, criou, também, intermediações remuneradas e corruptas, que desestimularam iniciativas e eliminaram pequenas células produtivas… Enfim, estabeleceu-se a cultura do caos e erigiu-se a supremacia da mediocridade gananciosa e sem moral…

E o Brasil tornou-se o que é. Sua economia foi desarticulada e devastada. Quando a maioria do povo acordou e resolveu mudar a situação, Bolsonaro, que sempre foi a antítese do que se pregava e fazia, estava preparado para ser o estuário político da revolta popular a ser resolvida democraticamente. As eleições que o transformaram em presidente da República, nada mais fizeram do que chancelar uma vontade transformista.

Durante a campanha, Bolsonaro disse o que pretendia fazer e o seu nome passou a ser sinônimo do que preconizou. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal continuou e continua sendo uma corte política tendenciosa e deformada através das absurdas decisões monocráticas, que o dividiu em onze ilhas autônomas, ou o multiplicou por onze órgãos decisórios e, em sua maioria, fiéis aos seus patrocinadores… Um escândalo contínuo.

O Congresso Nacional, que todos julgaram renovado pela eleição, continua sendo dominado pelos remanescentes do passado… O atual presidente da Câmara dos Deputados, que já era presidente enquanto Bolsonaro não passava de um mero integrante do baixo clero parlamentar, resolveu ser o árbitro do País, com todo o infantilismo de suas especiais susceptibilidades… Ridículo. A mídia, dominada por gente de formação deficitária aferrada ao obsoleto, que a alimenta, e resistente às mudanças, mutila a realidade e transmite ficções venenosas.

Assim, o passado ruinoso se antepõe de maneira impeditiva ao avanço do necessário novo… São as instituições manejadas pelo vício impedindo que virtuosas se imponham, como é necessário e desejado. Instituições envelhecidas estão impedindo o nascimento das novas… Eis porque se procura, por todos os meios, desmoralizar um governo que está, heroicamente, tentando fazer o que prometeu em campanha… Mesmo que o governo não consiga fazer tudo o que prometeu fazer, mas que estanque a corrupção sistemática que afundou a nau nacional, já terá feito muito… A corrupção na administração pública brasileira começou a ganhar corpo atlético no governo de FHC, quando ele comprou parlamentares para reformar a Constituição e permitir a própria reeleição à maneira de Menem na Argentina… ( Aliás, em nosso Estado, já se tinha notícia da compra de votos de deputados para eleição, desde quando Aristiliano Ramos acusou seu primo Nereu, de tal prática, na década dos anos trintas…} Desenvolveu-se nos governos ulteriores e destruiu o Brasil.

A reconstrução não será fácil. Sofrerá fortes resistências. Demandará a depuração das instituições, que não será tarefa para pouco e rápido trabalho e exigirá coragem e persistência de Bolsonaro…
João Barbalho, em seus comentários à primeira Constituição da República, citava: “As instituições, por melhores que sejam, não dispensam os homens de serem sisudos”. Verdade absoluta. Enquanto as instituições abrigarem corruptos, e elas ainda estão cheias deles, o governo será boicotado em suas ações.

A depuração, a ser feita, deve sê-lo de maneira humana, portanto sem arrogância, prepotência, preconceito e com espírito de justiça. Demanda tempo e apoio popular, coragem, persistência e desprendimento. Deverá enfrentar, com naturalidade, mas sem concessões, certa mídia habituada a viver da liberalidade interesseira de um erário irresponsável. Tudo muito fácil de dizer, mas extremamente difícil de fazer… Ninguém imagine serem os homens tão generosos ao ponto de abrirem mão de seus arraigados privilégios, em nome do bem comum.

As mudanças em curso e as necessárias para que alcancemos a rota virtuosa do desenvolvimento, em seu conceito mais amplo que o de mero crescimento econômico, com que muitas vezes é confundido, encontrarão, a cada instante e a cada iniciativa, da mais simples à mais complexa, fortes paliçadas e fossos de resistência, que precisarão ser enfrentados com ímpeto e coragem, caso contrário, far-se-á alarido sem efeito prático… “Tiro sem bala atroa, mas não fere”…

Como, em política, dificilmente haverá unanimidade, é preciso que a maioria que elegeu Bolsonaro se mantenha unida e mobilizada contra os atuantes quadrilheiros que saquearam o erário e feriram a Nação, sem deixar, um minuto sequer, de minar os esforços em favor de nossa redenção…
Oxalá, possamos repetir, relativamente ao Brasil e aos brasileiros, Petrarca, quando disse, ante a decadência de Roma:
“ A virtude tomará armas contra o furor e tornará o combate muito curto, porque o antigo valor ainda habita o coração dos romanos”.

1 COMENTÁRIO

  1. Dr. Henrique Córdova, como sempre demonstrando que tem capacidade e inteligência. Deveríamos ter mais pessoas capazes como ele.

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