Quem dá aos pobres empresta a Deus

Igreja Matriz de Sao Joaquim

Com meu neto, Pedro, como faço seguidamente, fui ao supermercado de sempre fazer as compras da semana. Nele, logo topei com um velho esmoleiro que parece adivinhar os dias e horas em que lá pode encontrar-me. Sem qualquer palavra, abri minha velha, surrada e insubstituível carteira, onde as notas se acomodam inconfortavelmente, o que demonstram pela facilidade com que dela saltam, retirei R$15,00 e os estendi ao mudo, mas presencial pedinte.

Ele os guardou no bolso alto e interno de um velho e surrado paletó de lã desfiada e saiu sem olhar para mim e sem agradecer. Enquanto escolhia as frutas que em minha casa se consomem, aproximou-se um segundo “fregues”. Olhou-me de esguelha e nada fez ou disse. Continuei a minha tarefa, enfrentando uma pequena fila na padaria. Dela saí e me dirigi ao açougue, imaginado que o segundo mendigo fizera outra vítima e, desta vez, me dispensara, pensando em dobrar o faturamento em próxima abordagem… Quando cheguei ao açougue, vi que me enganara… À minha espreita estava o “fregues”, ávido, para sacar sua quota do “fundo da generosidade” de que sou um representante… Abri a velha carteira e, dela, para as mãos mendicantes voaram R$20.00…

Em seguida, um “auxiliar de caixa” transmitiu-me o recado de uma respeitável senhora, uma das caixas do estabelecimento, que, sempre encontrava uma maneira de, entre mil sorrisos e incontáveis gentilezas, além de agrados ao Pedro, me atender, mediante a gratificação de R$ 20,00 reais que espontaneamente eu lhe oferecia e que ela aceitava com hipócrita relutância.. Assim que o “auxiliar de caixa” colocou, no porta malas de meu SUV as mercadorias compradas, ofereci-lhe R$20,00 e ele os aceitou, olhou para os lados e saiu apressado em direção ao seu posto… Fui à floricultura apanhar um belo buquê de lindas e perfumadas rosas vermelhas colombianas que encomendara para oferece à minha mulher às vésperas dos 57 anos de casamento..

Na saída da floricultura, à minha espera, estava a vendedora de sabão artesanal que costumava vender-mo-los por preço superior ao que os vendia a outras pessoas. Paguei o sabão e corri à loja onde pegaria e pagaria um casaco forrado com penas de ganso, rosa, para presentear à martir a 57 anos… Cumpridas as tarefas, com o Pedro já impaciente ao meu lado, ao acionar o motor do carro, alguém bate forte no vidro ao meu lado… Vi que se tratava do filho de um antigo banqueiro de “sete baiano” que atuava em São Joaquim. Conhecia-o desde criança. Por isso recorri, rapidamente, à carteira, já cansada de tanto abrir-se, saquei mais R$ 20,00 e os dei ao impertinente pedinte. Ele, com um olhar repreensivo, pegou o dinheiro e declarou;

  • É, eu ia pedir mais, mas como o senhor ofereceu esse de bom coração, vou dar-me por satisfeito…

Virou-se e foi embora…Então recordei-me do que me diziam, desde criança:
– Quem dá aos pobres empresta a Deus.

Ao chegar em casa, Marita, a minha mulher pediu as nota das compras, examinou-a e comentou:
Destas notas, não constam as gorjetas e as doações…

Fiz que nada ouvi e corri para o banheiro, onde encontrei o Pedro que dele saía..

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