Itinerário – Por Henrique Córdova

Não nos demoramos pensando em nossa viagem pelo Planeta, da qual sequer conhecemos o caminho.
Erramos pelo mar das circunstâncias, sem saber quando e em que porto atracaremos para não mais navegar
e ludibriamos, assim, a fascinante angústia existencial, incomparável, mas finita.
Somos mistério, busca permanente e imperfeição fugaz.
Mal sabemos do processo natural de que resultamos; menos ainda do funcionamento harmônico das unidades mínimas, inteligentes, que nos compõem;
que respondem a comandos acionados pelas ínfimas e mecânicas interações.
Até quando a humanidade, cada vez mais perfeita e capaz de adaptar-se às circunstâncias, será o que é?
Como será daqui há séculos?
Existirá?
Não.
Seguramente, não.
Ela morre, e com ela todo o universo, quando a consciência desaparece.
A consciência é a criadora de tudo;
e de tudo, o seu desaparecimento é a sepultura inviolável.
O universo desaparece para quem morre, como se nunca tivesse existido, mas continuará existindo, enquanto houver consciência e somente para ela.
O universo existirá enquanto houver humanidade, mas desaparece com a morte de cada ser humano.
Morremos, cada um de nós uma vez só; o universo morre, com a morte de cada um de nós…
É a nossa imaginável e inútil vingança.

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