O único canto – Por Henrique Córdova

O universo silente
E um mistério latente…
Após tempestade inclemente,
Mostrou a face sorridente,
Abriu os ouvidos lentamente
Para escutar o doce trinado
Do rouxinol encarcerado,
Que não ficou de bico fechado
E nem pelo cansaço calado.
Depois, tudo voltou a ser o que é.
Restou, apenas, uma indagação:
Como, uma pequena e canora ave,
Com a sua imutável e única canção,
Impôs-se soberana a quanto existe?
Ora, pelo milagre da mente,
Da mente, que tudo absorve e cria,
Da mente, que não mente, enquanto mente.

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