Alucinação – Por Henrique Córdova

Seu corpo sinuoso, sedutor e insinuante,
Volatilizou-se e fugiu de poucas roupas,
Para pousar além, ante possível amante,
Ao som de canções de duas vozes roucas.

A imagem do corpo, livre de cruéis algemas,
De todos os lúbricos, perversos e maus olhares,
Percorre o infinito, distante de todas as penas,
Buscando inúteis sacrifícios em todos os altares.

Os eternos, fortes e sublimáveis desejos criadores
Impõem-se, resolutos, nos momentos inexcedíveis,
Quando a travessia exige da substância dos atores,
As gotas seminais da construção dos insubstituíveis.

Condensa-se, então, a imagem descansada do corpo pronto,
Degelam-se picos pétreos dos incandescentes semeadores,
Para, sem censura, um novo, promissor e nupcial encontro,
Gerar alegremente a continuidade de vindouros sonhadores.

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