O dançarino – Por Henrique Córdova

Ao entardecer,
No horizonte sombrio,
Vestido de arco-íris,
Chapéu de abas caídas,
Frente ao mar sereno,
Dançava,
Ao ritmo de triste balada,
O que jamais reverei.

A melancolia,
Pelas veias transfundida,
Célere,
Percorreu todo o corpo silente
E pelo coração,
Dolorido e em transe,
À alma fria deslizou.

A música ainda ouço;
Seus passos vejo,
E, de minha alma aflita,
Sua imagem prisioneira,
Jamais se apagará.

Apenas voltará ao nada,
Quando nada restar
Do coração ponte
E da alma hospedeira.

Então, música não soará,
Passos não existirão,
Porque o dançarino
Não mais dançará.

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