Volta ao passado, sem medo do ridículo – Por Henrique Córdova

Hoje, fui lembrado de meus saudosos dias acadêmicos na Faculdade de Direito de Porto Alegre, URGS, quando, após perder uma eleição para a presidência do Centro Acadêmico André da Rocha, um colega, que também era um conceituado radialista gaúcho, convocou seus eleitores para formar “um gabinete paralelo”, nos moldes dos conhecidos “gabinetes das sombras” formados pelas oposições e comuns onde vigorava o sistema parlamentarista de governo… Ocioso dizer que davam em nada.

Caiam num paralelismo estéril e desmoralizavam até o quixotismo mais nobre. A lembrança veio-me quando vi a fotografia do “governo paralelo” destinado a combater à pandemia, presidido pelo sub-votado Deputado Federal Rodrigo Maia e composto por alguns governadores estaduais.

O ato é um acintoso ataque ao Governo Federal, que está envidando todos os esforços para minimizar os efeitos da pandemia no Brasil. A formação de um “governo paralelo” significa dizer que o Brasil não tem governo efetivo, ou que o governo não tem capacidade de agir eficazmente.

Todos, certamente, estão preocupados com os efeitos da incidência do “coronavírus” na população brasileira. Mas, os “governantes paralelos” ainda não foram capazes de dimensiona-los e podem ser surpreendidos em sua impotência para combate-los e diminuir seus efeitos danosos à sociedade brasileira.

Se houvesse sinceridade, espírito público e vontade de servir ao povo brasileiro nesses pretensos “governantes paralelos”, eles superariam divergências políticas, enterrariam momentaneamente suas pretensões futuras e legítimas, despir-se-iam da arrogância e da prepotência, armar-se-iam de didática humildade e colaborariam com o Governo, formando uma forte e eficiente estrutura federada para a luta contra o inimigo comum.

O que fizeram e continuam fazendo, é uma fatal aproximação do ridículo, que os marginalizará politicamente. Eles agem para derrubar Bolsonaro, Eles querem a chave do cofre forte da Nação. Eles ainda não se conscientizaram de que a capacidade de discernimento e de expressão do povo brasileiro mudou para melhor e apurou a percepção do seu senso crítico. Ainda não se alertaram de que a mídia, que os acolhe, não os qualifica, ao contrário, os coloca no rol dos sócios dos odiosos e indevidos beneficiários do Erário…

Eles só verão isso nas próximas eleições, quando forem julgados pelo povo que pensam enganar… O pior, é que Rodrigo Maia está se revelando um ambíguo e pérfido palrador. Ao falar do Governo e de suas medidas ante à crise as aprova, mas as acha insuficientes… Assopra para morder, o que é mais cruel do que morder e assoprar. Quem morde e assopra, inflige dor e procura ameniza-la, mas quem assopra e morde, tenta prevenir a forte dor que pretende infligir e é consciente dela.

Os governadores que acompanham Rodrigo Maia, ou que ele acompanha, são todos seus concorrentes na pretensão de suceder a Bolsonaro, o que significa que nenhum deles conseguirá chegar lá. São, hoje, escravos de uma mídia vingativa que mudará de lado conforme os seus interesses financeiros. Ao Deputado Rodrigo Maia, já lançado candidato a Presidência da República, mostro o exemplo do grande, honesto, experimentado e culto Ullysses Guimarães.

Ele era Presidente do PMDB, da Câmara dos Deputados e da Constituinte. Almejava a Presidência da República, como um beduíno sedento deseja água no deserto. Foi aconselhado a instituir o sistema parlamentarista de governo com a Constituição de 88, inclusive para ser o Primeiro Ministro, mas recusou… Pretendia ser o imperador temporário do Brasil, com o presidencialismo…

Foi para a eleição e não chegou a receber 3% dos votos válidos… Aos governadores integrantes do “governo paralelo”, lembro o Brizola, o Alkmin e o Serra. Nenhum deles chegou a realizar seu maior sonho… O povo vota em quem não conhece bem politicamente, como em Collor, e não vota em quem aprendeu a conhecer bem, como a Dória e outros…

O difícil, nas atuais circunstâncias brasileiras é aceitar as tentativas explícitas de protagonismo político de certos brasileiros… Os escolhidos, lembrem-se, quase nunca são os que se oferecem, mas, sim, os que o faro popular distingue… Ademais,como dizia Goethe: – “política é destino”… ,

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns pelo texto. Realidade do contexto político exemplar. Este é um dos seus melhores comentários, desde que passou a nos ensinar, um pouco de seu conhecimento político.

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