Campesinas – Por Henrique Córdova

Sem rumo,
Senão o do instinto,
Caminho coxilha afora,
E o perfume distinto,
Das flores, na aurora,
Sinto.

Revelam-se, de repente, buliçosas,
Como pequenos sóis e luas,
Espalhadas aos milhares,
Nos diários arrebóis, nuas,
Amarelas margaridas, voluptuosas…

E, além, todas as cores,
Vestem-se de flores.
E peles de pernas luxuriosas …

Amo as rosas, os cravos, os lírios,
Mais amo, porém, as pequenas,
Para mim sem nome e do campo,
Flores, com ou sem perfume.

Aos feixes, levo-as ao peito,
Junto do coração.
E só as deixo, quando murchas,
No insólito chão e já sem jeito
.

Não choro,
Porque na próxima primavera,
Ressuscitadas, brilhantes,
Perfumadas ou não,
Carnes alvas, vibrantes,
Voltarão para nova quimera.

Esquecido de mim,
Continuarei caminhando
Pelos campos floridos,
Queridos e sem fim,
Desejando …

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