Sancho, o Governador – Por Henrique Córdova

O duque e a duquesa, na distração ilimitada de seus ócios intermináveis,
Ao valoroso Quixote e a Sancho sempre se mostraram falsamente amáveis;

Levaram o Manchego, generoso e valente cavaleiro andante, de Dulcinéia eterno e fiel enamorado,

À engendrada e bem encenada justa em defesa da honra ofendida da donzela de dourado.
Os fados opuseram sua inflexibilidade à injustiça e frustraram o gozo, com Tosilos bem mudado.

A donzela, conformada e previdente, ao sedutor verdadeiro e inatingível, o seu representante preferiu

E o Quixote, mais uma sem razão desfeita sem lutar, venceu a provocação ducal e, seguido de Sancho, partiu.

Sancho, alegre, fiel às aventuras de seu delirante Senhor, ao governo de Barataria abandonou e no fosso, com seu Ruço, caiu.

O Quixote, nas cercanias do castelo, cavalgava seu Rocinante e aparentemente conhecidos apelos de socorro ouviu,

Sem delongas, à beira, primeiro, do sumidouro chegou e, depois, a voz angustiada do escudeiro identificou.

Na salvação do Governador, todo o seu esforço e denodo empregou, com os cuidados devidos e não tomados em Montesinos.

Cumprida a tarefa, ouviu de Sancho a sua história no governo de Barataria, recheada de rifões, entre os quais, badalavam os sinos:

Quem governa e se locupleta com o alheio é ladrão e quem não o faz, para todos, por toda a eternidade, de um tolo não passa.

E, novamente, cavaleiro e escudeiro, enriquecidos de princípios, relegando o ócio, o conforto, rumaram para outra praça,

Em busca de novas aventuras, para fazer prevalecer a Justiça, desfazer as sem – razões, sempre airosos, com garbo e muita graça.

Por Henrique Córdova

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns Dr. Henrique.

    O atual Governador não faz jus ao cargo. Ou é incompetente e inepto, ou é corrupto, afinal, 33 milhões de reais não são manejados das contas do Estado, sem conhecimento do principal gestor.

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