Passagem – Por Henrique Córdova

Ao cruzar a serra,
Pelas remotas vias serenas,
De um anoitecer quase outonal,
Pisou-me o coração inquieto,
A nostalgia vagabunda
Dos meus amores juvenis,
Irremediavelmente perdidos.
Os manacás enflorescidos,
Nas encostas íngremes dependurados,
Com cores definidas e evocativas,
Pintaram o destino cumprido,
E prometeram voltar inteiros e viçosos
No próximo verão.
O vem e vai eterno dos verões
Cessará no dia da paz.
Imperará o silêncio absoluto
E o meu coração já não sentirá
A dor, forte demais, dos amores juvenis
Levados pela – então – impossível nostalgia.

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