É possível estabelecer um futuro promissor para São Joaquim como se fosse a montagem de um projeto de construção de uma casa, com quatro firmes pilares de sustentação. A figura da casa ilustra bem o que vou propor e gostaria que esse artigo não fosse considerado como uma visão pessoal, mas uma contribuição coletiva, pois ouvi e consultei uma centena de líderes comunitários, empresários, técnicos, além de contar com toda a minha vivência de 20 anos nesta cidade, como produtor, presidente da associação dos produtores de vinhos de altitude e integrante de diferentes grupos que vem nos últimos anos discutindo novos rumos para a cidade e que garanta qualidade de vida, mais empregos e renda para quem vive e trabalha aqui.
Utilizo a figura da casa para mostrar os quatros pilares que considero fundamentais para a construção dessa Casa São Joaquim:
Agronegócio

O pilar do Agronegócio é o que dá maior sustentação a economia de São Joaquim nas últimas décadas. E dentro do agronegócio a maçã tem o maior peso. Mas mesmo com uma produção expressiva e de uma maçã reconhecida hoje como uma das melhores do mundo, com envolvimento de mais de 2 mil produtores, essa atividade tem potencial para gerar muito mais valor para a cidade e toda a região, com mais garantia de rentabilidade para os produtores, do que ocorre atualmente. Mas isso só vai ocorrer quando a Casa São Joaquim for montada com a sustentação dos quatro pilares.
Moda e beleza

O pilar da Moda e da Beleza é nascente, já com algumas iniciativas na cidade. Mas tem um grande potencial de crescimento com a utilização de matérias primas locais: as cascas da maçã e das uvas são bons exemplos, hoje jogadas fora. Dessas cascas, além da lavanda de fácil plantio em toda a região, é possível criar inúmeros produtos de beleza, entre eles óleos, sabonetes, shampoos, com o surgimento de inúmeras empresas e empregos na cidade. Na moda, especialmente de inverno, São Joaquim tem que aproveitar a fama de ser a cidade da neve, a mais fria do país, para lançar nacionalmente no início de cada ano, em pleno verão, a moda de inverno. É possível criar um evento de porte nacional e assim estimular a produção local e artesanal de blusas, gorros, luvas e outras roupas típicas do inverno. Essa será uma atividade que vai envolver diferentes famílias e que vai assegurar a elas uma nova renda mensal. Já temos na cidade o Sesc e o Sebrae que podem dar uma grande sustentação técnica para ampliar essa atividade. Por falar em Sesc e Sebrae, é preciso reconhecer o silencioso e grandioso trabalho que está sendo feito pelo empresário e produtor de vinho s de altitude , Vicente Donini, em trazer diferentes entidades com foco na formação de mão de obra em São Joaquim.
Inovação e tecnologia

– Esse é um segmento novo em São Joaquim, mas que será de fundamental importância para sustentar todas as atividades econômicas locais. O agronegócio, por exemplo, é um vasto campo para a inovação e tecnologia que vai ajudar no que esse segmento mais precisa: agregar mais valor ao produto. Mas também a moda, a beleza, o comércio, os serviços e o turismo como um todo vão precisar sempre mais de inovação e tecnologia. Vejo também neste segmento uma importância fundamental e particular: a capacidade de reter jovens da cidade, na própria cidade. Hoje a grande maioria é obrigada a buscar outras cidades para a formação profissional e não volta mais para São Joaquim. Um galpão desativado pode ser transformado num Galpão Digital e abrigar dezenas de jovens que vão criar diferentes soluções, não apenas para a cidade, mas para o país todo. A Acate ( Associação Catarinense de Tecnologia) já manifestou interesse em montar uma unidade na cidade, com foco no agronegócio e no turismo e que estará integrado ao centro tecnológico já montado em Lages e ao centro de enologia de Urupema.
Comércio e serviços
– Esse pilar cresce e se fortalece de forma rápida. Temos o mais importante e que a natureza nos possibilitou e até nos presenteou: vistosas montanhas, os pinheiros, as macieiras, os vinhedos e um povo receptivo e acolhedor. A nossa gastronomia é rica e variada: a carne de frescal, o queijo, o mel, ameixas, a goiaba da serra, as maçãs, as uvas e os vinhos. O comércio local ganhou um grande fluxo com o calçadão e a recuperação das principais ruas centrais. Diferentes serviços surgem a cada dia na cidade.
A construção dessa nova e futura casa de São Joaquim tem que visar o bem comum, acima de partidos e ideologias. Não pode e nem deve ser obra de um prefeito, de uma administração pública. Cada administração publica fez a sua parte, fez o seu avanço na cidade. Mas é preciso olhar a cidade para daqui 30, 50 anos. Para isso a administração da cidade tem que ser continuada, numa série de administração com o mesmo foco: o desenvolvimento econômico e social em direções definidas, dentro de um Plano Diretor com regras claras e rígidas de construções de casas, prédios e ruas.
Santa Catarina tem bons exemplos de cidades com administrações continuadas. Vale citar Blumenau, Pomerode, Joinville, Jaraguá do Sul, Rio do Sul, Itajaí e Treze Tílias, entre outras. São cidades que seguem um planejamento de crescimento econômico e social, com a participação efetiva de toda a comunidade.
As cidades brasileiras, a exemplo de São Joaquim, só têm duas saídas no momento: contar com uma melhor distribuição do bolo financeiro hoje concentrado em Brasilia ( que será muito difícil de ser mexido devido os reflexos da aguda crise econômica dos últimos anos) ou gerar riqueza local.
Os quatro pilares propostos para a Casa São Joaquim são justamente para gerar riqueza na cidade. São quatro pilares que equilibram e balanceiam suas forças. O agronegócio será beneficiado pela inovação e pela tecnologia. Também se beneficia do turismo e do comércio. A indústria da moda e da beleza vão se beneficiar do turismo , do comércio e toda a área de serviços. Na verdade, esses quatros pilares vão se integrar, espalhar suas forças e dar sustentação a toda a casa, a toda a cidade.
Mas essa nova casa de São Joaquim precisa defender, cobrar e contar com mais infra estrutura publica . Os pomares de maçã, os vinhedos e suas vinícolas precisam de melhores acessos. O anel viário da cidade também é muito importante no olhar futuro, já que vai evitar a entrada de veículos pesados no centro. O término do aeroporto da cidade também é de fundamental importância para incrementar o turismo.. O chamado Caminho da Neve, que vai ligar Florianópolis a Gramado e Gramado a Florianópolis a Florianópolis, com passagem pela serra catarinense e uma redução de 100 quilômetros nesse percurso, certamente seria decisivo para um avanço do fluxo do turismo regional. São Joaquim também precisa ampliar sua oferta de hospedagem., restaurantes e outros equipamentos para reter por mais tempo o turista na cidade.
Sem dúvida, a maior vocação econômica e social da cidade é o turismo como um todo, que engloba o agronegócio, a moda, a beleza, a tecnologia, a inovação, o comércio e os serviços. Poderia ter definido o turismo como um pilar. Mas considero que é mais do que um pilar. É um universo de negócios, de novas oportunidades para toda a cidade, que se beneficia e beneficia todos os negócios da cidade.
O melhor dinheiro que pode entrar numa cidade é do turismo. O turista vem de carro próprio. Então não precisa de transporte. Não precisa de educação, de saúde. Ele simplesmente vem e deixa o seu dinheiro no hotel, na pousada, no comércio, no restaurante. E vai embora. Por isso precisa ser bem tratado para que volte sempre. É esse dinheiro do turista, em forma de impostos, que acaba no cofre da Prefeitura para que tenha recursos e prestar os serviços básicos para a população, principalmente nas áreas de saúde, educação e transporte.
São Joaquim tem essa vocação de receber turistas. A 21 Festa da Maçã é um bom exemplo. A Vindima, na sexta edição, é outro exemplo. Só no último mês de março, a Vindima trouxe mais de 50 mil turistas para a região da serra. A Cavalgada da Nevada e as diferentes provas de pedestres ou de bick também mostram isso. Temos os seminários técnicos, as festas nos distritos. Podemos ter um amplo calendário anual de eventos.
Para incrementar o turismo como um todo é de fundamental importância e urgente a criação de um design ou uma “cara” para São Joaquim, que caracterize essa região. Temos que valorizar os pinheiros, as taipas, a neve sem dúvida, as cores e os tetos das casas, as árvores ( falta um ou mais parques na cidade) e as flores, muitas flores, até para homenagear a Dona Doreli, essa querida aposentada que por conta própria deixa mais florida a praça central.
Do fundo do meu coração, gostaria que essas propostas de ações não fossem apenas palavras jogadas ao vento. A Prefeitura e o atual Conselho de Desenvolvimento Municipal deveriam montar um grupo , com definições de viabilidades, tarefas e prazos a cumprir. Sou o primeiro a me escalar, de forma voluntária. Vamos construir juntos essa nova e futura Casa São Joaquim, com os quatros pilares de sustentação: agronegócio, (moda e beleza), (inovação e tecnologia), ( comércio e serviços) para estimular o turismo como um todo, gerar mais empresas, empregos, renda e qualidade de vida na cidade.
Mãos as obras. O futuro de São Joaquim será promissor.
Por Acari amorim





