Lembranças Memoráveis: Monsenhor Pe. Otávio de Lorenzi e Monsenhor Blévio Oselame

Lembranças dos dois a, cujas suas trajetórias ficaram marcadas pela atuação na Paróquia de São Joaquim bem como na Serra Catarinense.

Foto: Arquivo Maria de Lourdes

Os católicos da serra catarinense amanheceram de luto numa manhã de  segunda-feira 5, fevereiro  de 2018 com a notícia do falecimento do monsenhor Blévio Oselame, aos 91 anos. E também um dia de tristeza quando o falecimento em 2017 do Monsenhor Pe. Otávio de Lorenze, deixaram um vazio  na comunidade católica da Serra catarinense.

Padre Blévio Oselame, filho de José Oselame Thereza Crestani Oselame, nasceu no dia 11 de fevereiro de 1926, no distrito de Cocal do Sul, quando ainda pertencia ao Município de Urussanga. Pertencia a uma família de oito filhos. Em 1940, mudou-se com a família para Consolação, localidade entre o Rio Rufino e Urubici, mais tarde para Rio Rufino.

Vocacionado para o sacerdócio, em 1941, ingressou no Seminário Diocesano de Caxias do Sul/RS, cursando o colegial e científico. Em 1947, ingressou na faculdade de Filosofia e Teologia em São Leopoldo/RS, no Seminário Central dos Padres Jesuítas. No dia 8 de dezembro de 1954, foi ordenado sacerdote na Catedral de Lages por Dom Daniel Hostin. Padre aos 24 anos, mesmo antes de concluir o curso de Teologia. Mais tarde, depois de padre, bacharelou-se na Faculdade de Ijuí/RS, com cadeira registrada no MEC na Secretaria de Educação em Florianópolis, nas disciplinas de Filosofia, Sociologia e História.

Posteriormente, foi servir as paróquias de Piratuba, Piritiba e Esteves Junior. Somente depois foi para São Joaquim, onde sempre almejou ser sepultado, ao lado do mausoléu onde repousam os restos mortais do saudoso padre João Batista Viecilli, na Capela Senhor dos Passos. Foi nomeado Pároco de São Joaquim no dia 10 de janeiro de 1957, onde foi bem aceito pela comunidade. Ao lado dos moradores do município, atuava em iniciativas de incentivo ao crescimento religioso, educacional e econômico da Paróquia e do Município.

Padre Blévio teve participação de apoio na construção da Escola Técnica de Comércio, antigo Colégio Cenecista. Lá também foi professor voluntário, ao lado das demais professores que atuavam no município. Como promotor religioso e administrador econômico da Paróquia, concluiu as obras da atual Igreja Matriz, construiu a atual Casa Paroquial que, na época, em 1º de janeiro de 1959, era tida como a construção mais moderna de São Joaquim.

Foi inspetor escolar por quatro anos, por nomeação do governador Celso Ramos, abrangendo a região de São Joaquim, incluindo os distritos de Bom Jardim e Urupema, que ainda não haviam se desmembrados. Diante dessa nova realidade, percebeu a carência de maior espaço físico para escolas, tanto da cidade como no interior. Daí a construção relâmpago do Colégio Paroquial São José, com capacidade para mais de 360 alunos, como escola particular, onde foi professor. Depois de o colégio ser estadualizado, abrigou aproximadamente de 1,2 mil estudantes.

Construiu a residência das irmãs diretoras e professoras do colégio. As Irmãs Franciscanas foram para São Joaquim a pedido dele. Pe. Blévio é um dos sócios-fundadores da Rádio Difusora São Joaquim Ltda.. Foi produtor e apresentador do programa “A Voz do Vigário” desde 1960. Em 1967, construiu o edifício chamado Conjunto do Salão Paroquial Frei Rogério. Outra grande obra foi a construção da Casa de Formação, servindo para cunho religioso e social, que hoje abriga um colégio particular. Além disso, houveram muitas realizações materiais e religiosas nas comunidades do interior do município e da paróquia, com um vasto leque, com mais de 18 capelas e quatro capitéis.

Poderia ser considerado um padre engenheiro que, aliás, foi um de seus pontos fortes, além de político por tradição familiar, sempre cogitado para cargos públicos, mas que nunca aceitou. Todas as obras foram realizadas com recursos provenientes da amizade popular, com doações e festas na comunidade. É cidadão joaquinense desde 1963.

Foi sócio-honorário de vários clubes de serviço joaquinense, pois sempre esteve lado a lado com todos os movimentos e eventos socioeconômicos, políticos, culturais, recreativos, desportivos, beneficentes e, principalmente, religiosos, razão primeira de estar entre eles. Há 58 anos, as placas de benemerência ou méritos a ele outorgados estão à direita da Igreja Matriz. Outro mérito foi uma escultura em pedra ferro na forma de uma mão e colocados em praça pública, homenagem da Colônia Japonesa na passagem dos 30 anos em solo joaquinense e 50 anos no exercício do sacerdócio de Blévio Oselame.

Visionário e com vocações ímpares, sempre procurou fazer obras para a posteridade, conseguiu a simpatia popular e, assim, concluiu a Igreja Matriz, quando, ao mesmo tempo, já construía a Casa Paroquial, entre outras grandes obras.

MONSENHOR OTÁVIO DE LORENZI

Otávio nasceu em Orleans, Santa Catarina, em 14 de maio de 1931, filho de Antônio de Lorenzi Dinon e Catarina Pilon, numa família de 12 irmãos.

Na década de 1950, os pais se mudaram para a comunidade de Taquaruçu de Cima, Município de Fraiburgo, SC. Com essa migração dos pais, Otávio ingressava na Diocese de Lages, no Planalto catarinense, no novo mundo cultural e religioso do serrano.

Um professor primário despertou nele a vocação sacerdotal e aconselhou-o a ir para o Seminário. E assim, dirigiu-se para o Pré-Seminário de São Ludgero, onde permaneceu em 1946 e 1947. Educado numa família humilde e pobre onde a língua diária era um dialeto italiano, teve dificuldade nos estudos. Em suas primeiras férias trouxe para os pais a grande notícia de que estava estudando a língua portuguesa.

Após oito anos no Seminário de Lages, em 1969 Dom Daniel o encarregou do trabalho de recrutamento vocacional em São Joaquim.  Padre cheio de bom humor, de relacionamento imediato com famílias, crianças e jovens, recebia o trabalho certo e, de 26 de maio de 1969 a 1983 foi vigário paroquial de São Joaquim, em São Joaquim da Costa da Serra, auxiliando o Padre Blévio Oselame, que lá se encontrava desde 1957, e ali ainda se encontra 60 anos depois. Foram sempre grandes amigos.

Como era o Pe. Otávio de Lorenzi? Como vivia o ministério presbiteral?

Não é fácil definir uma pessoa, menos ainda um sacerdote.

Mas, algumas imagens são claras e indicativas num homem que exerceu o ministério por 57 anos. Em primeiro lugar, era um homem que expressava felicidade, sempre sorrindo, brincando, acolhendo a cada pessoa. Era conversador nato e deixava todos à vontade. Mesmo um assunto sério nele era ocasião para esportividade. Em segundo lugar, era um padre realizado, vivia a consagração ao povo e à Igreja com dedicação e fidelidade. Os dramas e as crises não o abatiam. Também foi marcante em Pe. Otávio a inculturação radical: filho de uma colônia de migrantes italianos do Sul, tornou-se um homem da serra catarinense, um caboclo entre os caboclos, feliz e humilde como o homem serrano, sentindo-se bem entre ricos e pobres. Padre piedoso, foi pobre e amigo dos pobres. Não se apegava a bens materiais, colocando tudo à disposição de quem o procurava.

Padre sempre acolhedor, a casa paroquial era casa do povo, onde escutava, auxiliava e aconselhava a gente humilde que não receava procurá-lo. Nunca quis ser um burocrata clerical. Era o irmão mais velho de todos.

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