São Joaquim (SC) — Morreu aos 67 anos, no final da noite desta sexta-feira, 3 de outubro de 2025, às 23h50, o servidor público Nestor Oliveira Sobrinho, carinhosamente conhecido como “Netore” (ou “Netole”). Ele sofreu um infarto fulminante em sua residência, no bairro Santa Paulina. Muito querido na Prefeitura de São Joaquim, onde trabalhava, deixa uma marca de afeto e humor que virou parte do cotidiano da cidade.
Um paletó surrado, bolsos de caneta e um sorriso que não faltava
Quem cruzava com Netore reconhecia de longe o paletó batido, os bolsos cheios de canetas e o sorriso que parecia não tirar folga, sob frio ou sol. Ele tratava todo mundo pelo nome — e puxava conversa com a leveza de quem sabia que duas ou três frases bem-humoradas melhoram o dia de qualquer um.
“Venha cá, meu caro jornalista, bamo fazer uma reportagem… eu tenho um monte de canetas para te emprestar!”, dizia, quase sempre, quando via o repórter Mycchel Legnaghi atravessar o calçadão. Era seu jeito de transformar encontros apressados em pequenas pausas de riso.

Quando a cidade empurrou junto: a Brasília do Netore
Símbolo de perseverança, sua VW Brasília — companheira de décadas — também virou história. O canal El Bacon Dourado promoveu uma campanha para inscrever o carro no quadro “Lata Velha” do Caldeirão do Huck. A mobilização alcançou mais de 3,8 mil compartilhamentos, prova do carinho coletivo: em São Joaquim, cuidar do Netore soava como retribuir um pouco do cuidado que ele dedicou a todos.
Nota de pesar e reconhecimento
A Prefeitura Municipal de São Joaquim, por meio do prefeito Dorinho e de toda a Administração, manifestou profundo pesar pelo falecimento do servidor. No texto, Nestor é lembrado como exemplo de dedicação e companheirismo, sempre alegre, brincalhão e generoso, alguém que conquistou o respeito dos colegas e o afeto da comunidade. “Descanse em paz, Netole”, registra a homenagem.

Velório e sepultamento
O velório acontece na Capela da Funerária São Joaquim. O sepultamento será às 16h, no Cemitério Santo Anjo da Guarda.

Luto que é também gratidão
Fica a saudade de uma presença que parecia simples, mas era essencial: varrer folhas, alinhar o passeio, trocar uma palavra boa — a rotina invisível que mantém uma cidade de pé. Netore lembrava, sem alarde, que cuidar do espaço comum é cuidar uns dos outros.
São Joaquim se despede agradecida. E, por muito tempo, quem passar pelo calçadão vai jurar ouvir, entre o vento e a memória, a voz bem-humorada oferecendo uma entrevista improvisada e uma caneta — como quem presenteia o mundo com amizade.
Nestor “Netore/Netole” Oliveira Sobrinho — obrigado.





