Mulher, mãe e socorrista: a dedicação de Albani que salva vidas no SAMU de São Joaquim
Em São Joaquim, a força feminina também está presente na linha de frente do atendimento de urgência. A técnica de enfermagem Albani Terezinha Godinho, de 57 anos, é uma das profissionais que dedicam suas vidas a salvar outras. Integrante da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), na Unidade de Suporte Básico (USB 02), ela carrega mais de duas décadas de experiência na área da saúde.
Com 22 anos de profissão, Albani já atuou em diferentes setores do hospital, incluindo emergência, centro cirúrgico e atendimento pelo SUS. Há seis anos no SAMU, encontrou no atendimento pré-hospitalar uma missão que exige preparo, agilidade e, principalmente, sensibilidade humana.

A rotina é intensa. Muitas vezes, após concluir um plantão noturno de 12 horas no hospital, Albani segue diretamente para mais 12 horas de serviço no SAMU, totalizando longas jornadas dedicadas ao cuidado com o próximo. Mesmo diante do cansaço, ela encara o trabalho com carinho e compromisso.
Mãe de três filhos — Fabrício, Fabian e Emanuel, sendo que um deles também atua no SAMU — e avó de quatro netos, Albani encontra na família a motivação para seguir firme na profissão.

Antes de cada plantão, ela chega com antecedência para realizar a troca de turno com a equipe anterior e conferir todos os equipamentos e materiais da viatura. O objetivo é garantir que tudo esteja pronto quando o chamado de emergência chegar.
Durante o plantão, a equipe permanece em prontidão aguardando os chamados da Central de Regulação, que direciona as ocorrências. Muitas vezes, Albani é uma das primeiras a chegar até o paciente, especialmente em situações de acidentes ou emergências em meio à chuva e ao frio da Serra Catarinense.

“Na hora da ocorrência, a adrenalina vai a mil e a gente nem sente o frio. Nosso foco é fazer de tudo para ajudar as pessoas. É o momento em que buscamos transmitir segurança, esperança e conforto ao paciente”, relata.
Com coragem, dedicação e um profundo compromisso com a vida, Albani representa tantas mulheres que, todos os dias, estão na linha de frente do cuidado com o próximo. Neste Dia Internacional da Mulher, histórias como a dela mostram que a força feminina também salva vidas.
Força que salva vidas: mulheres ampliam protagonismo no SAMU em SC
No mês do Dia Internacional da Mulher, o protagonismo feminino ganha evidência no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Santa Catarina. As mulheres estão presentes em todas as frentes, nas Centrais de Regulação, Inter-hospitalar, motolâncias, Aeromédico e em Unidades de Suporte Básico e Avançado — da higienização à condução de ambulâncias, passando por funções estratégicas, como supervisão, coordenação operacional, atuação médica e direção-geral do serviço de Suporte Avançado.

“O SAMU tem muito orgulho de contar com a força de trabalho da mulher. Ninguém entende tanto de cuidado como elas, que se fazem presentes em todos os ambientes, pois sua determinação e força, demonstram que seu espaço está mais do que garantido no serviço de urgência. Santa Catarina é o Estado mais seguro para se viver, e não é por acaso, pois a força destas guerreiras impulsiona ainda mais o trabalho do SAMU em prol da vida e garantia de acesso aos serviços de saúde”, destaca o diretor do APH Móvel, Dionísio Medeiros.
Na rotina das ocorrências, a condutora socorrista Juliana Pereira, de 54 anos, é uma das 17 mulheres que exercem a função em todo o Estado. Atualmente, são duas na Unidade de Suporte Avançado (USA) e 15 na Unidade de Suporte Básico (USB) — um espaço historicamente masculino, que elas ajudam a transformar com competência e determinação.
Antes do amanhecer, Juliana, com três filhos e três netos, já organizou a rotina da família e se prepara para o plantão de 12 horas na Unidade de Suporte Avançado (USA) de Lages. Com quatro anos de atuação no SAMU e 26 como bombeira comunitária, ela transformou a resistência no começo da carreira em combustível. “Não somos exceção. Somos capacidade, preparo e força. Meu foco sempre foi trabalhar na USA e hoje me sinto feliz e realizada por tudo que conquistei.”
Ao falar das ocorrências marcantes, Juliana lembra do atendimento a uma mulher sob efeito de drogas e muito ferida, quando ainda era condutora na USB. Com escuta ativa, respeito e calma, conseguiu estabilizar e conduzir a paciente até a ambulância. O gesto rendeu aplausos e uma frase que nunca esqueceu: “Uma mulher faz diferença nessas horas.”

Juliana também atua na Central de Emergência 193 dos Bombeiros, regulando viaturas e atendendo chamados que envolvem incêndios e situações de risco. Aliás, foi lá que começou a prestar serviços de emergência. Também acumula formações como guarda-vidas e outros cursos técnicos.
Foi no atendimento pré-hospitalar que encontrou propósito. “Fui gestora de loja por alguns anos, andava de salto alto e roupas sociais, mas não me sentia feliz. Quando a ambulância básica do SAMU começou a atuar junto ao quartel dos Bombeiros, tive certeza de que era aquilo que queria e abracei de vez essa vocação”, relembra.
Desafios
No SAMU desde 2018, a enfermeira Mariana Fernandes, 30 anos, reconhece que ainda há desafios. “Enquanto homens são imediatamente reconhecidos como autoridade, muitas vezes precisamos reafirmar nosso lugar. Sigo firme e profissional, porque sei quem sou e o que represento”, destaca. A jornada vai além de dar conta de tudo.“É sobre seguir com propósito e consciência do nosso papel”, diz.

Há 12 anos no SAMU, a médica Cíntia Tamellini, de 46 anos, ressalta que nas emergências o que realmente importa é a resposta rápida e qualificada. “As pessoas se sentem aliviadas com a chegada do socorro, independentemente de ser homem ou mulher.” Ela optou por uma jornada menor para cuidar da filha de 7 anos. “Escolhi trabalhar e ganhar menos, e dou conta de tudo”, acrescenta.

Essa é a força feminina no SAMU: profissionais que somam competência no atendimento e na gestão. “Já somos 53% da força de trabalho no serviço avançado. A atuação das mulheres na linha de frente exige conhecimento técnico, coragem, empatia e compromisso com a humanização do cuidado. Que cada vez mais mulheres se sintam motivadas a fazer parte do SAMU”, reforça a diretora-geral do SAMU/FAHECE, Carla Birolo Ferreira.
Texto: Comunicação Samu/Fahece e Agência São Joaquim Online






