Nota Oficial: Ação Integrada entre Polícia Civil e Prefeitura de São Joaquim resulta no resgate de 36 animais em situação de maus-tratos

Ação integrada cumpre mandado judicial após relatórios técnicos do Bem-Estar Animal apontarem grave negligência, desnutrição e até animais mortos no local.

SÃO JOAQUIM (SC) – Uma força-tarefa liderada pela Delegacia de Polícia da Comarca de São Joaquim e pela Prefeitura de São Joaquim, através da Diretoria de Bem-Estar Animal (vinculada à Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente) pela na tarde desta última segunda (15), realizou uma grande operação de combate aos maus-tratos no município. A ação resultou no resgate de 36 animais, sendo 28 cães e 8 gatos, que eram mantidos em condições degradantes em uma residência no bairro Pradinho.

A intervenção ocorreu após denúncias sobre superpopulação e perturbação de sossego na localidade. Diante da gravidade dos relatos, o Ministério Público acionou os órgãos municipais para fiscalização, que culminou no mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça e cumprido pelas autoridades policiais.

Histórico de fiscalização e constatação de negligência

O setor de Bem-Estar Animal do município vinha tentando vistoriar o imóvel desde meados de maio. Segundo os relatórios técnicos assinados pelo médico veterinário e diretor da pasta, Matheus Cardoso Nunes, a moradora impôs diversas barreiras para receber a fiscalização, chegando a se recusar a abrir o portão mesmo após ter agendado um horário com a equipe e com voluntários da ONG ACAPRA.

Diante da falta de cooperação, os fiscais realizaram vistorias no entorno do terreno e colheram provas contundentes que comprovaram a situação de abandono:

Cenário Macabro: A equipe constatou visualmente a presença de um cachorro morto há dias no pátio. Por mensagens de aplicativo, a própria responsável admitiu que sabia do óbito desde o final de semana anterior, mas preferiu deixar o corpo exposto, demonstrando total irresponsabilidade. Havia ainda fortes indícios de outros corpos escondidos sob lonas e manchas de sangue pelo chão.

Saúde dos Animais: Cães e filhotes apresentavam visível estado de magreza, desnutrição e apatia devido ao frio rigoroso da região. Também foi constatada a presença de fêmeas prenhes, evidenciando a falta de controle populacional (castração) no local.

Irregularidade Sanitária: A proprietária revelou que os animais não possuíam carteira de vacinação oficial, afirmando que ela mesma aplicava as vacinas. A prefeitura alerta que a imunização de animais — inclusive contra graves doenças e zoonoses como a raiva — é um ato de responsabilidade e de exercício exclusivo de médicos veterinários.

“Querer o bem dos animais não significa simplesmente tirá-los das ruas e acumulá-los em um local sem dignidade. Proteger de verdade exige cuidado, higiene, abrigo contra o frio e responsabilidade.”
relatou o Veterinário Matheus Cardoso Nunes, Diretor de Bem-Estar Animal de São Joaquim

Ambiente imundo e riscos à saúde pública

Ao ingressarem na propriedade com o mandado judicial, as equipes policiais e os veterinários da prefeitura encontraram um cenário de horror e extrema insalubridade. Na área externa, os cães viviam confinados em meio a uma grande quantidade de fezes, urina acumulada, forte odor e moscas.

No interior da casa, a situação era ainda pior. Cães e gatos dividiam cômodos totalmente tomados pela sujeira, inclusive sobre superfícies destinadas ao preparo de alimentos. Esse ambiente gerava sérios riscos epidemiológicos não apenas para os animais, mas também para os moradores e vizinhos de todo o quarteirão.

Tratamento e destino dos animais salvos

Todos os 36 animais foram retirados da residência e imediatamente acolhidos pela Prefeitura de São Joaquim. Eles foram encaminhados para atendimento médico-veterinário, onde passam por avaliação clínica individual, exames e tratamento para ferimentos e desnutrição.

Após estarem totalmente recuperados, castrados e imunizados, os cães serão levados para o Canil do Centro de Bem-Estar Animal do município e os gatos para lares temporários. O objetivo final da prefeitura, em parceria com a ONG ACAPRA, é encaminhar todos os sobreviventes para feiras de adoção responsável.

A Vigilância Sanitária Municipal também foi acionada para adotar as providências administrativas necessárias no imóvel. A Polícia Civil reforça que acumular animais sem dar a eles condições dignas de higiene, abrigo e alimentação é crime, e a investigação prossegue para a responsabilização criminal da envolvida.

Por Assessoria de Imprensa da Diretoria de Bem-Estar Animal de São Joaquim

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