Fissuras foram percebidas nesta sexta-feira (3) no trecho da Serrinha, palco de problemas geológicos e de uma complexa obra de estabilização; SIE fará avaliação técnica
Pouco mais de um ano após a conclusão de uma ampla intervenção para estabilizar um dos pontos mais problemáticos da malha rodoviária da Serra Catarinense, novas trincas foram percebidas nesta sexta-feira, 3 de julho, no pavimento da SC-114, no trecho conhecido como Serrinha, em São Joaquim.
As fissuras aparecem em diferentes pontos da pista. Pelas imagens divulgadas por usuários da pista, uma das aberturas acompanha por vários metros a região próxima ao eixo central da rodovia, enquanto outras se distribuem longitudinalmente pelo pavimento. Somente uma inspeção de engenharia poderá determinar a causa, a profundidade e se existe movimentação ativa do terreno.

O surgimento das trincas ocorre após um período de cerca de três dias de chuva persistente. Dados baseados em informações combinadas de estações meteorológicas e satélite do CPTEC indicam um acumulado de aproximadamente 122 milímetros em São Joaquim entre os dias 1º e 3 de julho, o que representa uma média superior a 40 milímetros de chuva por dia. Em apenas três dias.
Estado aciona empresa e manda técnicos ao local
De acordo com as informações efetuadas por José Ricardo Costa, que ocupa o cargo de Coordenador Regional de Infraestrutura do Planalto na Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), confirmou que a empresa responsável pela intervenção e os técnicos do Estado já foram acionados. .
“Já acionamos a empresa e nossos técnicos para fazer a avaliação técnica”, informou Ricardo Costa ao São Joaquim Online.
Segundo ele, a primeira providência deverá ser selar as trincas e, paralelamente, verificar possíveis pontos de movimentação para definir qual recomendação técnica será adotada.
“Selar as trincas e verificar os possíveis pontos de movimentação e qual recomendação técnica a adotar”, explicou.
Questionado diretamente pela reportagem sobre a possibilidade de uma nova interdição da SC-114, Ricardo Costa respondeu que no momento não existe indicativo de nova interdição do trecho.

Um trecho marcado por chuvas e instabilidades geológicas
O reaparecimento de trincas chama atenção justamente pelo histórico da Serrinha. O ponto já enfrentou uma sequência de problemas associados a períodos de chuva intensa e à instabilidade do terreno.
Em outubro de 2023, fissuras e deformações começaram a ganhar maior gravidade no trecho. O pavimento apresentou rachaduras significativas e o problema passou a exigir intervenções emergenciais. Registros posteriores apontam que a instabilidade persistiu, com agravamento em novos episódios de chuva.
A situação voltou a ficar crítica em outubro de 2024. Após chuvas intensas, a pista apresentou novos problemas e o km 297 da SC-114 foi interditado. Em 3 de outubro daquele ano, o próprio Governo de Santa Catarina informou oficialmente que a SIE trabalhava desde a madrugada para liberar a rodovia e executar reparos emergenciais.
Naquela época, a interrupção atingiu uma ligação estratégica entre São Joaquim, Painel e Lages. Medidas paliativas permitiram posteriormente o restabelecimento do tráfego, inicialmente com restrições, mas o próprio histórico da área demonstrava que simples remendos no pavimento não seriam suficientes para enfrentar um problema ligado à presença de água e à movimentação do maciço.

Da emergência à obra de estabilização
Em 2024, o Estado avançou para uma intervenção mais robusta. A recuperação deixou de se limitar à camada asfáltica e passou a atuar sobre drenagem, encostas e sustentação do trecho.
Entre os serviços divulgados para a intervenção estavam muros de gabião, drenagem profunda, contenções com enrocamento, retaludamento e escadas para dissipação da água, um conjunto de técnicas destinado a reduzir a ação da água no solo e aumentar a estabilidade do segmento.
Os trabalhos avançaram entre o fim de 2024 e os primeiros meses de 2025. Em março de 2025, registros públicos já mostravam a obra em estágio final, e fontes locais apontam que os serviços foram concluídos em abril de 2025.
Por enquanto, o Estado informa que a empresa responsável pela obra já foi acionada, técnicos farão a avaliação, as fissuras deverão ser seladas e eventuais pontos de movimentação serão investigados.




