O líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeni Prigozhin, suspendeu o avanço de suas tropas pelo território russo neste sábado (24) para “diminuir a escalada da situação”.
O grupo, que seguia para Moscou, concordou em interromper o avanço na região durante diálogo com o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.
A Rússia tem usado o território da Belarus para lançar ataques contra a Ucrânia desde o início da invasão há 16 meses.
O acordo deste sábado surgiu depois de as autoridades de Moscou terem implementado uma operação antiterrorista em antecipação à chegada das tropas do Wagner à capital, que implicou o encerramento de alguns espaços públicos como a Praça Vermelha, entre outras medidas.
Líder do Wagner, Prigozhin disse em uma mensagem no Telegram que o grupo que seguia em direção a Moscou retornará à sua base para evitar um banho de sangue de ambos os lados.
“Prigozhin aceitou a proposta de Lukashenko para interromper o movimento (do grupo) Wagner em território russo e outras medidas para diminuir a tensão”, disse a assessoria de imprensa de Lukashenko em um comunicado.
No Telegram, Prigozhin afirmou que foi “possível encontrar uma alternativa aceitável para desescalar [a situação] com garantias de segurança para os combatentes do Wagner PMC”.
Ele ainda disse que “embarcou em uma marcha por justiça” na sexta (23) porque queriam “dissolver” o grupo militar”.
“Em 24 horas, chegamos a 200 km de Moscou. Nesse tempo não derramamos uma gota de sangue de nossos combatentes”, pontuou o líder do grupo em comunicado no Telegram.
“Agora chegou a hora em que o sangue poderia ser derramado. Compreendendo a responsabilidade (pela possibilidade) do derramamento de sangue russo de um lado, nossas colunas estão voltando aos campos conforme planejado”, completou Prigozhin.
Essa declaração, compartilhada no Telegram, foi visualizada por mais de 3 milhões de vezes em poucos minutos.
Não está claro, porém, o que mais foi oferecido aos mercenários para conter a situação.
O serviço de imprensa de Lukashenko afirmou que as negociações foram realizadas com o acordo de Vladimir Putin.
Para especialistas, a medida foi uma alternativa para evitar a escalada do conflito, mas ainda é incerto o que acontecerá na Rússia após o impasse.
Michael O’Hanlon, da Brookings Institution, disse à BBC que o acordo que suspendeu o avanço Wagner “faz sentido” porque a situação na Rússia era “extraordinariamente arriscada”.
“A ideia de que Prigozhin poderia de alguma forma engendrar uma revolta em massa de base ampla contra Putin, seria realmente uma situação possível”, diz O’Hanlon.
No entanto, mesmo após a suspensão do avanço do grupo, O’Hanlon frisa que continua sendo um “momento altamente crítico e perigoso” na Rússia.
Várias questões também permanecem, incluindo que tipo de termos foi oferecido a Prigozhin e que perspectivas ele tem de permanecer vivo, diz O’Hanlon.
Com informações: G1






