Uma galinha passou por um raro caso de reversão sexual no município de São Lourenço do Sul, na Região Sul do RS. O fenômeno, que ocorre em cerca de uma em cada 10 mil aves, chamou a atenção pela transformação física gradual observada ao longo de meses.

A ave, criada como animal de estimação há cerca de dez anos, começou a apresentar mudanças no padrão das penas, que se tornaram mais longas. Com o tempo, surgiram crista, esporão e outras características físicas típicas de um galo, além da interrupção na postura de ovos.
A galinha de estimação, carinhosamente chamada de Liebling pela família, começou a apresentar mudança a partir das penas no ano passado, segundo Moisés.
“De repente, ela começou a mudar, começou a aparecer essas penas maiores”, conta.
As penas ficaram alongadas e, com o passar dos meses, a ave foi adquirindo crista e esporão, características de galo.
De acordo com especialistas, o processo ocorre quando o ovário esquerdo da galinha, que normalmente é o único funcional, sofre uma alteração ou doença que o incapacita. Como consequência, o ovário direito, que normalmente permanece atrofiado, pode se desenvolver parcialmente, formando uma estrutura conhecida como ovo-teste, que mistura tecidos ovarianos e testiculares. Essa mudança leva à produção de hormônios masculinos, como a testosterona, o que provoca modificações físicas e comportamentais na ave.
Apesar da aparência semelhante à de um galo, a ave não muda de sexo biologicamente, pois continua geneticamente fêmea. Casos semelhantes já foram registrados em outros países, como a Inglaterra, mas continuam sendo considerados extremamente raros.
Caso idêntico em SC
Os casos são raros, mas sempre que ocorrem chamam a atenção da comunidade. Em 2017, uma galinha na zona rural de Forquilhinha (SC) apresentou mudanças incomuns, parando de botar ovos e desenvolvendo características masculinas, como crista e canto de galo. A ave era criada em um galinheiro com outras 30 aves.
A mudança ocorreu gradualmente, com a galinha produzindo menos ovos até parar totalmente. Em seguida, desenvolveu penas mais encorpadas, papo e crista maiores, dando-lhe a aparência de um galo.
Apesar da mudança recente, percebida ao longo de seis meses, a ave já está com a família há 10 anos.
A explicação, de acordo com Eduardo Antunes, médico veterinário e professor do Campus São Lourenço da Faculdade do Rio Grande, a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), é um processo que tem início no ovário das aves.
“O que acontece é que as aves tem um sistema reprodutivo esquerdo desenvolvido, o ovário esquerdo desenvolvido, e se houver algum problema, alguma doença que cause, que faz com que esse ovário perca a sua funcionalidade (…) ele perde a sua função e o ovário direito que era involuído começa a se desenvolver em um formato de ovo teste, que é uma mistura de ovário com testículo, então, ela começa a produzir mais testosterona, hormônios masculinos do que os femininos, e isso faz com que haja uma transformação morfológica”, detalha.
Moisés foi aluno do professor Eduardo Antunes no curso de Educação do Campo da Furg e, por coincidência, lembrou do fenômeno visto em aula, identificado no próprio galinheiro.
“Eu encontrei ele e perguntei. Aí, ele veio aqui em casa e, realmente, é possível”, relembra Moisés.
Visualmente, Liebling tem traços de um galo, mas as mudanças hormonais também afetaram a postura dos ovos, que não tem acontecido. Mesmo com a estética, ela segue sendo considerada uma galinha.
Com informações: G1




