Governo lança plano para evitar a entrada da traça-da-maçã, praga presente em diversos países
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instituiu o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Cydia pomonella (PNPV/Cydia) para evitar a reintrodução da traça-da-maçã, praga erradicada do Brasil em 2014. O inseto pode comprometer até 80% da produção de maçãs e 60% de peras em áreas sem controle, além de gerar prejuízos milionários. Recentemente, larvas foram interceptadas em carregamentos de maçãs e peras importadas da Argentina, Chile e Uruguai.
A portaria publicada no Diário Oficial da União, nesta segunda-feira (22.09), estabelece medidas como educação fitossanitária, capacitação técnica, instalação de armadilhas com feromônio sexual, fiscalização em áreas de produção, centrais de distribuição e pontos de ingresso de frutas. A execução será compartilhada entre União e Estados, cabendo ao Mapa assumir diretamente em casos de incapacidade local.
O que é a Cydia pomonella
Popularmente chamada de traça-da-maçã, o inseto da ordem Lepidoptera, família Tortricidae, é considerado uma das pragas mais destrutivas de frutíferas de clima temperado no mundo. Ataca maçã, pera, marmelo e noz europeia, além de pêssego, ameixa, damasco, cereja e nectarina.
As fêmeas depositam ovos nas folhas ou frutos e, ao eclodirem, as larvas perfuram a casca e se alimentam da polpa até alcançar as sementes. O ataque deixa galerias, restos de excrementos e causa a queda dos frutos, gerando perdas econômicas significativas.
A prevenção será realizada através de inspeções em portos, aeroportos e fronteiras, com monitoramento em áreas produtoras. Investigação de suspeitas em até cinco dias, com possível interdição de propriedades e declaração de estado fitossanitário especial caso um foco não seja controlado.
Além disso, produtores deverão adotar medidas de biossegurança, como eliminar frutos com sinais da praga e cumprir protocolos estaduais. O Mapa também publicará comunicados oficiais e poderá decretar emergência fitossanitária se houver detecção da praga.
O Ministério estima que, mesmo com apenas 1% de infestação, o Brasil poderia perder 14 mil toneladas de frutos, o equivalente a quase US$ 5 milhões anuais.
Outro risco é o aumento no uso de agrotóxicos para controle químico, elevando custos e ameaçando exportações devido a exigências sanitárias e resíduos acima do limite permitido.


