Estudos da UFSC orientaram manejo em cerca de 250 hectares de campos de altitude para reduzir combustível de grandes incêndios e conservar a biodiversidade
Usar fogo para ajudar a proteger uma área natural pode parecer contraditório. No Parque Nacional de São Joaquim, na Serra Catarinense, essa estratégia foi aplicada com planejamento e acompanhamento especializado, apoiada em mais de dez anos de pesquisas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A primeira operação de Manejo Integrado do Fogo da unidade ocorreu entre 1º e 11 de julho de 2026. Cerca de 250 hectares de campos de altitude, menos de 2% do parque, passaram pelo manejo. O objetivo foi reduzir a vegetação seca que pode alimentar incêndios de grandes proporções.
Como funciona
O trabalho incluiu abertura de aceiros, acompanhamento meteorológico e queimas prescritas em áreas definidas previamente. Antes das intervenções, as equipes avaliaram vento, temperatura, umidade da vegetação e quantidade de material combustível.
Segundo a divulgação da UFSC, a operação seguiu protocolos técnicos e ocorreu sem perda de controle ou registro de situações de risco. As atividades foram orientadas pelo plano de manejo integrado do fogo elaborado para o parque em 2023.
Por que a ausência de fogo também preocupa
Nos campos de altitude estudados pelos pesquisadores, a exclusão completa do fogo pode favorecer o avanço de arbustos sobre a vegetação campestre, processo conhecido como “vassoural”.
Os estudos indicam que o manejo planejado, associado ao pastejo extensivo, pode contribuir para conservar a diversidade desses ambientes e diminuir o acúmulo de biomassa seca. A estratégia considera as características dos campos naturais e sua dinâmica ecológica.
Ciência aplicada à conservação
A iniciativa reuniu profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pesquisadores da UFSC, do PELD-Bisc e do INCT AdaptaVeg, além de agentes temporários ambientais e moradores da região.
A experiência aproxima pesquisa científica e gestão ambiental: resultados acumulados ao longo de anos passaram a orientar intervenções práticas na proteção dos campos de altitude da Serra Catarinense.
Com informações da UFSC e do PELD-Bisc. Foto: Divulgação Peld/Bisc.