José Tadeu da Silva, de 74 anos, perdeu seu comércio na comunidade do Pericó. Seu depoimento emocionou o repórter Mateus Barreto ao unir a dor pelas perdas à esperança de recomeçar.
José Tadeu da Silva, morador da comunidade do Pericó, no interior de São Joaquim, faleceu no domingo, 1º de novembro, aos 74 anos. Ele emocionou ao chorar durante uma entrevista sobre a enchente de setembro, quando contou que havia perdido seu comércio e as benfeitorias que construíra ao longo da vida.
Mesmo abalado, José Tadeu agradeceu por estar vivo, pelo apoio dos amigos e por ninguém ter morrido na enxurrada. Além disso, afirmou que ainda tinha disposição para reconstruir sua trajetória.
“Mas graças a Deus tô com saúde, tô com coragem e forças para recomeçar.”
“Foi tudo o que eu tinha”
A enxurrada de 21 de setembro atingiu a comunidade do Pericó e deixou perdas em residências e estabelecimentos. Para José Tadeu, a destruição alcançou o espaço onde trabalhava e os bens que havia reunido.
Durante a entrevista ao repórter Mateus Barreto, do Jornal do Almoço, ele mostrou os estragos e descreveu o que a água havia levado.
“Eu tinha um comércio ali, foi tudo o que eu tinha, tinha todas as minhas benfeitorias, eu quero que o senhor veja do lado, o balcão, tudo, perdi tudo”, relatou.

Nascido na localidade e com uma história de décadas junto aos moradores, José Tadeu também falou de sua relação com a comunidade. “Ajudando a população, nunca fiz mal a ninguém”, declarou.
Apesar da dor, voltou a agradecer pela preservação das vidas.
“Eu ainda fico satisfeito que graças a Deus não morreu ninguém, né. Eu tô muito feliz nesse ponto, que eu agradeço a Deus, né.”
Repórter relembra encontro e lamenta a morte
Após saber do falecimento, Mateus Barreto publicou uma mensagem nas redes sociais. O jornalista contou que visitou José Tadeu uma semana depois da enxurrada, para mostrar os danos e pedir doações por meio da reportagem.
Segundo ele, o comerciante o recebeu com muita emoção, mas também com esperança de que as coisas melhorariam depois da tempestade.
O encontro marcou o repórter. Na publicação, Mateus descreveu a tristeza de receber a notícia da morte de alguém que havia conhecido em meio às perdas.
“Meus sinceros sentimentos à família, paz e luz para ele e força a vocês”, escreveu Mateus Barreto.
Na homenagem, o jornalista associou o sofrimento de José Tadeu à tristeza provocada pela destruição. Essa manifestação expressa sua percepção pessoal e não constitui confirmação da causa da morte.
Vizinha relata problemas de saúde nas últimas semanas
Uma vizinha contou que José Tadeu enfrentou problemas de saúde depois da enchente. Na avaliação dela, o abalo pelas perdas agravou uma condição que já exigia cuidados.
“Eu acho que ele já andava doente, mas ali só piorou”, afirmou.
Segundo a moradora, ele passou por atendimento hospitalar, recebeu tratamento e voltou para casa. Posteriormente, precisou buscar atendimento em Lages.
Ainda conforme o relato, José Tadeu apresentou complicações na próstata e uma infecção. A vizinha disse também que ele sofreu um infarto enquanto aguardava uma vaga na UTI.

Gratidão aos amigos e coragem para recomeçar
No depoimento após a enchente, José Tadeu fez questão de reconhecer a ajuda que recebia. Para ele, a aproximação dos amigos representava acolhimento em meio à destruição.
“Todas as doações nós agradecemos, todos os amigos”, disse.
Ao encerrar a entrevista, voltou a agradecer pela presença das pessoas ao seu redor.
“E agradeço aos amigos que ao redor da gente chegando, que isso é uma grande satisfação.”
José Tadeu nasceu em 3 de março de 1952. Sua fala permanece como um registro de sua ligação com o Pericó e da esperança que expressou mesmo diante das perdas.
O São Joaquim Online manifesta seus sentimentos aos familiares, amigos e à comunidade do Pericó.
