Queda na produção de colágeno começa a partir dos 30 anos e se intensifica com o tempo; ultrassom microfocado se firma como uma das tecnologias mais procuradas no país
- O avanço da dermatologia estética no Brasil
- Por que o colágeno importa tanto para a saúde da pele
- Ultrassom microfocado: como a tecnologia estimula colágeno sem cirurgia
- Quando começar e o que esperar
- O papel da escolha profissional no resultado
- Cuidados que complementam o tratamento
- O que está em jogo não é vaidade
A pele começa a perder sustentação mais cedo do que a maioria das pessoas imagina. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a produção de colágeno diminui cerca de 1% ao ano a partir dos 30 anos de idade.
Aos 50, essa perda acumulada já ultrapassa os 30%, especialmente em mulheres que passam pelo período da menopausa, quando a queda do estrogênio acelera a degradação das fibras que sustentam a pele.
O resultado aparece no espelho: linhas finas que antes pareciam discretas se tornam sulcos mais marcados, o contorno do rosto perde definição e a textura da pele muda.
O que pouca gente entende é que esses sinais não surgem de repente. Eles são o reflexo de um processo que já estava acontecendo há anos, muitas vezes sem qualquer tipo de acompanhamento dermatológico.
A proteína do colágeno responde por cerca de 30% de toda a estrutura proteica do corpo humano e tem papel direto na firmeza, na elasticidade e na hidratação da pele. Quando ela diminui, o tecido perde sua capacidade de se sustentar.
A exposição solar sem proteção, o tabagismo e a alimentação inadequada são fatores que aceleram esse processo, mas mesmo quem cuida bem da pele não está livre da perda natural que vem com o tempo.
O avanço da dermatologia estética no Brasil
O interesse dos brasileiros por procedimentos que combatem os sinais do envelhecimento está longe de ser uma novidade, mas os números dos últimos anos mostram uma aceleração considerável.
De acordo com o relatório mais recente da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o Brasil registrou mais de 3,1 milhões de procedimentos estéticos não cirúrgicos em 2024, ocupando a segunda posição mundial nessa categoria, atrás apenas dos Estados Unidos.
Entre esses procedimentos, a aplicação de toxina botulínica liderou com 45,7% dos casos. O preenchimento com ácido hialurônico veio em seguida, com 22,9%.
Logo depois aparecem os tratamentos de rejuvenescimento com efeito lifting, categoria que inclui tecnologias como o ultrassom microfocado, que tem ganhado espaço nos consultórios dermatológicos brasileiros.
O mercado global de medicina estética foi avaliado em 85 bilhões de dólares em 2024, com projeção de crescimento anual de 8,5% até 2030, segundo a Grand View Research.
No Brasil, o setor de estética gerou 3,4 bilhões de dólares em receita em 2023, e estimativas apontam que esse valor pode chegar a 9,8 bilhões até o fim da década.
Esse crescimento reflete uma mudança de comportamento. Tratamentos estéticos deixaram de ser associados exclusivamente a cirurgias invasivas e períodos longos de recuperação.
Parte significativa da demanda atual vem de pacientes que buscam procedimentos com menor tempo de inatividade e resultados progressivos, que respeitem a aparência natural do rosto.
Por que o colágeno importa tanto para a saúde da pele
Antes de entender como os tratamentos atuam, vale olhar com mais atenção para o papel que o colágeno exerce. Ele não é apenas uma proteína “da estética”.
Na derme, camada intermediária da pele, o colágeno forma uma rede de sustentação que mantém tudo no lugar. Quando essa rede enfraquece, a pele perde volume e cede à gravidade.
A dermatologista Marcelle Nogueira, coordenadora do Departamento de Geriatria da SBD, já explicou em publicações da entidade que a queda na produção de colágeno não afeta apenas a aparência.
Ela compromete a espessura da pele, sua capacidade de reter água e sua resistência a agressões externas. Mulheres que passam pela menopausa enfrentam uma perda ainda mais acentuada, já que o estrogênio funciona como um dos estímulos para que os fibroblastos produzam colágeno.
O ponto que especialistas reforçam é que tratar a pele depois que os sinais já estão instalados é possível, mas exige mais esforço do que começar a cuidar antes que o dano se acumule.
É por isso que a dermatologia tem migrado para uma abordagem preventiva, em que tecnologias e protocolos entram na rotina do paciente não como correção, mas como manutenção.
Ultrassom microfocado: como a tecnologia estimula colágeno sem cirurgia
Entre as ferramentas que mais se destacaram nos últimos anos para o tratamento da flacidez e do envelhecimento cutâneo está o ultrassom microfocado. A tecnologia funciona de maneira diferente de lasers e outros procedimentos de superfície.
Ela emite ondas de ultrassom que geram calor em pontos específicos nas camadas mais profundas da pele, incluindo a derme profunda e a camada muscular superficial, conhecida como SMAS. Esse aquecimento controlado provoca microlesões nos tecidos, o que ativa uma resposta do organismo: a produção de novas fibras de colágeno e elastina.
O efeito não é imediato. A melhora na firmeza da pele acontece de forma gradual ao longo de semanas e meses, à medida que o novo colágeno se organiza e se estrutura. O pico de resultado costuma ser observado por volta do terceiro mês após a sessão.
O procedimento é considerado não invasivo, não exige cortes e permite que o paciente retome suas atividades no mesmo dia. A sessão dura, em média, de 30 a 90 minutos, dependendo da área tratada. As regiões mais procuradas são rosto, pescoço e colo, embora a tecnologia também seja aplicada em áreas corporais como abdômen, braços e coxas.
A evolução dos equipamentos trouxe mais precisão e conforto ao longo dos anos. “O Ultraformer MPT, por exemplo, utiliza a tecnologia de micropulsos, que aumenta a densidade dos pontos de coagulação térmica e permite que o tratamento seja até duas vezes mais rápido do que versões anteriores. Com micropulsos, a entrega de energia é fracionada, o que também reduz o desconforto durante a aplicação”, destaca uma dermatologista especializada em Ultraformer MPT de Goiânia.
A versatilidade é outro ponto relevante. O equipamento permite ao dermatologista ajustar a profundidade de atuação conforme a necessidade de cada paciente, tratando desde camadas superficiais da derme até a SMAS, sem necessidade de diferentes aparelhos. Isso possibilita protocolos personalizados, em que o médico adapta a intensidade e a região de tratamento para cada caso.
Quando começar e o que esperar
Uma dúvida frequente nos consultórios é sobre o momento certo de iniciar esse tipo de tratamento. A resposta depende de cada paciente, mas a orientação geral entre dermatologistas é que a prevenção começa antes dos sinais se tornarem evidentes.
A partir dos 30 anos, quando a perda de colágeno já está em curso, uma avaliação com um dermatologista pode definir se há indicação para algum procedimento de estímulo.
Para pacientes que já apresentam flacidez moderada, os protocolos costumam incluir uma ou duas sessões no primeiro ano, com manutenção anual nos anos seguintes.
O ultrassom microfocado pode ser combinado com outros tratamentos, como bioestimuladores de colágeno, toxina botulínica e preenchedores, sempre sob orientação médica.
Os resultados não são os mesmos de uma cirurgia plástica, e nenhum profissional sério vai prometer isso. O que a tecnologia entrega é uma melhora progressiva na firmeza e no contorno da pele, com aspecto natural e sem os riscos associados a procedimentos cirúrgicos.
O papel da escolha profissional no resultado
Tecnologia, por mais avançada que seja, não substitui a competência de quem a opera. A diferença entre um resultado satisfatório e uma experiência frustrante está, muitas vezes, na avaliação clínica que antecede o procedimento.
Um dermatologista com formação sólida e experiência em tecnologias estéticas avalia o tipo de pele, o grau de flacidez, o histórico do paciente e a expectativa em relação ao tratamento antes de definir o protocolo. Essa personalização é o que separa um procedimento bem feito de uma aplicação genérica.
A SBD é a única instituição reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no Brasil.
Verificar se o profissional possui título de especialista pela SBD e registro no CRM é um passo que todo paciente deveria seguir antes de se submeter a qualquer tratamento estético.
Cuidados que complementam o tratamento
Nenhum procedimento funciona sozinho. Dermatologistas são unânimes em dizer que o resultado de qualquer tratamento depende dos cuidados que o paciente mantém no dia a dia.
O uso diário de protetor solar é a medida mais eficaz para retardar a degradação do colágeno causada pela radiação ultravioleta. Cremes com antioxidantes, como a vitamina C, também contribuem para proteger as fibras existentes.
Segundo a dermatologista Dra. Mariana Cabral, que desenvolve seu trabalho na capital goiana, a hidratação da pele, a alimentação equilibrada e a ingestão adequada de água fazem parte da base. Suplementação com colágeno hidrolisado pode ser indicada a partir dos 40 anos, conforme orientação médica, especialmente para pacientes com baixa ingestão proteica na dieta.
O sono e o controle do estresse também têm papel documentado na saúde da pele. A liberação excessiva de cortisol, hormônio associado ao estresse crônico, interfere na produção de colágeno e acelera o envelhecimento cutâneo. Tratar a pele é, no fim, tratar o corpo como um todo.
O que está em jogo não é vaidade
A busca por tratamentos dermatológicos estéticos é frequentemente reduzida a uma questão de vaidade, mas os dados mostram que há algo maior em jogo.
Pesquisa divulgada pela Offerwise apontou que 70% dos brasileiros utilizam produtos de beleza para se sentir bem consigo mesmos. A autoestima e o bem-estar emocional estão diretamente ligados à percepção que cada pessoa tem da própria aparência.
A dermatologia estética moderna não propõe transformar rostos. Propõe cuidar da pele de forma que ela envelheça com qualidade, mantendo a identidade e a expressão natural de cada paciente. Tecnologias como o ultrassom microfocado existem para dar suporte a esse processo, não para substituí-lo.
O que muda, de fato, é o momento em que a pessoa decide agir. Esperar que os sinais se agravem para buscar ajuda é uma escolha, mas não a mais eficiente.
A pele responde melhor quando o estímulo chega antes do dano se consolidar. E essa decisão começa, sempre, com uma conversa com um dermatologista.