Staking de Ethereum no Brasil: o que é, quanto rende e como a Receita Federal vai tributar

Para quem investe em Ethereum, staking é uma forma de gerar renda passiva a partir dos tokens que já possui, sem precisar vendê-los. Com o eth dolar a oscilar nos últimos meses, muitos investidores brasileiros passaram a olhar para o staking como uma alternativa para fazer o patrimônio trabalhar mesmo em períodos de mercado lateral.

Há um detalhe que mudou em 2025 e que todo investidor precisa entender: a Receita Federal passou a exigir que operações de staking sejam declaradas formalmente, pela Instrução Normativa nº 2.291/2025. O assunto entrou no radar fiscal brasileiro de vez.

O que é staking de Ethereum e como funciona

Desde setembro de 2022, quando o Ethereum migrou do modelo de mineração (Proof of Work) para o modelo de validação por participação (Proof of Stake), os detentores de ETH passaram a ter a possibilidade de contribuir para a segurança da rede e receber recompensas por isso.

Na prática, funciona assim: você deixa seus Ethers bloqueados numa plataforma ou diretamente na rede para ajudar a validar transações e recebe mais ETH em troca. Quem faz staking individual direto na rede precisa de no mínimo 32 ETH e de um computador dedicado ligado 24 horas por dia. Para a maioria dos investidores brasileiros, a alternativa mais acessível é usar uma exchange ou plataforma de staking por delegação, onde não há valor mínimo e a parte técnica fica por conta da plataforma.

Quanto rende o staking de ETH

Os rendimentos variam conforme o método utilizado. No staking direto na rede Ethereum, o retorno em 2026 gira em torno de 2% a 3% ao ano (APY). Já em serviços de staking oferecidos por terceiros ou em protocolos de staking líquido, as taxas podem variar, ficando abaixo ou acima dessa faixa, dependendo das condições do mercado, da estrutura de recompensas e das taxas cobradas.

Esses percentuais podem parecer modestos comparados ao CDI, mas os rendimentos são pagos em ETH, não em reais. Se o preço do Ethereum subir durante o período de staking, o retorno total em reais pode ser significativamente maior do que a taxa de APY sugere. O inverso também vale, e é por isso que acompanhar a cotação do ativo é parte essencial da estratégia.

O que muda com a IN 2.291/2025 da Receita Federal

Em novembro de 2025, a Receita Federal publicou a Instrução Normativa nº 2.291, criando a Declaração de Criptoativos, a DeCripto. O novo sistema substitui a antiga IN 1.888/2019 e entra em vigor obrigatoriamente a partir de julho de 2026, com envio mensal pelo portal e-CAC.

O staking passou a constar explicitamente na lista de operações que precisam ser reportadas. Compra, venda, permuta, doação, mineração, airdrops e staking são todos listados como operações declaráveis. Movimentações acima de R$ 35 mil por mês precisam ser informadas individualmente, com data, natureza da operação, quantidade de criptoativos e valor em reais no momento da transação.

Importante: a IN 2.291/2025 não criou novos impostos. As regras de tributação continuam as mesmas. Quem vende criptoativos com lucro acima de R$ 35 mil no mês paga IR sobre o ganho de capital, com alíquotas entre 15% e 22,5%. O que mudou foi a obrigatoriedade de reportar com mais detalhe e regularidade, incluindo o staking.

Exchanges estrangeiras também passam a declarar

Uma das mudanças mais relevantes da nova norma é que exchanges fora do Brasil que atendam investidores brasileiros também ficam obrigadas a reportar. Se a plataforma aceita pagamentos em reais, usa domínio .br ou faz publicidade direcionada ao Brasil, passa a ter as mesmas obrigações das exchanges nacionais.

Isso significa que quem faz staking de ETH em plataformas internacionais não está mais fora do radar da Receita Federal. O Brasil se alinhou ao padrão CARF da OCDE, um protocolo de troca automática de informações sobre operações com criptoativos entre países. Mais de 70 jurisdições já assinaram o acordo.

O que o investidor brasileiro precisa fazer agora

Se você faz ou pretende fazer staking de Ethereum no Brasil, vale tomar algumas providências antes de julho de 2026. A primeira é manter um histórico detalhado de todas as operações: data de entrada no staking, quantidade de ETH bloqueada, valor em reais no momento e registros de cada recompensa recebida com a cotação do dia.

A segunda é entender que cada recompensa de staking pode ser considerada um evento tributável, dependendo da interpretação da Receita. Especialistas recomendam consultar um contador com experiência em criptoativos para definir o tratamento fiscal adequado.

O staking de Ethereum é uma estratégia legítima e acessível. Com rendimentos entre 2% e 3% ao ano em ETH, é uma forma de acumular o ativo sem novas compras. A fiscalização mais rigorosa da Receita não elimina essa vantagem, mas exige organização como qualquer investimento que gera renda no Brasil.

Apesar das novas exigências de reporte fiscal, o staking de Ethereum continua a ser uma alternativa interessante para investidores que procuram aumentar a sua exposição ao ETH e gerar rendimento passivo a longo prazo.

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