Indústria da moda precisa se equiparar a outros setores da economia por desenvolvimento sustentável

Certos setores da economia impactam mais a natureza do que outros, e a moda é um deles.

Segundo um estudo desenvolvido pela consultoria britânica Trucost em parceria com o Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), ao considerar os 45 principais setores da economia brasileira, o impacto ambiental atinge R$ 1,6 bilhão ao ano. Isso significa que os resultados negativos na natureza e seus gastos futuros para tal compensação impactam diretamente na economia do país.

Diante desse contexto, outro tema em alta é a moda sustentável, cujas pesquisas cresceram 66% em 2018.

Não é de hoje que o consumo consciente tem despertado o interesse das pessoas. Segundo uma análise do Lyst, especializado em consumo online, no último ano as pesquisas pelo termo jeans sustentável aumentaram 187% nas visualizações de páginas de empresas que comercializam esse tipo de produto – além do crescimento contínuo de termos como marcas éticas, fibras de nylon e algodão orgânico.

Desenvolvimento econômico sustentável na prática

Isso porque a indústria da moda é uma das que mais poluem o meio ambiente. Somente a produção do algodão, por exemplo, demanda substâncias tóxicas que prejudicam a água e a terra, além das microfibras de plástico também poluírem o oceano diariamente. Especialistas do setor apostam que tais práticas já estão com os dias contados, seguindo a tendência dos consumidores de preocupação com a poluição e seus efeitos negativos no meio ambiente.

Para fomentar o desenvolvimento econômico sustentável na indústria da moda, a atividade têxtil vem apostando em iniciativas contrárias ao desperdício. Em 2018, o governo do Reino Unido anunciou que iria dedicar mais esforços para a resolução do problema, e o Parlamento Europeu também se reuniu para discutir medidas de estímulo à reciclagem de roupas para evitar o desperdício. No âmbito das iniciativas privadas, o aplicativo reGAIN tem ajudado no processo de reciclagem de roupas na Europa.

O agro é pop – e pode ser sustentável

Além da moda, outro setor que causa grande impacto ambiental é a agropecuária. Segundo a pesquisa da Trucost com o CEBDS, a cada R$ 1 milhão em receita na pecuária é gerado um impacto ambiental estimado em R$ 22 milhões. Já no cultivo de soja, por exemplo, o resultado negativo na natureza é de quase R$ 3 milhões a cada R$ 1 milhão faturado. Preocupantes, os dados também podem motivar novas práticas de desenvolvimento sustentável.

Para reduzir emissões e continuar crescendo com uma agropecuária sustentável, algumas medidas podem ser adotadas. Entre elas, está a mensuração e gestão das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na produção do setor, ajudando a reduzir seu impacto no ecossistema e no clima, além de impulsionar o cumprimento de metas climáticas, essenciais para o planeta. Além disso, essa missão está entre as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, documento do governo brasileiro que registra os principais compromissos e contribuições do país para o futuro acordo climático.

O NDC prevê a restauração de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o incremento de 5 milhões de hectares de sistemas de integração entre a lavoura, a pecuária e as florestas até 2030. Caso seja bem manejada, a pecuária pode deixar de emitir e passar a sequestrar carbono, invertendo sua lógica de atividade altamente emissora da substância por meio de técnicas que ajudam a integrar suas redes e a praticar o plantio direto, com fixação biológica de nitrogênio no solo, o que substitui a adubação e poupa até US$ 3 bilhões por ano. Além disso, outras oportunidades são as florestas plantadas e o tratamento de dejetos animais para que a sustentabilidade do país ganhe com a agropecuária.

Além da agricultura, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os setores da economia que mais têm oportunidades “verdes” são o Turismo, a Indústria, a Pesca e Aquicultura, Energias Renováveis e o Setor Florestal.

O desenvolvimento econômico sustentável e a economia verde

Levando em conta a finitude dos recursos naturais, a economia verde é uma economia que também considera os serviços ecossistêmicos e os limites planetários dados pela ciência como marcos objetivos dentro das atividades de produção, distribuição e consumo. Nesse tipo de economia, as tomadas de decisões consideram os serviços dos ecossistemas, bem como questões como mudança de clima, justiça social e escassez de recursos naturais, orientando os projetos e comportamento dos líderes envolvidos em tais atividades.

Já o desenvolvimento sustentável segue como um conceito mais abstrato e amplo do que a economia verde, apontando princípios que devem ser seguidos. Na prática, ele age mais como um “protocolo de boas intenções” que visa implantar uma cultura sustentável nas ações de empresas, investidores e consumidores.

Para uma mudança real, a economia verde é indicada como a forma mais concreta de modificação de economias dos países que buscam avançar em direção ao desenvolvimento sustentável, implantado seus princípios de sustentabilidade na economia mundial. O futuro vem aí, e tudo indica que ele deve ser cada vez mais verde. O planeta agradece.

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