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Brigas de galo e biquínis – Por Henrique Córdova

Foto: Acervo O Globo

 

No início da década dos anos sessentas, surgiu, no firmamento político brasileiro, um brilhante cometa. Era o mato-grossense Jânio da Silva Quadros, casado com Dona Eloá e pai da menina “Tutu”, que um dia seria minha colega na Câmara dos Deputados, onde denunciaria desonestidades de seu próprio pai. . Munido de uma vassoura, que se transformou em tema de marcha de carnaval, Jânio percorreu todo o território nacional em vigorosa e mística campanha contra a corrupção, que derruía os fundamentos do desenvolvimento econômico e social do País, enfraquecia as instituições públicas e privadas e minava os alicerces da democracia e da República. Prometia, principalmente, com a vassoura símbolo, que brandia em cada comício que levava o povo ao delírio, varrer do Brasil os corruptos e a corrupção. Não preciso dizer que tais discursos, vazados em um português castiço e pronunciados com pausas calculadas e teatrais, realçadas por expressões faciais fascinantes, caíram sobre o seu confuso opositor, o honrado Marechal Lott, como um fulminante raio. Eleito Presidente da República, Jânio proibiu as brigas de galo, em seguida condenou o uso dos recém importados biquínis, que começavam a fazer a alegria e o deslumbramento de nossas lindas praias tropicais… Sem maiores feitos e sem varrer o que prometera, alegando pressões nunca explicadas, o homem da vassoura, para espanto de todos, renunciou ao mandato que buscara e o povo lhe dera… Quase sessenta anos depois, a corrupção devastadora patrocinada pelos últimos presidentes do Brasil gerou outro “Catão”, que, eleito Presidente da República, já condenou as “cadeirinhas” para acomodação segura de crianças em bancos de veículos automotores, já falou em mandar retirar os “pardais” das rodovias sob jurisdição nacional e já se manifestou revoltado contra a cobrança de taxas a turistas nacionais e estrangeiros na ilha de Fernando de Noronha…As semelhanças entre as circunstâncias e atos de Jânio e Bolsonaro são poucas, além das citadas. Jânio abandonou o Poder por inapetência ou por mistério insondável. Bolsonaro vive o Poder por amor ao Brasil ou por necessidade de apoio e aplauso popular… Bolsonaro, no entanto, fará muito pelo Brasil e seu povo se usar, para o fim a que estava destinada, a vassoura que Jânio relegou a um canto qualquer da nossa nefasta história..

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  1. O texto de fatos passados, e atuais, demonstram a inteligência e a capacidade deste joaquinense ilustre, Henrique Cordova

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