Justiça dos EUA determina indenização de R$ 4,8 bilhões para vítimas do voo da Chapecoense

Decisão beneficia parte dos familiares. Acidente com 71 mortos completará quatro anos em 29 de novembro.

Uma decisão da corte estadual da Flórida, nos Estados Unidos, homologou o pedido de indenização de familiares de vítimas do acidente aéreo da Chapecoense, em novembro de 2016 na Colômbia. O valor é de US$ 844 milhões (R$ 4,77 bi na cotação atual), além de juros. A decisão atende apenas uma parcela dos familiares das 71 vítimas do acidente.

O documento trata de uma sentença homologatória. No início do processo movido contra a LaMia, Kite Air Corporation (dona da aeronave), Ricardo Albacete (sócio da LaMia) e Marcos Rocha Venegas (dono da Kite), houve uma tentativa de acordo. Porém, os réus destituíram o advogado que cuidava do caso, que seguiu à revelia.

Por entender que uma tentativa de acordo havia sido oferecida, o juiz Martin Zilber, homologou a decisão.

Segundo Marcel Camilo, advogado de nove famílias beneficiadas, a decisão permite buscar a indenização junto às seguradoras da aeronave. Nos Estados Unidos, quando a empresa acusada de irregularidade não é assistida pela seguradora, as vítimas podem acionar os responsáveis pela apólice. Os alvos, neste caso, são a Aon (corretora de seguros), a Bisa (seguradora) e a Tokio Marine Kiln (resseguradora).

“É uma primeira vitória. Importantíssima. Agora entra um novo momento. Como as companhias não deram assistência, podemos, com essa sentença, ir atrás das empresa para buscar a indenização”, disse Camilo

A ação foi aberta em novembro de 2018 e aceita pelo tribunal da Flórida porque a LaMia possui contatos comerciais e sistemáticos nos Estados Unidos. Além disso, agentes da empresa residiram e realizaram trabalhos em nome dela.

Ação civil pública no Brasil

Com a indenização homologada nos Estados Unidos, a esperança é que a ação civil pública que corre no Brasil ganhe força e agilidade. Há ainda uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que apura as participações e responsabilidades do acidente.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu indenização de US$ 300 milhões (R$ 1,7 bilhão na cotação atual) por danos morais e materiais em favor dos familiares das vítimas. São réus na ação a empresa LaMia, os grupos econômicos da corretora Aon e as seguradoras Tokio Marine Kiln e Bisa Seguros y Reaseguros.

Segundo o MPF, as seguradoras e resseguradoras estavam cientes da má condição financeira da companhia aérea, que tinha dificuldades para se manter em operação.

Em março deste ano, a CPI do Senado requereu à Caixa Seguridade e à Petrobras documentação relativa aos contratos firmados com a empresa Tokio Marine do Brasil, mas por conta da pandemia do novo coronavírus, os encontros foram suspensos.

ENTENDA

O seguro da aeronave era de US$ 25 milhões (cerca de R$ 104 milhões) na época do acidente, mas os advogados das famílias contestam. Eles dizem que, até 2015, a apólice era de US$ 300 milhões (R$ 1,24 bilhão) e, a partir de 2016, mesmo com o risco ampliado por passar a transportar atletas de clubes de futebol, o valor da apólice caiu.

Os advogados das famílias alegaram que a Aon é responsável pela avaliação de risco de seguros e que tinha conhecimento que a aeronave sobrevoaria áreas de risco, como a Colômbia. Para não fazer o pagamento da indenização, a empresa de seguro diz que a apólice não estava paga. Porém, segundo os advogados das famílias, não houve uma comunicação sobre o não pagamento da apólice às autoridades locais, o que impediria o voo.

Embora se recusem a pagar o seguro, duas empresas – Tokio Marine Kiln, seguradora nascida no Japão, e a boliviana Bisa – fazem parte de um fundo humanitário que ofereceu um repasse de dinheiro aos familiares das vítimas. Elas ofertaram cerca de R$ 935 mil para cada. Em troca, os beneficiários teriam de desistir das ações na Justiça. Ao todo, 23 famílias aceitaram o acordo, mas 48, não.

O cálculo, de acordo com os advogados das famílias, é de que o valor devido pela Aon, Tokio Marine Kiln e Bisa varia entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões (entre R$ 22 milhões e R$ 28 milhões) para cada um.

Foto Luis Benavides/AP

Com informações G1

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