Educação Física: um jeito multidisciplinar de ensinar a matéria

Com a associação das duas disciplinas, alunos têm mais chances de se familiarizarem com os conceitos matemáticos desde a infância.

A disciplina de cálculo é uma das mais temidas pelos jovens que ingressam em um curso superior da área de Exatas. Muitas vezes, essa apreensão revela uma relação pouco amistosa com a matemática ao longo de toda a vida estudantil, que é capaz de provocar até mesmo dúvidas sobre seguir o sonho de uma carreira profissional.

Mas algumas iniciativas têm buscado modificar essa realidade através de um ensino multidisciplinar que começa na educação básica. A proposta é que os conceitos matemáticos sejam trabalhados também em outras áreas, para uma maior familiarização por parte dos alunos.

Um dos exemplos é o ensino da educação física. Por meio da prática esportiva, é possível trabalhar a matemática. Para as crianças menores podem ser apresentadas as formas geométricas da quadra, as posições da raia na piscina, a noção de conjuntos por meio da divisão das equipes, dentre outros temas.

Com o avanço da faixa etária, os alunos podem compreender conceitos mais específicos, como ângulo, ou voltados à Física, como força, velocidade, além de toda a matemática envolvida nos mais variados jogos.

Avaliação prática

Lecionando a educação física há 30 anos nas escolas de São Paulo, os professores Alexandre Rocha e Telma Renata Santos explicam que a relação entre as duas disciplinas é intrínseca. “A matemática está em tudo, desde a contagem dos exercícios até a medição de performance – quanto saltou, quantas repetições foram feitas, duração de um jogo, quantidade de pontos da equipe”, exemplifica Rocha.

Na avaliação de Telma, a associação das duas disciplinas é uma contribuição importante para seus alunos, que têm faixa etária entre dois e 17 anos. “Quando trabalhamos assim, os conceitos são melhor assimilados e o interesse pelos conteúdos cresce.”

Além da educação física, o ensino multidisciplinar oportuniza a possibilidade de a matemática ser trabalhada em outras matérias e atividades, como música, biologia, geografia, artes manuais e oficinas culinárias.

A importância do ensino básico para o curso superior

No ensino superior de exatas, o aluno terá contato com a disciplina de cálculo já no início do curso. Nesta fase serão estudados conteúdos como lógica, conjuntos, polinômios, trigonometria, equações, funções, limites, assíntota, dentre outros. Alguns tópicos, como as derivadas e a sequência de Fibonacci, são trabalhados, também, em cursos das áreas de Humanas e Saúde.

Ter uma familiaridade com a matemática desde cedo, enxergando como ela se relaciona e está presente no dia a dia, contribui para o desenvolvimento do raciocínio lógico e de outras habilidades. Além de criar uma relação mais positiva com esta ciência, que será levada para toda a vida.

O professor de cálculo, física e álgebra linear, Matheus Soares, afirma que a dificuldade com a matemática básica aprendida antes de iniciar a faculdade é um dos principais obstáculos para os alunos de cálculo. “É muito comum o aluno entender os conceitos e os processos, mas na hora de usar a matemática básica não conseguir avançar.”

Por isso, antes de iniciar a disciplina, é comum que os professores relembrem alguns conceitos e processos em um ensino “pré-cálculo” para auxiliar o desenvolvimento do aluno na matéria.

Foto: Steven Lelham/Unsplash

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